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Morte de Raisi cria bagunça na sucessão do Irã: o pior ainda está por vir?

O que antes parecia certo pode virar confusão na “espinha dorsal” do país persa.

Blog do Zamataro|Luiz Felipe ZamataroOpens in new window

Ebrahim Raisi (dir) morreu em acidente de helicóptero (Site oficial/Irã)

Antes mesmo do helicóptero ser encontrado e as mortes do comboio com o presidente Ebrahim Raisi serem confirmadas, o aiatolá Ali Khamenei escreveu na rede social: “A nação não precisa ficar preocupada ou ansiosa, pois a administração do país não será perturbada de forma alguma.”

Ele, provavelmente, já sabia das mortes nessa hora. E quis deixar claro que nada e nem ninguém afetaria o regime. Khamenei é o supremo líder do Irã. É ele quem manda no país. Em todas as esferas: social, econômica, política. Até mesmo nos costumes.

É preciso lembrar que o país persa é governado por leis islâmicas, segundo a visão dos Aiatolás. Existe até uma polícia dedicada a manter a “moral e bons costumes”.

Para se ter uma ideia, os candidatos à presidência do país precisam passar pelo crivo do Conselho Guardião (formado por oito pessoas) e, por fim, pela palavra final de Khamenei.

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Tudo controlado a mão de ferro. E a eleição de Ebrahim Risi, um juiz linha-dura, que condenou centenas de jovens a morte por irem contra o governo na década de 80, veio para consolidar o regime.

Considerado ultraconservador, Risi conseguiu manter o país longe da agitação. Controlou revoltas populares, manifestações e voltou a falar em projeto nuclear.

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Mas o grande feito dele é visto como a “menina dos olhos” do aiatolá: Manter firme as milícias espalhadas pelo Oriente Médio e aumentar os tentáculos do país. Irã financia ativamente hoje o Hamas (Palestina), Hezzbolah (Líbano) e os Houthis (Iêmen), além de pequenos grupos no Iraque e na Síria.

Ele, pessoalmente, comandou a vingança contra Israel após o consulado do país ser atacado na Síria. Ataque foi “pontual” e sem danos maiores. Foi chamado de herói.

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Os analistas internos já consideravam Ebrahim Risi como sucessor natural do aiatolá Khamenei, que hoje tem 85 anos.

A morte dele agora bagunça de vez a sucessão. Sem Rasi, o nome mais forte para assumir é o filho de Khamenei, Mojtaba. Só que há um problema nisso. Ele e o líder da revolução iraniana em 79, Khomeini, sempre criticaram o antigo regime, sob o comando do Xá (uma espécie de rei) que passava o trono de pai para filho. Como ele explicaria isso?

O medo real da sucessão é que venha alguém ainda mais radical. Khamenei é um líder que prega o ódio contra os inimigos, mas não é louco. Ele falava em “exterminar o estado de Israel”, mas nunca entrou em guerra direta. Chegou até a dar o sinal verde para o então presidente na época negociar um acordo nuclear com os EUA (o qual ele chama de Satã) e aliados, que foi desfeito quando Trump chegou à Casa Branca.

Agora todos esperam com receio essa dança das cadeiras em torno de Khamenei. A sucessão presidencial não chega a ser um grande problema. Em até 50 dias será realizada uma nova eleição. Um novo líder, mas quem de fato manda vai continuar. Não se sabe por quanto tempo. E nem há nada definido para o futuro. Será que o pior ainda esteja por vir?


Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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