Christina Lemos Estratégias opostas marcam lançamentos de presidenciáveis

Estratégias opostas marcam lançamentos de presidenciáveis

Bolsonaro tenta ampliar contato de massa, enquanto Lula privilegia alianças partidárias

A primeira dama, Michelle Bolsonaro, discursa em convenção do PL

A primeira dama, Michelle Bolsonaro, discursa em convenção do PL

Reprodução

Faltando 67 dias para o primeiro turno das eleições, são cinco as chapas para a disputa presidencial lançadas até agora. Os dois principais concorrentes ao Planalto utilizaram estratégias opostas no evento que marca a oficialização de suas candidaturas. Enquanto Bolsonaro cumpriu o planejamento de sua equipe e promoveu um evento nos moldes tradicionais, com amplo público e produção de imagens para a propaganda na TV, Lula, à frente nas pesquisas, não compareceu presencialmente ao lançamento de sua chapa com Geraldo Alckmin e opta por intensa articulação com partidos e grupos sociais. 

O presidente, que busca reduzir a diferença que o separa do adversário petista, retornou ao seu berço eleitoral para o ato simbólico da largada na disputa. A convenção do PL no Maracanãzinho foi marcada pelo esforço de produzir cenas fortes e de apelo emocional para uso na propaganda eleitoral pela TV — etapa crucial da campanha e que começa em 26 de agosto.

A estratégia da campanha de Bolsonaro inclui avançar significativamente no Sudeste, região que concentra quase a metade dos eleitores do país, 43%, e que foi decisiva para sua vitória em 2018. Estima-se que para se reeleger o presidente precise conquistar 10 milhões de votos nos estados da região, onde Lula até o momento tem a dianteira.

Entre os desafios de Bolsonaro, está ampliar a aceitação junto a dois nichos resistentes do eleitorado: as mulheres e os jovens — sua rejeição nestes grupos chega a 61% e a 60% respectivamente, de acordo com levantamentos recentes.

No campo adversário, a campanha petista se dedica à intensa articulação política nos moldes tradicionais, marcada pela busca de apoios regionais, entre núcleos sociais de alto poder de influência, como grupos empresariais de São Paulo. Caciques partidários de fora do arco de legendas da candidatura têm sido contactados por interlocutores petistas — caso do ex-presidente Michel Temer, do MDB.

Lula tem evitado se expor em excesso e moderado o tom de suas manifestações. O recente episódio que resultou na morte de um militante petista no Paraná acendeu as luzes de alerta junto à cúpula do partido e da campanha para o risco do acirramento da polarização eleitoral.

PT e aliados querem evitar episódios violentos e consideram desastroso qualquer caso de agressão que estimule a idéia de que os adversários e seus apoiadores são "equivalentes" em seus métodos. As aparições de Lula em público devem ser cuidadosamente planejadas nesta etapa e se intensificar no período oficial da campanha, para poupar o desgaste político esperado com a artilharia bolsonarista.

Além dos dois principais candidatos, já oficializaram suas chapas: Ciro Gomes (PDT), André Janones (Avante), ambos ainda sem vice, e Leonardo Péricles (UP), que tem como vice Samara Martins (UP).

Devem lançar chapas nos próximos dias: Simone Tebet (MDB), Luciano Bivar (União Brasil), Felipe D’Ávila (Novo), Pablo Marçal (PROS), José Maria Eymael (Democracia Cristã), Vera Lúcia (PSTU), Sofia Manzano (PCB). 

O prazo para registro de candidaturas junto ao TSE termina em 15 de agosto, e a campanha começa oficialmente no dia seguinte.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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