Brasília Além de rachadinha, Janones propôs vaquinha entre funcionários para usar em campanha; ouça

Além de rachadinha, Janones propôs vaquinha entre funcionários para usar em campanha; ouça

Verba serviria para financiar campanhas do deputado e de seus assessores; deputado nega ter colocado o esquema em prática

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília, e Natália Martins, da Record

'Vamos decidir se vai ser R$ 50, R$ 100, R$ 200', disse

'Vamos decidir se vai ser R$ 50, R$ 100, R$ 200', disse

Gilmar Félix / Câmara dos Deputados

Além do suposto esquema de rachadinha com arrecadação de parte do salário de funcionários para cobrir despesas de campanha, o deputado federal André Janones (Avante-MG) sugeriu fazer uma vaquinha para auxiliar nos gastos de disputas eleitorais em 2020 (ouça abaixo). A ideia era arrecadar pelo menos R$ 200 mil para bancar novas campanhas.

A sugestão de vaquinha foi gravada por um ex-assessor de Janones e faz parte da primeira reunião após os funcionários tomarem posse, em 5 de fevereiro de 2019. Foi nessa mesma ocasião que o deputado pediu a servidores parte do salário para cobrir o alegado rombo de R$ 675 mil nas contas pessoais do político.

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No áudio, Janones diz que pagaria salários maiores a alguns servidores para que esses valores extras pudessem ser devolvidos ao deputado como forma de "ajudar a pagar as contas do que ficou da minha campanha de prefeito".

No novo trecho obtido pela reportagem, Janones sugere uma vaquinha.

Nós vamos decidir se vai ser R$ 50, R$ 100, R$ 200, se cada um dá proporcional ao salário, isso a gente decide entre nós. E a gente começa uma vaquinha já no primeiro mês do salário para poder disputar as eleições de 2020 com o básico pelo menos.

André Janones, deputado federal (Avante-MG)

Antes, o deputado cita a pretensão de alguns assessores em concorrer a cargos municipais, revelando que a verba poderia ser usada não só por ele, mas pelos próprios funcionários. 

Na conversa, Janones afasta qualquer sugestão de prática ilícita.

Isso é legal, porque, às vezes, você confunde com aquilo que a gente vê na televisão de não devolver salário. Devolver salário é você ficar na sua casa dormindo e me dá o seu cartão, e todo mês eu vou lá, saco e deixo só um salário lá pra você. Isso é devolver salário.

André Janones, deputado federal (Avante-MG)

Em seguida, o parlamentar frisa que o gabinete dele "não vai ceder à corrupção". 

Janones nega ter feito rachadinha

Pelas redes sociais, Janones nega ter cometido rachadinha e afirma que a gravação foi "clandestina e criminosa" e que se trata de um "áudio retirado de contexto e para tentar imputar [a ele] um crime" que ele "jamais" cometeu.

"Essas denúncias vazias nunca se tornaram uma ação penal ou qualquer processo, por não haver materialidade. Não são verdade, e, sim, escândalos fabricados", completa.

Após a divulgação de novos trechos, o deputado alegou que "ao final, a minha sugestão foi vetada pela minha advogada e, por isso, não foi colocada em prática". 

Mais denúncias

Além da gravação da reunião, em 2019, a reportagem teve acesso a outro áudio com relato de repasse ao gabinete de Janones. O denunciante, o ex-assessor Fabricio Ferreira, gravou uma conversa com Alisson Camargos, outro ex-assessor de Janones que atualmente ocupa o cargo de secretário de Meio Ambiente na Prefeitura Municipal de Ituiutaba (MG).

Sem saber que estava sendo gravado, Camargos confessa: "Quase R$ 5 [mil] conto que eu passo pra ele [Janones], Fabricio. Nem R$ 9.000 eu estou tirando, R$ 9.000, assim, no papel, entendeu". Camargos também desabafa que o esquema demonstra que eles não eram amigos do parlamentar. "Nós somos funcionários", completa.

Responsável pela gravação, Fabricio Ferreira contou à reportagem que o esquema era mensal e que, no caso de Camargos, "ele repassava R$ 5.000 de um salário de R$ 9.000, aproximadamente 60% do salário". "Janones era muito hábil. Os assessores tinham que sacar o dinheiro e já passar para ele. Ouvi muitas conversas entre assessores de que ele guardava vários pacotes, envelopes de dinheiro na casa dele", contou. O caso é investigado pela Polícia Federal, sob sigilo.

Além de Ferreira, o jornalista Cefas Luiz, outro ex-assessor de Janones, também denunciou o esquema. Cefas contou à reportagem que "o esquema rodou no gabinete e era mensal". Disse ainda que a prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes (Avante), na época assessora de Janones, seria a responsável por coordenar o esquema dentro do gabinete.

Em nota, a prefeita Leandra Guedes (Avante) disse não ter conhecimento do conteúdo divulgado nesta segunda-feira (27) e que jamais presenciou ou participou de qualquer conduta ilegal.

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