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Disputa pela prefeitura de São Paulo caminha para um confronto ideológico

Parece, mas não é: O eleitorado é pego em um fogo cruzado de propostas para a cidade totalmente antagônicas

Heródoto Barbeiro|Do R7 e Heródoto Barbeiro

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São Paulo vai escolher o seu novo prefeito
São Paulo vai escolher o seu novo prefeito Reprodução/Instagram/@prefsp

A disputa da prefeitura de São Paulo caminha para um confronto ideológico. As campanhas, ao invés de focarem nos problemas da megacidade, elegem o confronto político entre conservadores e progressistas.

A população acompanha boquiaberta debates que falam em marxismo, exploração do homem pelo homem, reforma agrária na marra, ataques contra a religião, geração de mais-valia e outras coisas ininteligíveis. Parece um debate acadêmico em uma defesa de dissertação de mestrado e não uma campanha para ser prefeito da maior e mais poderosa cidade do Brasil.

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Ninguém ignora que a prefeitura paulistana é um forte trampolim para quem almeja conquistar o governo do estado e até mesmo a presidência da República. A história tem registro.

Buracos de rua ou teses acadêmicas? Se for seguir o que acontece nas maiores cidades brasileiras, os candidatos se esforçam para convencer o eleitorado de que vão ficar mais felizes com sua escolha.

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As promessas fazem parte de planos mirabolantes, engendrados nos escaninhos de agências de marketing político que garantem votos. Ninguém quer saber se o candidato tem ou não doutorado na Sorbonne, mas sim se o caminho de casa ao trabalho, ida e volta, não vai consumir três horas do seu descanso.

O eleitorado é pego em um fogo cruzado de propostas para a cidade totalmente antagônicas e muita gente não entende o que significam. Cabos eleitorais, pagos ou não, candidatos a vereador na rica Câmara Municipal se digladiam para surfar na onda de aprovação do candidato majoritário.

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“Santinhos” com as fotos dos candidatos entopem os bueiros da cidade e a paciência dos eleitores. Há uma polarização radical e as ofensas vão de comunista a fascista.

A chave de tudo é falar o que o povo quer ouvir. E ele sabe muito bem disso. Tem treinado ao longo de toda a sua carreira política e tem habilidade para se manter no noticiário. Falem mal, mas falem de mim, desafia o candidato da esquerda, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso.

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Sua vitória é fava contada na mídia e nas pesquisas eleitorais. O candidato da direita é o ex-presidente Jânio Quadros, sem nenhuma chance de voltar à prefeitura paulistana. Ele ressuscita a velha cantilena do “varre, varre vassourinha”, não comparece aos debates na televisão e é vaiado por estudantes na campanha nas universidades.

É uma batalha entre o simpático professor, respeitado internacionalmente pelo seu trabalho acadêmico, e o populista acusado de tentar um golpe de estado. Antes da eleição, FHC é dado como vencedor e convidado para tirar uma foto, sentado na cadeira de prefeito para a primeira página da Veja.

As últimas pesquisas são arrasadoras. São Paulo já tem um novo prefeito. Abertas as urnas, e as cédulas de papel, o vencedor é Jânio Quadros, que, ao tomar posse, antes de sentar na cadeira de prefeito, a desinfeta. O populismo vence mais uma vez.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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