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São Paulo Ato contra Copa em SP tem mais de cem detidos após violência e vandalismo

Ato contra Copa em SP tem mais de cem detidos após violência e vandalismo

Black blocs teriam iniciado confronto com Polícia Militar no centro de São Paulo

  • São Paulo | Thiago de Araújo, do R7

Um total de 148 pessoas foi detido na noite deste sábado (25) pela Polícia Militar, após as cenas de violência e vandalismo durante a manifestação contra a Copa do Mundo no Brasil. A maioria estaria envolvida com agressões a policiais e com o rastro do quebra-quebra ocorrido em várias ruas do centro de São Paulo.

De acordo com informações da PM, os 148 foram conduzidos para duas delegacias, 78º Distrito Policial, nos Jardins, e 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, onde foram ouvidos e posteriormente liberados. A polícia informou ainda que três agências bancárias e uma viatura da GCM (Guarda Civil Metropolitana) foram depredadas. Um Fusca foi incendiado.

Após as prisões, a operação continuou na noite deste sábado, quando não havia registro de confrontos na cidade. Policiais militares seguem de prontidão na região central da capital, a fim de evitar novos tumultos.

Primeiro confronto

Com os black blocs na linha de frente, o protesto que começou pacífico, por volta das 17h no vão livre do Masp, na avenida Paulista, descambou para o confronto violento perto das 20h, quando o ato se encontrava nos arredores do Teatro Municipal. Naquele momento, havia pouco mais do que o dobro dos 700 manifestantes iniciais, de acordo com número repassado pela PM – embora coletivos tenham estimado entre 2.000 e 3.000 pessoas presentes.

O primeiro embate começou na rua Barão de Itapetininga. A reportagem do R7 acompanhou o momento em que black blocs começaram a atirar objetos, pedras e paus contra agentes da Polícia Militar. Em um primeiro momento, os policiais apenas se defenderam, para depois reagir.

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Houve um princípio de tumulto e agências bancárias foram depredadas. Policiais motorizados da Rocam (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas) logo foram acionados para dispersar os manifestantes, que correram em várias direções, principalmente para a avenida Ipiranga, na área da Praça da República, e para os arredores do Vale do Anhangabaú.

Em razão de eventos da Prefeitura de São Paulo na região central, muitas pessoas que estavam de passagem na área também acabaram tendo de correr. Nesse momento, pelo menos uma bomba de efeito moral foi lançada pela PM para dispersar os manifestantes. A PM informou que dois coquetéis molotov foram atirados por manifestantes contra policiais durante a confusão.

Um grupo de manifestantes que seguiu na direção da rua da Consolação colocou fogo em um Fusca, próximo da Praça Roosevelt, o que fez a via no sentido avenida Paulista ser fechada. Por volta das 20h20, os bombeiros apagaram o fogo. Algumas testemunhas disseram ao R7 que foram os black blocs que incendiaram o veículo. Centenas de curiosos se aglomeram perto de onde o carro foi incendiado.

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Outros black blocs tentaram virar uma viatura da Guarda Municipal. A Tropa de Choque, que estava de prontidão, foi acionada. Bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral foram utilizadas. Na rua Augusta, muitos manifestantes foram enquadrados pelos policiais militares e agentes do Choque, em formação, realizaram outra ação de dispersão dos que ainda permaneciam na área.

Um grupo procurou refúgio dentro de um hotel da Augusta, que também foi alvo de vandalismo. A polícia entrou no estabelecimento e lá efetuou várias prisões.

Ato começou na avenida Paulista

O protesto começou por volta das 17h no vão livre do Masp, na avenida Paulista, ponto de encontro para o ato que reuniu 700 pessoas, de acordo com a PM. Antes da caminhada, os manifestantes começaram o ato com a leitura de um manifesto contra o Mundial de futebol, que acontece em julho em 12 cidades brasileiras.

Segundo o estudante Felipe Aguiar, de 21 anos, integrante do coletivo Construção, o evento da Fifa atende apenas ao interesse de “empresários em crise”.

— Estamos aqui para criticar o investimento na Copa porque empresários que estão em crise vão usar dinheiro público para sair dessa crise. Queremos que o dinheiro público seja gasto com saúde, educação, moradia e transporte público.

A PM deslocou um efetivo de 2.000 homens para acompanhar a manifestação, que seguiu pacífica no trajeto entre a Paulista, passando pela avenida Brigadeiro Luis Antonio, e chegando nos arredores da Prefeitura de São Paulo. O grupo seguiu entoando palavras de ordem contra a Copa, mas também contra o governador Geraldo Alckmin e a Polícia Militar.

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