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Comportamento não convencional da primeira-dama escandaliza a presidência da República

Parece, mas não é: conheça a história Nair de Tefé, que abalou as convenções há mais de um século

Heródoto Barbeiro|Do R7 e Heródoto Barbeiro

Nair de Tefé, atriz, cartunista e ex-primeira dama do Brasil
Nair de Tefé, atriz, cartunista e ex-primeira dama do Brasil Nair de Tefé, atriz, cartunista e ex-primeira dama do Brasil (CARLOS CHICARINO/Estadão Conteúdo — 08.07.1970)

Ela escandaliza a presidência da República. Em uma sociedade conservadora, patriarcal, o que se espera da mulher do presidente da República, no mínimo, é recato. O comportamento não convencional da primeira-dama abre grandes espaços na mídia e nos comentários da capital do Brasil.

A primeira-dama não deve se expor, pois isso pode atingir a imagem do governo e, para isso, precisa se distanciar dos amigos, entre eles escritores famosos. No entanto, ela atua como atriz no teatro, coisa totalmente inédita e descabida para uma primeira-dama.

É verdade que ela não tem mandato, não foi eleita, logo não pode interferir nos projetos do governo que o marido dela dirige. Vez por outra, os jornalistas da capital publicam notícias que a decisão do governo sobre este ou aquele tema teve a intervenção dela.

O presidente nunca se importa com o que dizem os jornais e as fofoqueiras de plantão, muitas delas invejosas dos vestidos e sapatos da última moda usados pela primeira-dama. Dor de cotovelo, dizem os aliados do presidente.

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Não é fácil para a mulher brasileira viver sem o apoio econômico do marido. Essa dependência incomoda a primeira-dama que, apesar de colaborar com órgão de comunicação, não recebe um centavo. O destino das mulheres é se casar e não ficar para “tia”. Afinal, ela tem educação superior, convive com intelectuais e não deixa de dar declarações para os jornalistas. Enfim, tem vida própria sob os olhos complacentes do marido, bem mais velho que a primeira-dama.

A efervescência cultural vivida na capital da República mostra que os tempos mudaram e o comportamento da primeira-dama é um sintoma da ascensão das mulheres na sociedade brasileira.

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Sua liderança se espalha aos poucos do palácio presidencial às ruas e começa a servir de inspiração para que jovens mulheres da elite comecem a contestar os costumes fechados e obtusos da sociedade brasileira.

Mas ela sabe que isso não se faz impunemente. Mesmo o casamento com o velho presidente da República é rotulado pelos oposicionistas como um arranjo político, um autêntico golpe do baú.

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A primeira-dama do Brasil não esconde de ninguém que gosta de sambar. Não hesita em convidar grupos populares de música para se apresentarem na sede do governo. Um escárnio com a presidência, dizem os críticos de plantão.

A mulher do presidente Hermes da Fonseca, Nair de Tefé, tem origem nobre, mas prefere a cultura popular. Como tem formação artística, acha que as artes podem ser um canal para a ascensão na sociedade machista da Primeira República.

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Afinal, o marido dela derrotou Rui Barbosa na eleição em 1910 e isso abre para Nair uma ampla passagem para levar para o mundo da oligarquia política, que domina o Brasil, ideias e comportamentos não comuns na sociedade brasileira.

É filha da Belle Époque francesa, uma vez que estudou em Paris e lá aprendeu a desenhar e fazer caricaturas. No Brasil, seus desenhos, críticos, são disputados por jornais e revistas.

Não há dúvida de que tem consciência que a partir de sua posição social pode arejar o Rio de Janeiro, que ainda respira o ar que sobrou dos tempos do Império. Afinal, seu pai, Barão de Tefé, foi herói da guerra do Paraguai.

Nair, a primeira-dama se confunde com Rian, a caricaturista abusada e irrequieta que dá um sabor especial ao governo do velho marechal do exército brasileiro, representante das poderosas oligarquias rurais que comandam o Brasil.

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