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Araújo recebeu carta da Pfizer e diz não ter comunicado Bolsonaro

Ex-ministro disse que não avisou o presidente por pensar que ele já sabia das ofertas de 70 milhões de doses, feitas ainda em 2020

Brasil|Gabriel Croquer, do R7

Telegramas provam que Embaixada avisou Araújo da carta ainda em setembro
Telegramas provam que Embaixada avisou Araújo da carta ainda em setembro Telegramas provam que Embaixada avisou Araújo da carta ainda em setembro

O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, confirmou nesta terça-feira (18), em seu depoimento na CPI da Covid, que recebeu a carta da Pfizer cobrando o governo por respostas às ofertas de vacinas, mas que não avisou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) do documento. 

"Tive conhecimento do tema, e o telegrama de Washington também esclarecia que a própria embaixada em Washington já havia antecipado também para a assessoria internacional do ministério da Saúde", respondeu ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Ele então foi interrompido pelo parlamentar, que o perguntou se ele não comunicou Bolsonaro por pensar que o mandatário já sabia da carta. "Porque eu presumia que o presidente da República já soubesse", confirmou Araújo.

A carta, escrita pelo presidente da Pfizer, Albert Bourla, foi enviada em setembro de 2020 ao presidente Jair Bolsonaro, com cópia para o vice-presidente, Hamilton Mourão, o então ministro da Casa Civil, Braga Netto, o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o embaixador do Brasil nos EUA, Nestor Foster.

Conforme mostrou reportagem do R7, a embaixada do Brasil em Washington, nos EUA, comunicou oficialmente o Itamaraty ainda em 15 de setembro de 2020 sobre a carta enviada pela Pfizer, no dia 12 daquele mês.

Na mensagem, a farmacêutica relembrou as ofertas feitas um mês antes, em agosto de 2020, por 70 milhões de doses. O telegrama da embaixada, que Araújo recebeu, pontua trechos da carta onde a Pfizer fala que a rapidez do governo para fechar o contrato seria "crucial" para garantir as doses ainda em 2020, devido à alta demanda de outros países que já negociavam com a farmacêutica.

O documento se soma às revelações na CPI do ex-secretário Especial de Comunicação Social da Presidência da República, Fabio Wajngarten, e do gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo. Os dois convocados afirmaram que o governo não respondeu às ofertas da farmacêutica, enviadas desde agosto de 2020.

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