Rio de Janeiro Morte no Chapadão: amigo de vidraceiro diz ter visto PMs em morro de onde tiros teriam partido

Morte no Chapadão: amigo de vidraceiro diz ter visto PMs em morro de onde tiros teriam partido

Maique estava mexendo no celular na calçada enquanto esperava o horário do trabalho

  • Rio de Janeiro | Do R7, com Cidade Alerta RJ

Maique foi baleado durante operação no Chapadão; após morte, moradores incendiaram ônibus na quarta-feira (14)

Maique foi baleado durante operação no Chapadão; após morte, moradores incendiaram ônibus na quarta-feira (14)

Reprodução Facebook/ Rede Record

Moradores que conheciam Maique Silva, morto na quarta-feira (14) no Complexo do Chapadão, zona norte do Rio, contam que o vidraçeiro foi atingido por dois tiros quando estava sentado mexendo no telefone celular, antes de ir para o trabalho, e que nunca teve envolvimento com o tráfico de drogas.

Um amigo, que tinha cumprimentado Maique pouco antes de ele ser baleado, voltou e tentou socorrê-lo quando ouviu um terceiro disparo, que atingiu uma árvore. A família de Maique Silva não sabe se irá conseguir autorização do IML (Instituo Médico Legal) nesta quinta para liberar o corpo e enterrá-lo.  

Em protesto, moradores do Chapadão fizeram uma manifestação pacífica na quarta. Segundo testemunhas, ele teria sido morto por policiais durante as buscas pelo corpo do policial Neandro Oliveira, que desapareceu na região.

Segundo o amigo da vítima, que preferiu não se identificar, os tiros foram feitos por agentes que estavam no alto de outra comunidade do Complexo do Chapadão. Armas de PMs envolvidos na ocorrência foram apreendidas pela polícia para perícia.

— Quando eu olhei em direção à comunidade do Bom Tempo, pude reparar que tinham policiais instalados em uma base ali. Vi uns três ou quatro.

Além do celular, Maique estava com uma mochila. Dentro dela, apenas materiais de trabalho. Dali, ele iria direto para a vidraçaria onde trabalhava. Aparecida Pereira, irmã da vítima, lamenta que ele tenha deixado uma filha criança.

— Ele era órfão de pai e mãe e morava comigo. Deixou uma filha de três anos.

Arrastão e ônibus queimados

Além da morte de Maique, protestos e arrastões assustaram moradores na região. Na comunidade do Gogó da Ema, manifestantes que seriam contra a operação policial que acontece desde terça-feira (14) colocaram fogo em três ônibus. Passageiros foram obrigados a descer. Segundo moradores, bandidos aproveitaram a confusão para fazer um arrastão e destruir pontos de ônibus.

Durante o arrastão, um posto de gasolina foi saqueado e destruído por um grupo de 20 pessoas. O gerente do posto, Afonso Dantas, conta que eles roubaram e depredaram o local.

— Eles chegaram correndo e levando tudo o que podiam, e também quebrando as coisas. Só deu tempo de correr e ir para loja de conveniência se esconder.

O policiamento na região está reforçado desde que o policial Neandro Oliveira desapareceu e a polícia já tem alguns nomes de traficantes que estariam envolvidos 

Desaparecimento de PM

O policial Neandro Santos de Oliveira teria sido vítima de uma falsa blitz no Chapadão, na rua Alcobaça, perto da via Light. O carro do agente foi encontrado na entrada da comunidade Final Feliz. Dentro do veículo, havia sangue e a identidade do policial. O carro tem muitas marcas de tiros e a parte da frente está amassada, o que indica que ele se chocou contra algo. Os dois air-bags do veículo foram acionados.

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Neandro, que atua no 31º Batalhão da Polícia Militar, é casado e a mulher dele está grávida à espera do primeiro filho do casal.

Segundo o delegado Rivaldo Barbosa, três corpos, ainda não identificados, foram encontrados na terça-feira (13) no alto do Chapadão. Eles foram levados para o IML (Instituto Médico Legal), onde serão submetidos à análise para verificar se um deles é do policial. O IML concluiu, nesta quarta (14) que pelo menos um, dos três corpos, não é de Neandro. 

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