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Trilha do Agro
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Brasil, enfim, terá indicador de preços de feijão este ano

Mercado de feijão ainda opera sem balizamento e desanima produtores

Trilha do Agro|Valter Puga JrOpens in new window

Indicador de preços de feijão é reivindicação antiga dos produtores Preço do feijão sobe mais de 60% e começa a pesar no bolso dos brasileiros (Reprodução/RECORD)

Os consumidores e os produtores rurais brasileiros terão em breve a possibilidade de acompanhar preços de mercado e a evolução da produção de feijão no país com a criação de um Indicador de Preços. Os dados serão apurados pelos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, da Universidade de São Paulo, que já produz estudos diários de diversos produtos do agronegócio brasileiro, como soja, milho, boi, café e arroz.

Um indicador de preços de feijão para balizar melhor o trabalho no campo é reivindicação antiga dos produtores. A falta de indicadores confiáveis de preços e de dados sobre o mercado de feijão, um dos produtos mais consumidos pelos brasileiros, tem – não raras vezes – provocado alterações bruscas de oferta e queda de preços, desestimulando o plantio.

“O estabelecimento desses indicadores é de fundamental importância para garantir maior previsibilidade e poder de negociação aos produtores de feijão”, disse Tirso Meireles, presidente da Faesp, a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo.

PROJETO DA CNA

A criação do indicador de preços para o feijão é um projeto do Cepea/USP e da CNA, a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária, com apoio de federações estaduais e sindicatos rurais. A proposta foi discutida no interior de São Paulo com produtores das regiões de Paranapanema, Itapeva e Itapetininga e assessores técnicos da FAESP, num encontro este mês com pesquisadores do Cepea durante o “São Paulo Cotton Day 2024″, na cidade de Itaí. E há programação para ouvir também produtores das regiões de Guaíra e Miguelópolis, no interior do estado.

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“Produtores e consultores com amplo conhecimento sobre o sistema de produção e também sobre a comercialização tornou o encontro bastante produtivo”, destacou Larissa Amaral, Assessora Técnica do Departamento Econômico da Faesp.

Os pesquisadores Cepea/USP estudam agora a dinâmica de produção e comercialização do feijão nos estados brasileiros para elaborar indicadores de preços regionais, que seriam divulgados já a partir do segundo semestre deste ano.

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NÃO FALTARÁ FEIJÃO

“A produção brasileira de feijão é suficiente para atender os consumidores este ano”, garante desde o início do mês Marcelo Luders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão, o IBRAFE.

Contra especulações no mercado com as inundações em áreas agrícolas no Rio Grande do Sul, Luders lembra que as estimativas apontam produção de cerca de 3,2 milhões de toneladas este ano, suficientes para atender o consumidor brasileiro. Ele ressalta ainda que os gaúchos participam com apenas 2,2% deste total e que a produção gaúcha de feijão estava praticamente colhida quando chegaram as chuvas.

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O Ibrafe constatou em abril e maio preços em queda no campo para o produto, com baixas de até 43% em relação ao ano passado. Luders acredita que, nas próximas semanas, os varejistas devem repassar aos consumidores as baixas de preços.

O Ibrafe, no entanto, tem manifestado ao Governo Federal uma preocupação com o excedente de produção de feijões em 2024. “Vamos precisar encontrar maneiras de escoar a safra de feijão-preto”, disse no início de maio. Ele teme que se o Brasil não exportar, os produtores de feijão desestimulados reduzirão o plantio no ano que vem. Se a oferta cai no ano que vem, o preço sobe.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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