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Atletas de fim de semana podem ter mais riscos do que benefícios para o coração

Médico adverte que atividade física intensa somente no sábado e domingo sobrecarrega o órgão, algo que não é recomendado

Saúde|Yasmim Santos*, do R7

Fazer atividade física sem preparo pode ser prejudicial ao coração
Fazer atividade física sem preparo pode ser prejudicial ao coração Fazer atividade física sem preparo pode ser prejudicial ao coração

Se você é do tipo de pessoa que deixa de fazer exercícios durante a semana e espera para "compensar" o esforço no sábado ou domingo, deveria repensar essa escolha. Submeter o coração a um esforço intenso e repentino pode desencadear alguns malefícios.

O cardiologista Fernando Costa, da BP — Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que qualquer órgão do corpo precisa de um treino para passar por uma atividade intensa — e com o coração não é diferente.

"O esforço físico de alguns se torna bastante intenso para aquilo que ele tem de preparo, e aí podem acontecer problemas sérios", alerta Costa.

Em atividades que exigem um esforço maior, como a prática de esportes e a corrida, a adaptação deve ser constante.

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"Os atletas de fim de semana, às vezes, estão complicando mais o coração do que fazendo bem a ele", avisa o especialista.

De forma exemplificada, quando um atleta se contunde, ele não volta a fazer a atividade física no nível em que estava antes da lesão. O mesmo ocorre com alguém que não pratica atividade física: ele não pode começar em um nível intenso, é uma construção.

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"O que acontece é que as pessoas que não praticam esporte não têm atividade física adequada e, portanto, não treinam o coração. Chega o fim de semana, resolvem fazer uma atividade física intensa", diz Costa.

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Os resultados dessa escolha são, por exemplo, elevações significativas da pressão arterial, arritmia e até parada cardíaca ou AVC (acidente vascular cerebral).

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A situação piora quando essa atividade também é feita sem hidratação correta ou sem alongamento, por exemplo.

"Esse pessoal está praticando uma atividade física sem uma hidratação adequada, sem uma alimentação prévia adequada, e muitos, nos intervalos, tomando bebida alcoólica. Isso torna a atividade muito mais intensa para o coração, ela se torna deletéria", explica o cardiologista.

E acrescenta: "Você acha que aquele jogador, antes de entrar em campo, está fazendo alongamento, relaxamento? A pessoa entra direto, não faz nada, e o que acaba acontecendo? Lesões musculares, estiramentos, contusões, ruptura de tendão, e é por isso que acaba sendo muito ruim uma atividade física sem uma orientação adequada."

Em entrevista ao R7 em 2021, o ortopedista Dennis Barbosa, do IOT-HCFMUSP (Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), advertiu que a falta de preparo físico é a principal causa de qualquer tipo de lesão.

"Não é vetar ninguém de fazer [o esporte], mas o ideal é você se preparar um pouquinho fisicamente, ir à academia, voltar a ter um condicionamento respiratório bom também. Isso é importante porque senão a musculatura fica fadigada muito rapidamente", orienta Barbosa.

A indicação também é manter um esforço físico regular de 150 minutos, em média, divididos entre os dias da semana, para deixar o coração adaptado. As pessoas devem ter em mente que a atividade física de fim de semana não deve ser competitiva, mas sim recreativa.

Além disso, cada pessoa deve avaliar a atividade conforme a sua realidade, pois existem profissões que condicionam o corpo para um esforço mais intenso, outras não.

"Um exemplo: eu tenho duas mulheres, uma trabalha em um ofício que ela não tem atividade física e a outra é uma dona de casa — passa, leva lixo, cuida de criança — e as duas vão fazer atividade física no fim de semana. Qual das duas se dá melhor? Aquela que faz exercício. Quem faz exercício? Quem faz o trabalho doméstico", relata Costa.

Isso ocorre porque a atividade física doméstica é considerada moderada e, às vezes, intensa, então o indivíduo se prepara, de forma indireta, durante a semana.

Vale ressaltar que, independentemente da profissão ou do condicionamento, a prática de atividade física não é desestimulada. Porém, ela não deve ser competitiva, tem de ser acompanhada de uma hidratação e dieta adequada e de alongamentos e relaxamentos — antes e depois da prática.

"É sempre bom fazer uma coisa crescente, você adquirir o funcionamento físico adequado para você buscar uma performance melhor, se não pode buscar é complicação para a sua saúde", diz o cardiologista.

Recomendações

Segundo Costa, o check-up geral ou avaliação cardiológica é sempre fundamental para saber se o indivíduo não tem nenhuma anormalidade cardíaca. A prevenção é a melhor forma de não passar por intercorrências durante a atividade física.

"A grande maioria dos indivíduos que têm complicações nos esforços ou nas atividades de fim de semana tem uma doença de base, diagnosticada ou não diagnosticada", conta o cardiologista.

Especialmente as pessoas com uma doença cardiovascular, que têm indicação para fazer atividade física, devem estar atentas a uma prática correta, neste caso, do tipo isotônica — caminhada em local plano ou musculação leve, por exemplo.

Ficar dolorido, mancar ou ter mal-estar após o esforço físico também é um sinal que deve ser levado em consideração, já que revela que o corpo não está preparado para aquela intensidade.

As doenças cardiovasculares, principalmente o infarto e o AVC, já foram responsáveis pela morte de mais de 300 mil pessoas no Brasil apenas em 2022. O número equivale a 46 óbitos por hora, segundo a SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia).

Sendo assim, todo cuidado é pouco quando o assunto é a saúde do coração. "A doença cardiovascular vai aumentar em número, gênero e grau", alerta Costa.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Fernando Mellis

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