Rio de Janeiro Zona oeste do Rio tem alta na violência armada em março

Zona oeste do Rio tem alta na violência armada em março

Instituto aponta que 33% dos tiroteios ocorreram na região

  • Rio de Janeiro | Da Agência Brasil

Zona oeste do Rio tem alta na violência armada em março

Zona oeste do Rio tem alta na violência armada em março

Arquivo/Agência Brasil

A violência armada na zona oeste do Rio de Janeiro teve alta no mês de março. Ao todo, 128 tiroteios ocorreram na região, segundo Relatório Mensal do Instituto Fogo Cruzado. Os tiroteios deixaram 64 pessoas baleadas, das quais 37 morreram e 27 ficaram feridas.

O número de casos mapeados na zona oeste em março de 2023 é maior do que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando 49 tiroteios ocorreram, deixando 11 mortos e 12 feridos.

A zona oeste ficou no topo dos índices de tiroteios entre as regiões que fazem parte do Grande Rio. A zona norte, que liderava a lista por conta do cenário de disputas entre grupos armados e elevado número de ações e operações policiais, teve em março 125 tiroteios, seguido da Baixada Fluminense (59), leste metropolitano (47), centro (12), e zona sul (oito).

Segundo o Instituto Fogo Cruzado, chama atenção ainda a Rua Araticum, no bairro do Anil, zona oeste. A rua, sozinha, concentrou mais baleados em março do que toda a zona zul e o centro do Rio somados. Ao todo, 13 pessoas foram baleadas nesta rua. A zona sul e o centro concentraram três e seis pessoas baleadas, respectivamente.

De acordo com o coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro, Carlos Nhanga, a zona oeste é historicamente marcada pelo controle de grupos milicianos sobre os bairros da região.

“O Mapa dos Grupos Armados, lançado pelo Fogo Cruzado em parceria com o laboratório Geni, em 2022, mostrou que foi ali onde a milícia mais ampliou seu domínio ao longo da última década. Hoje, as facções entraram na disputa acirrando os conflitos armados e deixando a população no meio de intensos tiroteios. Os dados que registramos hoje estão ligados a esse histórico. A zona oeste teve oito vezes mais tiroteios que a zona sul e isso escancara a indiferença do estado em garantir a segurança da população nas regiões mais afastadas do centro”, avaliou, em nota, Carlos Nhanga.

“É preciso investir em segurança pública de forma igualitária em todas as regiões do Grande Rio, e esse levantamento é o ponto de partida para que políticas públicas mais eficazes sejam pensadas para preservar a vida da população", acrescentou o coordenador.

Ao longo de março, 383 tiroteios ocorreram na região metropolitana do Rio, segundo o Relatório Mensal do Instituto Fogo Cruzado. O dado indica aumento de 7% em comparação com o mesmo período de 2022, que concentrou 357 tiroteios.

Entre os 383 tiroteios registrados no mês, 146 deles (38%) ocorreram durante ações ou operações policiais. Em 2022, neste mesmo período, dos 357 tiroteios mapeados, 120 deles (34%) se deram em ações ou operações policiais.

Março concentrou 214 pessoas baleadas na região metropolitana do Rio, onde 120 morreram e 94 ficaram feridas. Em igual período de 2022, foram 209 baleados, sendo 102 mortos e 107 feridos. Neste ano, março teve aumento de 18% nos óbitos e queda de 12% nos feridos.

Entre os 214 baleados, 136 deles (63,5%) foram atingidos durante ações ou operações policiais: 70 deles morreram e 66 ficaram feridos. Em março de 2022, dos 209 baleados, 129 deles (62%) foram atingidos durante ações ou operações policiais: 56 mortos e 73 feridos.

Comparado ao mês de fevereiro, que registrou 242 tiroteios, 93 mortos e 116 feridos, março teve aumento de 58% nos tiroteios e de 29% nos mortos e queda de 19% nos feridos.

Perfil da violência armada


Em março, 17 agentes de segurança foram baleados na região metropolitana do Rio: cinco deles morreram e 12 ficaram feridos. Em 2022, no mesmo período, 12 agentes de segurança foram baleados: cinco morreram e sete ficaram feridos.

Ao todo, 18 pessoas foram vítimas de balas perdidas no mês de março: cinco morreram e 13 ficaram feridas. Entre as 18 vítimas, 13 foram atingidas durante ações ou operações: quatro morreram e nove ficaram feridas. Em março de 2022, dez pessoas foram vítimas de balas perdidas (três mortas e duas feridas), sete delas foram atingidas em ações e operações policiais (três mortas e quatro feridas).

Houve nove chacinas no Grande Rio que resultaram na morte de 36 civis. Oito casos ocorreram durante ações ou operações policiais, resultando em 33 mortos. Em março de 2022, houve cinco chacinas com 20 mortos no total. Quatro das chacinas foram em ações ou operações, resultando em 15 mortos.

Três crianças foram baleadas no Grande Rio: todas sobreviveram. Em março de 2022, não houve crianças baleadas.

Quatro adolescentes foram baleados no Grande Rio: três morreram e um ficou ferido. Em março de 2022, cinco adolescentes foram baleados, sendo que um morreu e quatro ficaram feridos.

Cinco idosos foram baleados no Grande Rio: dois morreram e três ficaram feridos. Em março de 2022, três idosos foram baleados: dois morreram e um ficou ferido.

Acumulado do ano


Entre janeiro e março, houve 920 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado, sendo que 358 destes registros ocorreram durante ações policiais. Ao todo, 588 pessoas foram baleadas no período, das quais 294 foram mortas e 294 ficaram feridas. O mesmo período de 2022 teve 867 tiroteios, sendo 281 em ações policiais, e 494 pessoas baleadas, sendo 262 mortos e 232 feridos. Neste ano, houve aumento de 6% nos tiroteios em geral, de 27% na parcela dos tiroteios durante operações policiais, de 12% nos mortos e 27% no número de feridos.

Polícia Militar


A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que a corporação não comenta dados provenientes de entidades não oficiais.

“Cabe ressaltar que o órgão responsável por compilar os índices oficiais no Rio de Janeiro é o ISP (Instituto de Segurança Pública)”, diz a nota.

A corporação destacou que as ações de enfrentamento ao crime organizado são planejadas com base em informações de inteligência, “sendo pautadas por critérios técnicos e pelo previsto na legislação vigente, tendo como preocupação central a preservação de vidas, sendo executadas de forma integrada com outros órgãos de segurança”.

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