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Forno micro-ondas causa câncer?

São recorrentes nas redes sociais afirmações que associam o uso do eletrodoméstico ao desenvolvimento de tumores

MonitoR7|Do R7

Não há nenhum indício de que micro-ondas cause câncer
Não há nenhum indício de que micro-ondas cause câncer Não há nenhum indício de que micro-ondas cause câncer

Não é verdade que o uso do micro-ondas cause câncer, como afirma um vídeo nas redes sociais. Segundo especialistas consultados pela Reuters Fact Check, a radiação que ele emite serve apenas para aquecer os alimentos. Os aparelhos vendidos no Brasil são certificados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), que exige sistemas de segurança.

“É o eletrodoméstico mais cancerígeno do planeta, porque ele movimenta as moléculas do alimento, tem uma radiação violenta. A energia do micro-ondas passa por uma estrutura chamada magnetron, que transforma energia elétrica em eletromagnética. É altamente cancerígeno”, diz um homem no vídeo checado.

Até o último dia 9, a publicação reunia mais de 1.300 curtidas e 853 compartilhamentos no Facebook.

Na realidade, as ondas eletromagnéticas emitidas pelo micro-ondas são tão pequenas — por isso o nome “micro-ondas” — que são incapazes de alterar a composição química dos alimentos. Esta energia também é chamada de não ionizante (https://eaulas.usp.br/portal/video?idItem=22134) e (https://bit.ly/45VYZiv).

“Diferente das radiações ionizantes como ultravioleta, raios-X e gama, as micro-ondas apenas provocam o aquecimento por meio da vibração das moléculas da água presente nos alimentos e não produzem nenhuma alteração capaz de gerar câncer”, explicou o físico Cláudio Hiroyuki Furukawa, do Laboratório de Demonstrações do Instituto de Física da USP (Universidade de São Paulo) (https://ibb.co/ftNrDWD).

Segundo Sharbel Weidner Maluf, pesquisador do departamento de genética da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), não há estudos que comprovem algum dano ao DNA humano provocado pela radiação emitida pelo micro-ondas.

“É um comprimento de onda que não penetra como a radiação ionizante. Tem estudos que tentam mostrar seus efeitos, mas só tentam, porque o efeito é muito menor que o da radiação ionizante”, disse.

O Inmetro exige um sistema capaz de evitar a vazão das ondas caso a porta do aparelho esteja aberta ou danificada (http://www.inmetro.gov.br/legislacao/rtac/pdf/RTAC001705.pdf).

Os fornos certificados pelo órgão são blindados com uma porta de vidro revestida com uma tela metálica que possibilita a passagem da luz visível, mas não deixa as ondas passarem.

A norma ABNT NBR NM IEC 60335-2-25, criada pelo Comitê Brasileiro de Eletricidade, estabelece que o micro-ondas não emita uma radiação superior a cinco milésimos de watt por centímetro quadrado a uma distância de cinco centímetros de sua superfície, valor considerado seguro para o uso doméstico (https://www.normas.com.br/visualizar/abnt-nbr-nm/24972/nbrnm-iec60335-2-25-seguranca-de-aparelhos-eletrodomesticos-e-similares-parte-2-25-requisitos-especificos-para-fornos-microondas).

“Se você expõe uma pessoa diretamente ao micro-ondas, você vai aquecer a pessoa e ela vai se queimar, da mesma forma que um frango é cozido lá dentro. Por isso, há certificados que garantem que essas ondas não vazem”, disse Bruno Carciofi, professor do Departamento de Engenharia de Alimentos da UFSC.

Magnetron

É verdade que as ondas do aparelho são produzidas em uma válvula chamada magnetron, mas ela nada mais é que um gerador (https://sites.ifi.unicamp.br/mbonanca/files/2019/11/tema11L.pdf).

“Não tem problema nenhum nisso. As ondas são geradas nela sempre de maneira controlada, com propriedade assegurada pelo fabricante”, disse Carciofi.

Segundo a portaria nº 268/2021, que atualizou o Regulamento Técnico da Qualidade para Fornos de Micro-Ondas, todos os aparelhos produzidos no Brasil devem ser submetidos à avaliação de conformidade (http://www.inmetro.gov.br/legislacao/rtac/pdf/RTAC002782.pdf).

Recipientes de plástico não devem ser aquecidos

A única ressalva dos pesquisadores é quanto ao uso de recipientes de plástico no micro-ondas. Alguns possuem solventes e moléculas cancerígenas que são liberadas quando aquecidas em qualquer local, não apenas no micro-ondas.

“Assim como não devemos colocar alimentos muito quentes em plásticos não apropriados, que podem liberar substâncias tóxicas quando aquecidos, no forno vale o mesmo princípio”, explica Furukawa.

Carciofi recomenda recipientes de vidro para uso no micro-ondas, ou ainda de cerâmica ou de plástico que tenha indicação para o aparelho (https://voca.ro/16s9Ic2E3crA).

“O plástico tem que ser livre de BPA [bisfenol A]. Esses plásticos de congelamento comum não podem entrar. O ideal é mesmo aquecer no vidro”, orienta Maluf.

Diacetil

O autor do vídeo falso ainda diz que o diacetil, substância utilizada para simular o sabor da manteiga na pipoca de micro-ondas, é cancerígeno. A Reuters Fact Check encontrou estudos que relacionam o alto consumo da substância ao desenvolvimento de doenças, mas não necessariamente o câncer.

De acordo com uma pesquisa publicada pelo Instituto de Química de São Carlos da USP em 2022, após o consumo do diacetil durante 90 dias, foram identificadas moléculas associadas ao Alzheimer no cérebro de ratos participantes do estudo.

Em entrevista ao jornal da instituição, o doutorando do instituto e autor da pesquisa Lucas Ximenes disse que “alterações proteicas verificadas no cérebro dos ratos também podem estar relacionadas ao surgimento de demência e câncer” (http://www.saocarlos.usp.br/estudo-da-usp-reforca-que-comer-muita-pipoca-de-micro-ondas-pode-causar-alzheimer/).

Em 2008, uma pesquisa norte-americana associou a inalação prolongada da substância ao desenvolvimento de uma inflamação linfocítica dos bronquíolos de ratos, algo que pode evoluir para uma bronquiolite destrutiva (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2669658/) e (https://asces-unita.edu.br/2008/03/17/pipoca-de-microondas-pode-causar-cancer-de-pulmao/).

Veredicto

Falso. Não é verdade que o uso do micro-ondas cause câncer. A radiação que ele emite serve apenas para aquecer os alimentos.

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