São Paulo Grupo decide acampar em frente à sede do Governo após protesto que reuniu 65 mil pessoas em SP

Grupo decide acampar em frente à sede do Governo após protesto que reuniu 65 mil pessoas em SP

PM chegou a jogar bombas de gás em manifestantes que tentaram derrubar portão do palácio

Grupo decide acampar em frente à sede do governo em São Paulo

Após o quinto protesto contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo, na noite desta segunda-feira (17), que reuniu ao menos 65 mil pessoas, de acordo com números do Datafolha, um grupo de aproximadamente cem manifestantes decidiu permanecer em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. Com a chegada deles ao local, após uma divisão na região da avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, houve confusão com a polícia, quando um algumas pessoas tentaram derrubar o portão 2 do palácio. De acordo com cálculos do MPL (Movimento Passe Livre), a manifestação reuniu cerca de 100 mil pessoas.

Com a promessa de amanhecer em frente ao portão, Gustavo Brandão Soares da Silva tentou justificar o muro do palácio totalmente pichado.

— Eu acredito que a credibilidade [da manifestação] fica um pouco arranhada com pichações e algumas depredações, mas temos que lembrar que fomos mais de 100 mil pessoas hoje. Se em 100 mil pessoas, a gente teve pequenas ocorrências, que sejam algumas depredações... Não tem como fazer um omelete sem quebrar os ovos.

Cartazes e faixas chamam atenção em protesto de São Paulo

Quando ele conversou com a reportagem do R7, havia apenas uma fogueira na altura da avenida Morumbi, 4.500, na zona oeste de São Paulo. Os dois ônibus biarticulados que haviam sido atravessados na via começavam a ser retirados. Para Gustavo, o clima era de tranquilidade.

— Eu acredito que as pessoas que estejam aqui agora são as pessoas que, de fato, estão lutando pelo objetivo final, que é a tarifa zero. [...] Por pessoas como nós, que estamos aqui protestando pacificamente, isso retorna à força do movimento. O que essas pichações tiram, a gente deitado aqui nessa rua, acaba voltando à força para o movimento.

Protestos em capitais do País mostram descontentamento da população

Para o bancário Danilo Reis, o mais importante de passar a noite em frente à sede do governo era a esperança de uma mudança em todo o País, com aquilo que a população não concorda, como corrupção, por exemplo.

— A gente tem que, se alguma forma, mostrar que dessa vez não vai ficar assim. Eles [governantes] estão acostumados a sempre fazer coisas e o povo não se mobilizar. Eu não acreditava que fosse acontecer e agora que está acontecendo, a gente está aqui para presenciar isso, que vai ser um momento histórico na história desse País.

Novo protesto nesta terça, agora na Praça da Sé, já tem quase 100 mil confirmados em São Paulo

Posicionamento do governo
Alguns manifestantes que estavam sentados em frente ao portão permaneciam apreensivos, aguardando algum posicionamento do governo em relação ao que estava acontecendo, mas não era o caso de Wallace Willians.

— Acho que ele [Geraldo Alckmin] não está preocupado. Deve estar bem, em casa, com sua família. Se tivesse preocupado, ele teria aparecido aqui, falado com o povo. Se ele estivesse preocupado não seria a quinta manifestação.

De forma diferente pensava Thalita Barauna, que ainda via força no pequeno grupo que permanecia na avenida Morumbi.

— Com a força que está sendo feita, eu acho que se eles não se manifestarem, de alguma forma, vai virar caos. Então, eles vão acabar se manifestando de alguma forma.

O protesto
O clima pacífico foi tônica durante praticamente todo trajeto do grupo de manifestantes que escolheu avançar pela avenida Faria Lima, no fim da tarde desta segunda-feira. A frente, dirigida pelo MPL (Movimento Passe Livre) optou em não seguir para a avenida Paulista, para onde um outro grupo já iria, preferindo rumar para a zona sul da capital paulista.

Depois de dobrar na avenida Juscelino Kubitchek, o grupo seguiu pela Engenheiro Luís Carlos Berrini. Na altura da ponte Octávio Frias de Oliveira (Estaiada), o movimento encontrou uma outra frente que havia descido pela marginal Pinheiros e atravessado a região do Jockey Club. Os dois grupos se uniram e seguiram em direção ao Morumbi, primeiramente tomando parte da pista local da marginal, depois pegando a avenida Morumbi.

Conforme combinado entre Matheus Preis, um dos líderes do MPL, e o major Paulo Wilhelm de Carvalho, comandante da operação, o grupo seguiria até o cruzamento com a avenida Francisco Morato, onde haveria a dispersão do grupo, uma vez que lá existe um corredor de ônibus, elemento que facilitaria o retorno das pessoas para suas casas.

Entretanto, ao chegar ao portão 2 do Palácio dos Bandeirantes, o grupo parou e as lideranças do movimento perderam o controle sobre a multidão, formada por diversos exaltados que não queriam seguir o que fora acordado com a PM. Os agentes se retiraram e a polícia se posicionou na entrada, pelo lado de dentro, enquanto uma parte dos manifestantes pregava a invasão e realizava atos de vandalismo, como pichações.

A tensão aumentou em alguns momentos ao longo da noite. A tentativa de invasão foi repelida pela PM com bombas de gás lacrimogêneo, tanto no portão 2 quanto em um mais adiante. Boa parte da multidão se dispersou até o fim da noite de segunda-feira, mas um grupo promete seguir no local até ser atendido pelo governador do Estado, Geraldo Alckmin.