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‘Não era a finalidade’, diz Lessa em delação sobre morte de motorista de Marielle

Ronnie Lessa disse ainda que o plano era matar a vereadora no local onde ela estava, antes de entrar no carro

Brasília|Gabriela Coelho e Ana Isabel Mansur, do R7, em Brasília

Não era finalidade matar motorista de Marielle (Reprodução/RECORD)

O ex-policial Ronnie Lessa, preso por matar a vereadora Marielle Franco, afirmou em delação premiada que matar o motorista da vereadora Marielle Franco, Anderson Gomes, não era a finalidade. Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aceitou um pedido de transferência do ex-policial para o complexo penitenciário de Tremembé, em São Paulo. Além disso, o ministro determinou que fosse retirado o sigilo da delação. Logo após o assassinado, Lessa e os comparsas foram assistir a um jogo em um bar.

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“Um garçom mostrou as fotos pra gente, aí que descobrimos que tinha mais uma pessoa morta; até então não se sabia, falou que mataram duas pessoas... aí na verdade a ficha nem caiu direito; eu falei onde, ele disse no centro... duas pessoas? Aí vi nas fotos que o motorista estava morto; não era a finalidade também; então; ali nós ficamos sabendo que tinha duas pessoas mortas, e a coisa ficou mais tensa ainda; começamos a beber mais um pouquinho, o jogo acabou e as pessoas se dispersaram”, disse.

Ronnie Lessa disse ainda que o plano era matar a vereadora no local onde ela estava, antes de entrar no carro. Entretanto, ele lembrou que a rua era na esquina da polícia civil. “Então aqui não, de jeito nenhum, e preferimos deixar no caminho, pra onde tivesse oportunidade”.

O ex-policial militar Ronnie Lessa afirmou na delação premiada à Polícia Federal que o deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido) está ligado ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela. A citação ao parlamentar foi o que motivou o deslocamento do caso do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para o Supremo Tribunal Federal, visto que o parlamentar tem direito a foro privilegiado.

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Apontados como mandantes do assassinato da vereadora, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e o delegado Rivaldo Barbosa foram presos em março em uma operação da Polícia Federal, com participação da Procuradoria-Geral da República e do Ministério Público do Rio de Janeiro.

João Francisco Inácio Brazão, conhecido como Chiquinho, é deputado federal do União Brasil pelo Rio de Janeiro. Assim como Marielle, ele era vereador do município quando o assassinato ocorreu. O envolvimento do parlamentar fez com que as investigações fossem ao STF, já que Chiquinho tem foro privilegiado. A relatoria do processo foi distribuída por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes, da Primeira Turma, por se tratar de uma ação criminal.

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Domingos Brazão é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Autor dos disparos que mataram Marielle e Anderson, o ex-policial militar Ronnie Lessa afirmou aos investigadores, em delação premiada, que Domingos teria encomendado o crime.

Lessa teria afirmado que o crime seria uma vingança contra o ex-deputado estadual Marcelo Freixo e a ex-assessora dele, Marielle Franco. Os três, segundo os investigadores, travavam disputas na área política do estado.

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O que diz a defesa

Em nota, a defesa de Domingos Brazão informou que as declarações são “mentirosas e não têm amparo em qualquer prova”.

“Não se tem prova dos encontros, não se tem prova de contato entre o intermediário e os Brazão, não tem prova de que houve a entrega de arma. Também não se tem prova de que existiria um projeto ou intenção de instalação de um condomínio. É apenas uma narrativa, sem comprovação”, diz o texto.

Os advogados de Rivaldo Barbosa afirmaram que Lessa mentiu “deliberadamente” na delação. “A disponibilização veio tardiamente, mas ainda em tempo para que todos possam ver como Ronnie Lessa mentiu deliberadamente. Pior, recebeu um prêmio antes do final da corrida”, informou a nota.

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