Saúde 'Depressão pós-infarto' pode durar até 30 dias após o episódio

'Depressão pós-infarto' pode durar até 30 dias após o episódio

Medo da morte pode desencadear tristeza e emergir depressão já instalada; cardiologista diz que processo ajuda paciente a se reerguer e cuidar da saúde

'Depressão pós-infarto' pode durar até 30 dias após episódio

Infarto faz pessoa acreditar que está morrendo, o que leva à tristeza

Infarto faz pessoa acreditar que está morrendo, o que leva à tristeza

Pixabay

Passar por um infarto pode desencadear inúmeros sentimentos, como ansiedade, medo se a cirurgia cardíaca dará certo, angústia, sentimentos de depressão, culpa pelo estilo de vida que levava antes do acontecimento e medo da morte. "É comum que essas pessoas se sintam deprimidas ao longo de 30 dias após o infarto. Mas, se o sentimento durar mais tempo do que isso, pode ser uma depressão, provavelmente com um quadro instalado antes do episódio e com piora após infartar", explica a psicóloga Marilene Kehdi.

Marilene afirma que tais sentimentos podem ser desencadeados pela crença de que a pessoa está no final da vida e, por conta desse estresse, a internação e a recuperação desse paciente podem ser mais extensas.

Leia também: Jantar tarde e pular café eleva risco de morte em vítimas de infarto

"O processo de reestruturação de uma nova realidade, física, emocional e psíquica ocorre após o infarto. Existem pessoas que lidam muito bem com isso, e até se tornam mais saudáveis, mas têm outras que sofrem um abalo emocional mais importante. A estrutura familiar é importante neste momento", afirma o cardiologista Rodrigo Esper, do SBHCI (Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista). 

Esper afirma que o quadro depressivo associado ao infarto agrava os riscos de um paciente cardíaco. "É importante diferenciar a depressão da tristeza após esse episódio e, se realmente houver uma depressão, ela deve ser tratada e acompanhada por profissionais, assim como a medicação apropriada, que deve receitada por um médico", afirma.

Saiba mais: ‘Morri por 5 minutos’: os jovens que sofrem infartos fulminantes aos 20 e poucos anos

O cardiologista ressalta que é importante não se automedicar, especialmente com remédios controlados como antidepressivos, que devem ser receitados com cautela. "Esse tipo de medicação pode alterar o ritmo do coração. Todo paciente cardíaco deve fazer um eletrocardiograma antes de tomar esses remédios, para que seja receitado adequadamente, além de fazer um acompanhamento multidisciplinar", explica.

Esper afirma que a tristeza pode ser considerada um processo saudável para que o paciente reconheça a doença, possa se reerguer e tratar melhor a sua saúde.

Veja também: Estudo indica caminho para tratamento de arritmia

"O acompanhamento psicológico, seja na depressão ou na tristeza, é importante para que a pessoa consiga mudar seu estilo de vida e processar todas as questões emocionais, todos os medos, para que isso não tome conta do paciente", afirma a psicóloga.

O cardiologista afirma que, para evitar tanto a tristeza quanto a depressão, é importante que o paciente tire todas as suas dúvidas sobre o quadro do infarto, esclarecendo mudanças de estilo de vida, uso de medicamentos e alimentação.

Saiba mais: Correr maratona rejuvenesce artérias em 4 anos, diz estudo

A psicóloga recomenda que, para evitar esses sentimentos de tristeza, é necessário que o paciente tenha um maior controle interno e de suas emoções, buscando sempre um especialista. "A saúde emocional tem influência direta para desencadear muitas doenças e, por isso é importante preservá-la", finaliza.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

Infarto na mulher pode passar despercebido. Saiba mais: