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Especialistas criticam condecoração concedida por Lula ao embaixador da Palestina no Brasil

'Presidente escolhe dar honraria no momento mais inoportuno possível', diz professora de direito internacional da USP

Brasília|Do R7, em Brasília

Embaixador palestino foi condecorado no Itamaraty
Embaixador palestino foi condecorado no Itamaraty Embaixador palestino foi condecorado no Itamaraty

Especialistas em ciência política e direito internacional ouvidos pelo R7 afirmam que a condecoração dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, é inadequada e emite sinais dúbios da neutralidade do país em relação à guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas.

A Grã-Cruz, dada ao representante palestino, é a mais alta homenagem da Ordem de Rio Branco e é ofertada para distinguir pessoas físicas, jurídicas e entidades "pelos seus serviços ou méritos excepcionais".

"São sinais confusos que o Brasil emite, não só para a comunidade internacional, mas especificamente para Israel, país com o qual nós temos, em princípio, boas e consistentes relações diplomáticas. Então o presidente escolhe dar uma honraria no momento mais inoportuno possível", diz a professora de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP) Maristela Basso.

"Houve tempo atrás que o presidente poderia ter feito e, provavelmente, teremos tempos futuros nos quais ele poderia conceder a honraria. Mas, neste momento, é completamente equivocado, porque emite sinal de que está ao lado de uma parte envolvida na guerra ou abre mão da neutralidade", completa a professora.

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O analista político Gylwander Peres também afirma que não foi uma atitude diplomaticamente acertada do presidente da República. "O momento exige muita ponderação. Não foi uma atitude correta. O presidente brasileiro deveria ter comportamento mais diplomático, nem de um lado, nem de outro. Dessa forma, não deveria ter homenageado ninguém de ambos os lados, porque quando o faz, parece que está com um olhar somente em uma das partes envolvidas na guerra", explica.

O cientista político e pesquisador da Universidade de Helsinque, na Finlândia, Kleber Carrilho, argumenta que a condecoração feita por Lula é para marcar posição. "É arriscado, claro, mas o presidente tem experiência política para saber onde é que ele pode atuar. Eu acredito que a intenção seja justamente fazer um contraponto à posição tanto dos Estados Unidos quanto de parte da Europa, que definiu apoio a Israel, e este apoio tem sido questionado", diz.

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"No caso brasileiro, parte da comunidade judaica esteve muito próxima do ex-presidente Jair Bolsonaro, e, portanto, esta é uma posição que eu poderia colocar no sentido político-ideológico. E claro que é o que tem ocorrido no Brasil nos últimos anos, do uso daquilo que é oficial e institucional para o desenvolvimento do discurso político-eleitoral. Isso aconteceu principalmente na gestão passada. Então os critérios de isonomia acabam sendo arranhados", acrescenta Carrilho. 

Presidente recebeu críticas por comparar ações de Israel às dos terroristas do Hamas

Na semana passada, Lula comparou as ações de Israel na guerra com as do grupo terrorista Hamas. Ao defender a criação do Estado da Palestina, o petista disse que não é justo nem correto que Israel ocupe a Faixa de Gaza e expulse os palestinos de lá e que a atitude do Exército israelense é "igual ao terrorismo".

As falas do presidente foram classificadas por autoridades como equivocadas e "fruto de desconhecimento" sobre a "selvageria" do Hamas, que causou mortes de civis e crianças durante atentados.

O presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg, classificou como "equivocadas e perigosas" as falas de Lula. "Além de equivocadas e injustas, falas como essa do presidente da República são também perigosas. Estimulam entre seus muitos seguidores uma visão distorcida e radicalizada do conflito, no momento em que os próprios órgãos de segurança do governo brasileiro atuam com competência para prender rede terrorista que planejava atentados contra judeus no Brasil", disse Lottenberg. "A comunidade judaica brasileira espera equilíbrio das nossas autoridades e uma atuação serena que não importe ao Brasil o terrível conflito no Oriente Médio", acrescentou.

Condecoração

A homenagem foi realizada na terça-feira (21), no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Na ocasião, Lula também condecorou outras autoridades, como a primeira-dama, Rosângela da Silva, mais conhecida como Janja, e ministros, como Simone Tebet (Planejamento) e Margareth Menezes (Cultura). 

Instituída em 1963, a Ordem leva o nome do patrono da diplomacia brasileira, Barão de Rio Branco, e é dividida em dois quadros: ordinário, composto de diplomatas da ativa; e suplementar, que reúne, além de diplomatas aposentados, pessoas físicas e jurídicas nacionais ou estrangeiras.

No mesmo dia, Lula afirmou que o reconhecimento do Estado da Palestina é a única solução possível diante do conflito com Israel. O chefe do Executivo argumentou que isso evitaria que a guerra atinja outros países. Segundo ele, o conflito decorre também da ausência de um lar seguro para o povo palestino.

"É fundamental acompanhar com atenção a situação na Cisjordânia, onde os assentamentos ilegais israelenses continuam a ameaçar a viabilidade de um Estado Palestino. O reconhecimento de um Estado Palestino viável, vivendo lado a lado com Israel, com fronteiras seguras e mutuamente reconhecidas, é a única solução possível. Precisamos retomar com a maior brevidade possível o processo de paz entre Israel e Palestina", disse Lula.

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