Logo R7.com
Logo do PlayPlus
Publicidade

Em meio à crise, Lula se reúne em Brasília com o secretário de Estado dos EUA, que depois vai à Argentina

Temas do encontro com Antony Blinken devem ser o conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas e a presidência brasileira do G20

Brasília|Plínio Aguiar, do R7 em Brasília

Blinken vai ainda ao Rio de Janeiro e a Buenos Aires
Blinken vai ainda ao Rio de Janeiro e a Buenos Aires Blinken vai ainda ao Rio de Janeiro e a Buenos Aires (Oliver Douliery / AFP - 4519 x 3012 - 10.08.2023)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, em Brasília, nesta quarta-feira (21). O norte-americano chegou à capital federal nessa terça (20). No giro que vai fazer pelo continente sul-americano, ele vai também ao Rio de Janeiro (RJ) e a Buenos Aires (Argentina).

A conversa vai ocorrer em meio à crise diplomática entre Brasil e Israel. O país, localizado no Oriente Médio, classificou Lula como 'persona non grata' pelas declarações em que comparou as ações de defesa israelense no conflito contra o grupo terrorista Hamas ao nazismo.

Em reação, o presidente brasileiro chamou de volta o embaixador do Brasil em Tel Aviv, Frederico Meyer, para consultas. Nas relações internacionais, o termo é usado para demonstrar descontentamento.

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Mathew Miller, afirmou nesta terça (20) que os EUA discordam do comentário de Lula que comparou a guerra contra os terroristas do Hamas ao Holocausto judeu. Segundo Miller, Blinken vai informar essa posição a Lula na reunião desta quarta (21).

Publicidade

"Obviamente, nós discordamos desse comentário [de Lula]. Fomos bem claros em dizer que não acreditamos que um genocídio ocorreu em Gaza. Queremos ver o conflito terminar quanto antes. Queremos ver a assistência humanitária aumentar de forma sustentada para os civis inocentes de Gaza, mas não concordamos com aqueles comentários", disse.

O conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas deve dominar as conversas entre Lula e Blinken, que é judeu. Os Estados Unidos, aliados do país do Oriente Médio, devem apresentar um pedido de cessar-fogo, na tentativa de conter a guerra, perante ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Publicidade

A medida vem um dia após Israel anunciar que invadiria Rafah, sul da Faixa de Gaza, assim que iniciasse o Ramadã, período considerado sagrado para os muçulmanos e que se inicia em março. 

Brasil no G20 e 200 anos da relação Brasil-EUA

Ainda na conversa, o secretário vai enfatizar o apoio norte-americano à presidência do Brasil no G20 e a parceria Brasil-EUA pelos direitos dos trabalhadores. Blinken vai manifestar também suporte à cooperação na transição para a energia limpa e às comemorações do bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e os EUA, completados neste ano de 2024.

Publicidade

Rio de Janeiro e Argentina

Depois de Brasília, Blinken vai visitar o Rio de Janeiro, onde vai participar da reunião de ministros das Relações Exteriores do G20. Um dos objetivos é engajar líderes mundiais para "aumentar a paz e a estabilidade, promover a inclusão social, reduzir a desigualdade, acabar com a fome, combater a crise climática, promover a transição para a energia limpa e o desenvolvimento sustentável e tornar a governança global mais eficaz".

O secretário norte-americano segue depois para Buenos Aires. Na capital argentina, Blinken vai se encontrar com o presidente Javier Milei para discutir questões bilaterais e globais, incluindo crescimento econômico sustentável, direitos humanos, governança democrática, minerais críticos, fortalecimento de investimentos e comércio que beneficiam ambos os países.

Publicidade

Lula e Biden

Os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, Luiz Inácio Lula da Silva e Joe Biden, respectivamente, lançaram uma parceria inédita para a promoção do trabalho digno. A iniciativa, lançada em Nova York, nos EUA, busca estimular empregos de qualidade, proteger trabalhadores que atuam nas plataformas digitais e promover o conhecimento sobre direitos trabalhistas.

Lula citou os principais aspectos da iniciativa brasileira e norte-americana. São eles:

• proteção dos direitos trabalhistas;

• promoção do trabalho digno nos investimentos público e privado;

• combate à discriminação no ambiente de trabalho;

• abordagem centrada nos trabalhadores na transição para energia limpa; e

• uso da tecnologia em prol do trabalho decente.

Leia também

Segundo o líder brasileiro, a iniciativa vai mostrar à sociedade e à juventude a importância de alcançar um trabalho que permita viver dignamente. O Brasil e os Estados Unidos vão trabalhar em colaboração com parceiros sindicais de ambos os países e com a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Eles pretendem envolver outras nações e parceiros globais na iniciativa e assim fomentar um desenvolvimento inclusivo, sustentável e amplamente compartilhado com todos os trabalhadores e trabalhadoras.

O trabalho digno ou decente faz parte dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), definidos pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2015. Entre as ações propostas estão alcançar o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos, inclusive para jovens e pessoas com deficiência, e remuneração igual para trabalhos de mesmo valor, até 2030.

Relações econômicas entre Brasil e EUA

Em 2022, o comércio bilateral de bens e serviços entre o Brasil e os Estados Unidos totalizou 120,7 bilhões de dólares. As principais importações dos EUA ao Brasil são produtos industriais e relacionados à energia, como combustíveis refinados, gás natural, fertilizantes, aeronaves e instrumentos médicos. Já do Brasil para os EUA, são: petróleo bruto, aeronaves, ferro, aço, café e celulose.

"As exportações dos EUA para o Brasil sustentam quase 130 mil empregos nos EUA, e dados do setor privado dos EUA mostram que as exportações brasileiras para o país sustentam mais de 500 mil empregos no Brasil", diz um comunicado do governo americano.

De acordo com o Banco Central do Brasil, "o investimento estrangeiro direto dos EUA no país totalizou 191,6 bilhões de dólares em 2021, de longe o maior de qualquer outra nação", acrescenta.

Últimas

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.