Christina Lemos “Lockdown” é palavra proibida no Ministério da Saúde

“Lockdown” é palavra proibida no Ministério da Saúde

Pazuello e Queiroga afinam discurso sobre isolamento, como medida gradual e localizada. Ambos são contrários à penalização criminal a quem promove festas e aglomerações clandestinas.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o escolhido para substituí-lo, o cardiologista Marcelo Queiroga, acertaram a posição pública sobre um dos pontos mais delicados da relação do Ministério com o Planalto: a adoção de medidas de isolamento social. “A gente não pode quebrar o país, a gente não pode quebrar a economia, não podemos ter um caos social e quebrar o fluxo de abastecimento, mas nós temos de fazer algumas restrições de movimentos”, diz Pazuello. “A regulagem entre o funcionamento do comércio, a manutenção dos empregos, e o distanciamento necessário das medidas restritivas é a grande mágica. É uma regulagem que o gestor tem de fazer”, declara.

Lockdown em Araraquara, interior de SP: medida combatida por Pazuello e Queiroga

Lockdown em Araraquara, interior de SP: medida combatida por Pazuello e Queiroga

Sérgio Pierri/Futura Press/Folhapress - 21.02.2021

O termo “lockdown” é combatido por ambos. O conceito define as ações de controle rígido de atividades e de circulação da população, inclusive com a utilização de força policial. “Nem existe este lockdown completo. Isso aí é estado de sítio, falar em lockdown! Tem de falar em medidas restritivas: leves, médias e graves”, reforça o ministro. Segundo Pazuello, o conjunto de medidas e suas gradações foi encaminhado pelo ministério a prefeitos ainda em abril do ano passado.

Marcelo Queiroga se opõe à adoção de punição, inclusive com penalidades criminais previstas na lei de proteção à saúde pública, às pessoas que promovem aglomerações, como festas clandestinas. Este tipo de evento tem sido combatido por prefeitos em todo o país e chegam a reunir centenas de pessoas. “Não é questão de punir, a gente não quer punir ninguém, é conscientizar!”, diz Queiroga. E compara: “como se faz numa copa do Mundo, torcendo pelo Brasil, a gente vai fazer essa grande cruzada com a nação brasileira para vencer o coronavírus”.

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