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Corinthians já teve uma equipe apelidada de 'Faz-me Rir'?

Timão passou por uma má fase no Campeonato Paulista de 1961 e foi alvo de provocações, mas deu a volta por cima

MonitoR7|Yasmim Santos*, do R7

Equipe de 1961 não começou o Paulistão bem e foi apelidada de 'Faz-me Rir'
Equipe de 1961 não começou o Paulistão bem e foi apelidada de 'Faz-me Rir' Equipe de 1961 não começou o Paulistão bem e foi apelidada de 'Faz-me Rir'

"Faz-me rir o que andas dizendo. Que te adoro, que morro por ti. Não te enganes dizendo mentiras. Não te enganes, não te faças rir." O refrão é do bolero da brasileira Edith Veiga, que fez sucesso na década de 1960.

No mesmo período, o que não era sensação era a equipe do Corinthians, que foi apelidada com o título da música durante o Campeonato Paulista de 1961. A equipe perdeu 7 dos 11 primeiros jogos da competição — empatou dois e venceu apenas dois.

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Diferente do intuito romântico da composição, os rivais usavam a frase para caçoar da equipe e colocavam a música nos alto-falantes. Segundo o jornalista e pesquisador Celso Unzelte, isso aconteceu pela sequência de derrotas. "Para a época, era um desempenho muito ruim", afirma.

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A expectativa sobre a equipe, no início do Paulistão, era grande. A estreia da temporada do Timão foi com um 7 a 2 sobre o Flamengo, de Gérson e Dida, e o time ainda tinha duas estrelas: Gilmar e Oreco, campeões Mundiais de 58.

Mas o começo não saiu como o esperado. Para contornar a situação, o presidente do Corinthians, Wadih Helu, que tinha um bom relacionamento com o Flamengo, buscou reforços de uma forma um tanto inusitada.

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"O que ficou para história é que o time trouxe alguns jogadores emprestados do Flamengo, todos de uma vez. Era Manoelzinho, Beirute, Adilson, que era irmão de uma cantora famosa do Rio de Janeiro, Espanhol, todos trazidos emprestados ou comprados mesmo", lembra Unzelte.

O técnico João Lima também foi trocado e o interino Dino Pavão assumiu, por apenas dois jogos. Alfredo Ramos foi o escolhido para seguir com a equipe.

Porém, não foi suficiente. O Corinthians terminou o primeiro turno entre os últimos colocados. 

Na segunda parte da competição, a história mudou. O time voltou a vencer e acabou o Paulistão na sexta colocação — foram 30 jogos, com 12 vitórias, 9 derrotas e 9 empates.

"Os caras do Flamengo não eram o 'Faz-me Rir', eles vieram para reforçar o time e, com eles em campo, o Corinthians nunca perdeu nenhum jogo. O time acabou melhorando no fim daquele campeonato — era um começo que ameaçava rebaixamento, mas acabou em sexto lugar. Então não foi tão ruim assim", explica o pesquisador.

A música que a torcida criou para responder à provocação do "Faz-me Rir", logo, fez sentido e marcou a reviravolta da equipe.

No momento difícil%2C presente. A torcida responde por ti. Demonstrando a toda essa gente. Que tu tens um nome%2C do qual não se ri!

(Torcida do Corinthians)

Vale lembrar que essa fase foi o "início" de um jejum da competição (considerada a maior da época) que durou quase 23 anos — o Timão só voltou a levantar a taça do Paulistão em outubro de 1977.

Como foi para Edith?

Capa do disco de Edith, que soube do apelido na época
Capa do disco de Edith, que soube do apelido na época Capa do disco de Edith, que soube do apelido na época

A cantora Edith lembra que foi um misto de sentimentos quando soube que a música estava sendo relacionado ao seu time do coração. "Fiquei muito feliz, porque meu disco tinha sido lançado, e triste, por outro lado, porque o Corinthians estava perdendo muito", disse, ao R7.

Ela acha que a "brincadeira" ajudou a aumentar o alcance da música, mas também teve de lidar com uma recepção negativa por parte dos corintianos.

"Quando ia assistir ao time jogar no Pacaembu, encontrava sempre o Vicente Matheus [ex-presidente do Timão], e ele não gostava da cantora Edith Veiga, porque eu cantava 'Faz-me Rir'. Quando o encontrava, falava: 'Mas sou corintiana, Vicente'", conta. 

Retrospecto em 1961

Confira o desempenho do Corinthians na competição daquele ano, segundo a RSSSF (Rec. Sport. Soccer Statistics Foundation):

02/07/1961 Corinthians 1 x 2 Guarani

09/07/1961 Esportiva 3 x 0 Corinthians

16/07/1961 Corinthians 2 x 2 Botafogo

19/07/1961 São Paulo 1 x 0 Corinthians

23/07/1961 Jabaquara 2 x 1 Corinthians

30/07/1961 Corinthians 2 x 1 XV de Piracicaba

06/08/1961 Ferroviária 2 x 1 Corinthians

12/08/1961 Corinthians 1 x 1 Juventus

16/08/1961 Corinthians 1 x 5 Santos

19/08/1961 Corinthians 1 x 0 Taubaté

27/08/1961 Comercial (RP) 3 x 2 Corinthians

10/09/1961 Noroeste 1 x 2 Corinthians

13/09/1961 Palmeiras 1 x 1 Corinthians

20/09/1961 Port. Santista 2 x 3 Corinthians

23/09/1961 Corinthians 3 x 1 Portuguesa

01/10/1961 Corinthians 2 x 1 Jabaquara

07/10/1961 Corinthians 1 x 0 Port. Santista

11/10/1961 Corinthians 6 x 0 Esportiva

15/10/1961 Taubaté 2 x 2 Corinthians

22/10/1961 Corinthians 1 x 0 Juventus

26/10/1961 Corinthians 1 x 1 Palmeiras

29/10/1961 Corinthians 1 x 2 Ferroviária

05/11/1961 XV de Piracicaba 2 x 2 Corinthians

08/11/1961 São Paulo 0 x 0 Corinthians

15/11/1961 Portuguesa 7 x 0 Corinthians

25/11/1961 Botafogo 2 x 2 Corinthians

03/12/1961 Santos 1 x 1 Corinthians

06/12/1961 Corinthians 2 x 1 Comercial (RP)

10/12/1961 Guarani 2 x 3 Corinthians

17/12/1961 Corinthians 4 x 0 Noroeste

*Sob supervisão de Gabriel Herbelha

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