Municípios de SP planejam cinturão protetor no entorno da Serra do Japi

Uma das últimas grandes áreas de floresta contínua em São Paulo, a Serra do Japi está em vias de se tornar modelo em gestão sustentável do patrimônio

Matas da Serra do Japi vão ganhar cinturão de proteção

Matas da Serra do Japi vão ganhar cinturão de proteção

Divulgação Fundação Serra do Japi

Uma das últimas grandes áreas de floresta contínua nos limites entre a região metropolitana da capital e o interior de São Paulo, a Serra do Japi está em vias de se tornar modelo em gestão sustentável do patrimônio natural. Os municípios de Jundiaí, Cabreúva, Pirapora do Bom Jesus e Cajamar, que detêm a reserva florestal tombada pelo patrimônio natural paulista, assumiram o compromisso de criar um cinturão protetor em torno da mata.

As prefeituras aderiram à proposta apresentada em dezembro de 2004 pelo então prefeito de Jundiaí, Miguel Haddad, após promulgar lei estabelecendo a chamada zona de amortecimento no âmbito do município. Os outros municípios acabaram aderindo à ideia e já adotam medidas para uniformizar a legislação ambiental e garantir a preservação de toda a serra.

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Desde que a lei entrou em vigor, em Jundiaí, os usos da faixa de proteção foram controlados, com vigilância 24 horas, e várias iniciativas de recuperação florestal resultaram na retomada pela vegetação de áreas degradadas. Também foram criadas trilhas para ecoturismo e contemplação da natureza. Jundiaí detém 47,6% do território da Japi, enquanto Cabreúva tem 41,1%, Pirapora do Bom Jesus 10,9% e Cajamar 0,4%.

Com a adesão dos outros municípios, a proteção será estendida a todo o entorno da reserva. "Até o momento, os prefeitos se comprometeram a enviar às Câmaras municipais uma legislação semelhante à de Jundiaí. Isso permitirá ampliar a ação conjunta para a proteção da Serra do Japi, que é o nosso maior patrimônio natural", disse Haddad.

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A Serra do Japi tem 354 km2 de área e se caracteriza por ser o ponto de transição entre a floresta atlântica da Serra do Mar e a mata atlântica do interior. Além do tombamento pelo Condephaat em 1992, a serra foi considerada patrimônio da humanidade e reserva da bioesfera pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A área protegida vem sendo ameaçada pela intensa expansão urbana dos municípios vizinhos, pressão imobiliária, desmatamentos, incêndios e loteamentos irregulares. A serra foi batizada de "castelo das águas" pelo professor e geógrafo Aziz ab'Saber por seu importante papel na formação de nascentes.

A reserva é considerada um dos mais relevantes santuários ecológicos do Estado por sua localização entre duas regiões metropolitanas - São Paulo e Campinas. A mata se transformou em refúgio de fauna rica, com animais como onça-parda, jaguatirica, gato-mourisco e cachorro-do-mato, e aves raras como jacuaçu, jacupemba e araponga.