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Argentina já teve cinco presidentes em apenas 11 dias? Quando isso aconteceu?

'Corralito', medida econômica adotada no fim de 2001 por Fernando de la Rúa, levou país vizinho ao caos social e à instabilidade

MonitoR7|Do R7

Casa Rosada, sede da Presidência da Argentina, teve cinco comandantes em curto espaço de tempo
Casa Rosada, sede da Presidência da Argentina, teve cinco comandantes em curto espaço de tempo Casa Rosada, sede da Presidência da Argentina, teve cinco comandantes em curto espaço de tempo

A Argentina viveu uma crise econômica tão severa em 2001 que logo se transferiu para o ambiente político. Como resultado de turbulento período, em dezembro daquele ano o país teve cinco presidentes em um período de 11 dias.

A origem da crise foi o chamado corralito, implementada pelo então presidente Fernando de la Rúa. A medida congelava os valores depositados nas poupanças e nas contas-correntes e estabelecia limites semanais para a retirada de valores, com o objetivo de impedir a transferência de recursos para o exterior.

A medida extremamente impopular causou uma convulsão social no país vizinho. Em 20 de dezembro de 2001, De la Rúa renunciou da Casa Rosada, um dia depois de ter decretado um Estado de sítio. Após sua saída, sucederam-lhe quatro presidentes em 11 dias: Ramón Puerta, Adolfo Rodríguez Saá, Eduardo Camaño e Eduardo Duhalde. Veja o que aconteceu com cada um deles.

Fernando de la Rúa

Fernando de la Rúa
Fernando de la Rúa Fernando de la Rúa

Fernando de la Rúa já havia sido prefeito de Buenos Aires e venceu as eleições de 1999 com a promessa de melhorar as instituições, o que não aconteceu. Após o anúncio do corralito, que impunha um limite de saque de 250 pesos/dólares por semana, começaram em todo o país os famosos panelaços, chamados por lá de “cacerolazos”.

Em paralelo, a população começou a saquear supermercados, armazéns e comércios de todo tipo. Como resposta, De la Rúa decretou um Estado de sítio, e os confrontos entre as forças de segurança e os argentinos civis deixou um saldo de 38 mortos, centenas de feridos e 4.000 detidos em todo o país.

Em meio ao caos e à violência, De la Rúa deixou a Casa Rosada, sede da Presidência da Argentina, de helicóptero, uma imagem que se tornou emblemática no país. Antes de fugir, na manhã de 21 de dezembro, o político tomou sua última medida como mandatário e revogou o Estado de sítio.

Ramón Puerta

Ramón Puerta
Ramón Puerta Ramón Puerta

Em 21 de dezembro, como presidente provisório do Senado, Puerta assumiu como chefe de Estado, por linha sucessória. Durante sua breve Presidência, que durou até 22 de dezembro, nomeou novos integrantes para o Gabinete nacional.

Conforme estabelece a constituição argentina, Puerta tinha como função convocar, em 48 horas, uma assembleia legislativa que seria responsável por escolher um presidente interino, até que fosse realizada a eleição de um novo chefe de Estado.

Adolfo Rodríguez Saa

Adolfo Rodríguez Saa
Adolfo Rodríguez Saa Adolfo Rodríguez Saa

Na Assembleia Legislativa de 23 de dezembro de 2001, elegeu-se Adolfo Rodríguez Saa para o cargo de presidente interino, com 169 votos a favor e 138 contra. 

Embora tentasse acalmar o descontentamento social com medidas como a moratória (supensão do pagamento) da dívida externa, Saa anunciou a manutenção do corralito, o que manteve os ânimos exaltados.

Em 28 de dezembro de 2001, ocorreu outra revolta popular, que começou com uma greve dos ferroviários de Sarmiento. Passageiros se juntaram à manifestação e incendiaram vários trens. Ao meio-dia, centenas de pessoas se concentraram em frente aos tribunais para exigir a renúncia da Suprema Corte, que rejeitou um recurso apresentado por uma pessoa prejudicada pelo corralito.

Durante a madrugada, centenas de milhares de pessoas se reuniram na Praça de Maio, ponto de encontro histórico de manifestações de Buenos Aires. Um grupo tentou forçar as portas da Casa Rosada e desencadeou a repressão. Outra multidão marchou em direção ao Congresso, onde se lançaram contra as portas de ferro e conseguiram entrar no Parlamento.

Conforme detalhado pelo jornal Página/12 na época, “a polícia praticamente havia desaparecido".

Em 29 de dezembro, Saa, que estava em Mar del Plata, se escondeu em uma caminhonete e foi até o aeroporto da cidade, onde fugiu para a cidade de San Luis e anunciou sua renúncia.

Eduardo Camaño

Eduardo Camaño
Eduardo Camaño Eduardo Camaño

Com a renúncia de Ramón Puerta e Adolfo Rodríguez Saa, a Constituição argentina dizia que o próximo na linha sucessória deveria ser o presidente da Câmara dos Deputados, no caso, Eduardo Óscar Camaño. Ele que assumiu de fato em 30 de dezembro e formalmente em 31 do mesmo mês, quando formalizou o procedimento de posse.

Durante seu curto período, Camaño aceitou a renúncia do gabinete anterior e convocou a Assembleia Legislativa de forma urgente, para 1º de janeiro às 14h. 

Eduardo Duhalde

Eduardo Duhalde
Eduardo Duhalde Eduardo Duhalde

Em 1º de janeiro de 2002, a Assembleia Legislativa elegeu, com 262 votos a favor, 21 contra e 18 abstenções, Eduardo Duhalde como novo presidente. Seu mandato durou até maio de 2003, quando Néstor Kirchner assumiu como chefe de Estado.

Em seu discurso de posse, prometeu: "Quem depositou dólares, receberá dólares!" Ao longo de seu mandato, flexibilizou e encerrou o corralito. Com isso, aplacou o desespero de milhares de pessoas que estavam com dinheiro preso nos bancos.

Durante os anos como presidente argentino, Duhalde também confirmou a moratória do pagamento da dívida externa, acabou com a paridade do peso para o dólar americano e aplicou o ajuste fiscal exigido pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). 

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