Polícia liberta cabeleireiro que seria morto por tribunal do crime em SP

Segundo a Polícia Civil, suspeitos agiam sob ordem de traficante conhecido como Jagunço, preso por planejar morte de delegado-geral

Polícia liberta vítima de tribunal do crime

Polícia liberta vítima de tribunal do crime

Reprodução/Record TV

Um cabeleireiro que estava sob posse de supostos integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) foi libertado pela Polícia Civil nesta quinta-feira (16), na favela do Nhocuné, zona leste de São Paulo. Conforme as investigações, o homem seria assassinado por ter assediado a mulher de um traficante da região.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, as ordens para execução do crime partia de dentro do presídio, e o responsável por determinar a pena era um homem conhecido como Jagunço, preso em abril deste ano por homicídios e suspeito de planejar a morte do delegado-geral, Rui Ferraz Fontes.

A polícia foi até a comunidade na periferia da zona leste paulistana após receber denúncias sobre a ocorrência. Depois de cerca de duas horas fazendo buscas na comunidade, os policiais cercaram a casa usada como cativeiro.

No local, que segundo a polícia estava com mau cheiro e em situação insalubre, estava a vítima encapuzada no canto de um quarto, e um suspeito mantendo o cabeleireiro sob cárcere. No primeiro momento, os policiais não conseguiram identificar quem seria a vítima, mas após abordagem realizou a prisão e libertou o cabeleireiro.

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O suspeito detido não apresentou resistência durante a prisão. As investigações apontam que o cabeleireiro seria morto ainda nesta quinta-feira, após passar pelo julgamento ilegal de criminosos.

O delegado Carlos Alberto da Cunha, titular da 8ª Seccional da Polícia Civil de São Paulo, lamenta que esse tipo de ocorrência, cometida por facção criminosa nos conhecidos tribunais do crime, tenha certo tipo de apoio da sociedade. "A parte que eu fico mais chateado são as pessoas da sociedade que acham que por ser um possível pedófilo podem ser julgados" por outros criminosos.

"Nós não temos pena de morte no Brasil. O crime organizado não é o Estado e não tem direito de julgamento", afirma Cunha. "Quem acha que o tribunal do crime é bonzinho entenda o seguinte: ao invés dele ir pra cadeia, ele é sequestrado, ninguém fala para onde vai, muitas vezes a família nunca mais vê a pessoa", explica.

Megaoperação

A soltura do refém faz parte de uma megaoperação deflagrada nesta quinta pela Polícia Civil de São Paulo, que prendeu sete suspeitos e mobilizou todas as equipes de investigação do departamento de homicídios.

Policiais fizeram buscas na comunidade da funerária, na zona norte de São Paulo. Os agentes procuravam suspeitos de atuar nos chamados tribunais do crime. "Indivíduos se autointitulando "juízes do crime", julgando desafetos ou pessoas por eles julgadas como criminosas, como autorass de delitos ou como também que contrariassem as determinações deste tribunal e daquela comunidade", detalhou o delegado Marcelo Jacobucci.

A investigação começou depois que cinco assassinatos ocorreram na comunidade, em fevereiro e abril. Apenas uma das vítimas tinha ligação com o crime organizado. As outras quatro foram executadas porque eram suspeitas de ter cometido violência sexual na comunidade. "Essas execuções se deram em praça pública. Foram levadas para vielas da comunidade e executadas na frente da população", detalhou o delegado Nilton Montoro.