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Gerações Y e Z têm níveis mais altos de ansiedade, diz psicóloga

Segundo a doutora Lauren Cook, autora do livro ‘Geração Ansiosa - Um guia para se manter em atividade em um mundo instável’, além de problemas atuais, tecnologia também é determinante

Saúde|Do R7, com Estadão Conteúdo

Lauren Cook, autora do livro 'Geração Ansiosa' (Reprodução/Instagram)

Quando chamou o nome de seu novo paciente, o jovem mexicano Luís, na sala de espera de sua clínica em Pasadena, na Califórnia (EUA), Lauren Cook encontrou um homem nervoso, constrangido e envergonhado. Luís sofria de transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e, entre outras manias, lavava as mãos incontáveis vezes ao dia - a ponto de elas ficarem feridas. “Outros pacientes já haviam descrito o TOC como se o cérebro estivesse ‘pegando fogo’ e você não tivesse um extintor por perto para apagar o incêndio” relata a psicóloga.

Luís é um dos 11 pacientes que tiveram seus casos relatados em “Geração Ansiosa - Um guia para se manter em atividade em um mundo instável” (Rocco, 2023). Não à toa, a autora relaciona uma crise de ansiedade à sensação de afogamento e diz que as gerações Y (nascidos entre 1981 e 1996) e Z (entre 1997 e 2010) são mais propensas a “morrerem afogadas”.

“Comparo o ataque de pânico à sensação de afogamento porque é algo muito assustador. Muitas pessoas têm a sensação de que estão morrendo quando sofrem ataque de pânico. As gerações Y e Z estão experimentando altas taxas de ansiedade por uma série de razões. Muitos se sentem inseguros, enfrentam dificuldades financeiras e são inundados pelas redes sociais. Embora vejam pessoas online constantemente, se sentem mais sozinhos e isolados”, conta Lauren.

Para ela, as gerações Y e Z são mais ansiosas do que as anteriores por muito fatos, entre eles por enfrentar problemas políticos, aumento da violência e a falta de esperança no futuro. “A tecnologia também desempenha um papel importante. Embora tenhamos hoje mais acesso à informação do que nunca, há também uma grande desvantagem: somos constantemente bombardeados por acontecimentos preocupantes. Além de nos sentirmos excluídos socialmente, também sentimos que os outros estão se saindo melhor. Afinal, só vemos seus ‘melhores momentos’ nas redes sociais”, acrescenta.

Lauren explica que a ansiedade é uma mistura de dois fatores, a genética e o ambiente. “Embora alguns sejam mais ativados do que outros (e isso se deve ao centro do medo em nosso cérebro, a amígdala, que varia em termos de tamanho e de nível de resposta), muitos sofreram traumas ou outros eventos estressores. Em outros casos, podemos ter sido criados em famílias onde fomos educados a nos preocupar excessivamente com o futuro. Estava arraigado em nós que a preocupação era essencial para que pudéssemos evitar armadilhas”, completa.

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