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Pandemia afasta ONU da meta de acabar com a Aids até 2030

Crise sanitária do coronavírus fez com que 40 países registrassem queda da testagem do HIV, importante para controle da doença

Saúde|Da EFE

No Dia Mundial de Combate à Aids especialistas se preocupam com controle da doença na pandemia
No Dia Mundial de Combate à Aids especialistas se preocupam com controle da doença na pandemia No Dia Mundial de Combate à Aids especialistas se preocupam com controle da doença na pandemia

Acabar com a Aids até 2030 é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, mas a pandemia de Covid-19 ameaça essa meta. A crise sanitária vivida desde o fim de 2019 interrompeu os esforços de prevenção, conscientização e tratamento da doença causada pelo HIV, alertam especialistas no Dia Mundial de Combate à Aids.

Há 40 anos foram diagnosticados os primeiros casos da doença, relatados nos Estados Unidos, e, embora o Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids) esteja trabalhando para garantir que ela não atinja meio século, o objetivo de erradicá-la parece estar ficando mais longe de ser alcançado enquanto o mundo se concentra no combate ao coronavírus.

No primeiro ano da pandemia de Covid, 40 países registraram queda na testagem do HIV, vital para prevenir a propagação do vírus. A redução dos programas de prevenção e o fechamento de escolas, onde muitos dos programas de prevenção são desenvolvidos, foram um duro golpe para o Unaids. Nesta década, 7,7 milhões de pessoas ainda podem morrer vítimas de Aids se as medidas de combate não forem retomadas ou mesmo aceleradas, alerta a ONU.

"Não se trata de escolher entre acabar com a pandemia de Aids e se preparar para as outras: temos de alcançar ambos [os objetivos], é a única receita para o sucesso, mas não estamos nem perto de alcançar nenhum dos dois", disse a diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima.

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"Ainda é possível acabar com essa epidemia do HIV antes de 2030, mas isso exigirá o fortalecimento das ações e da solidariedade", acrescentou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em sua mensagem para a celebração deste dia internacional.

Quatro décadas desde os primeiros casos

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Há 40 anos, em 5 de junho de 1981, o Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade relatou cinco casos de pneumonia de um fungo então chamado de Pneumocystis carinii, ligado a uma supressão do sistema imunológico, em cinco jovens em Los Angeles, considerado o primeiro registro oficial de pacientes com Aids.

Desde então, essa doença levou quase 35 milhões à morte (sete vezes mais do que as mortes causadas até agora pela Covid-19). Embora a mortalidade tenha caído há cerca de 20 anos, alguns recordes de mortes e novos pacientes foram registrados nesse período. 

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O ano 1998 foi o que registrou mais infecções por HIV, 2,8 milhões de pessoas, e em 2004 ocorreu o pico de mortes, com a perda de 1,8 milhão de doentes. No ano passado houve a notificação de 1,5 milhão de novos infectados e 680 mil óbitos.

A queda é resultado do alto índice de pessoas com acesso a antirretrovirais, que passou de apenas 560 mil, no começo deste século, para mais de 28 milhões, atualmente.

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A África segue sendo o continente com a maior parcela de pessoas soropositivas (25,3 milhões) e mortes relacionadas à Aids (460 mil), seguida pela Ásia (5,7 milhões de portadores de HIV e 140 mil mortes), de acordo com dados de 2019.

Discriminação trabalhista

O HIV/Aids não está apenas ligado a questões de saúde, mas também a questões sociais, uma vez que, apesar de décadas de conscientização, as pessoas soropositivas continuam a sofrer discriminação em áreas como o emprego.

Nesse sentido, uma pesquisa publicada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), em colaboração com a Gallup International, revela que cerca de 40% dos entrevistados dizem não concordar com a integração das pessoas com HIV/Aids em seu local de trabalho.

Ainda mais, 60% apoiam o teste obrigatório do HIV no trabalho, segundo a pesquisa realizada com 55 mil pessoas, em 50 países, também por causa do Dia Mundial de Combate à Aids. Essas atitudes estigmatizantes e discriminatórias são alimentadas pela ignorância sobre a transmissão do vírus, uma vez que um percentual preocupante, de mais de 70%, acredita que a infecção pode acontecer com um simples abraço ou aperto de mão.

"É chocante que, após 40 anos da epidemia de HIV e Aids, mitos e equívocos ainda sejam tão difundidos", disse Chidi King, chefe da Seção de Gênero, Igualdade, Diversidade e Inclusão (Gedi, na sigla em inglês) da OIT.

O estudo mostra que as regiões onde o estigma em relação ao HIV mais persiste são a Ásia e o Norte da África, onde quase metade de sua população é contra a integração de pessoas com HIV no local de trabalho.

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