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Ministério da Justiça não prorrogará atuação da Força Nacional em buscas por fugitivos de Mossoró

Foragidos há 42 dias, os detentos foram os primeiros a conseguir escapar de uma penitenciária federal de segurança máxima

Cidades|Carlos Eduardo Bafutto, do R7, em Brasília

Força Nacional deixa operação de busca de fugitivos
Força Nacional deixa operação de busca de fugitivos Força Nacional deixa operação de busca de fugitivos (Reprodução | RECORD)

O ministério da Justiça e Segurança Pública não vai prorrogar novamente a atuação da Força Nacional nas buscas dos dois detentos que escaparam da penitenciária federal de segurança máxima de Mossoró. A informação foi confirmada pelo secretário de Políticas Penais, André Garcia. O R7 vem tentando contato com a pasta, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para posicionamento. A Força Nacional passou a participar das operações de busca em 23 de fevereiro. Em 20 de março, o ministro Ricardo Lewandowski prorrogou até o próximo sábado (30) uso dos profissionais de segurança pública na operação.

Garcia disse ao JR Entrevista que não vai haver propriamente uma desmobilização. "O que está sendo planejado é uma mudança de estratégia. Mantendo as forças locais fazendo os trabalhos de execução de buscas e ao mesmo tempo intensificando as investigações. Porque nós acreditamos que vamos, com as investigações, com o trabalho de inteligência policial, realizar a recaptura dos dois", afirmou.

Os fugitivos Deibson Cabral Nascimento e Rogerio da Silva Mendonça são suspeitos de ter ligações com a facção Comando Vermelho, no Acre, onde o grupo domina as operações criminosas e onde a dupla estava presa até setembro do ano passado. Eles já foram vistos em diversas ocasiões. No entanto, os investigadores não conseguem capturá-los.

Mais de 600 agentes estão à procura dos detentos. Os investigadores concentram as buscas entre Mossoró e Baraúna, cidades separadas por uma distância de cerca de 35 km. A Polícia Federal passou a oferecer uma recompensa de R$ 30 mil por informações que levem à captura dos foragidos.

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Reação lenta e falhas estratégicas dificultam buscas, dizem especialistas

Especialistas em segurança pública ouvidos pelo R7 avaliam que falhas estratégicas e demora para reação dificultam a captura dos dois fugitivos. Os detentos escaparam na madrugada em 14 de fevereiro, mas, segundo nota divulgada pelo ministério da Justiça no início do mês, a PF (Polícia Federal) e a PRF (Polícia Rodoviária Federal) chegaram em Mossoró dois dias depois, na manhã de 16 de fevereiro.

Para o especialista em segurança pública Leonardo Sant'Anna, entre os fatores que podem ter relação com as dificuldades de captura dos presos está a demora até que a fuga fosse percebida na penitenciária. "Essa demora é extremamente prejudicial, caso se queira fazer uma captura em um curto espaço de tempo", afirmou.

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Sant'Anna aponta ainda a demora até que as forças se reuniram para realizar a busca. "Esses elementos, realmente, colocam as instituições públicas em uma situação extremamente delicada", avalia. 

Para o também especialista em segurança pública Antônio Testa há indícios de que houve conivência de pessoas de dentro do sistema prisional para a fuga. "Em teoria, eles estavam incomunicáveis. Então, para eles organizarem uma fuga, eles teriam que ter se comunicado com alguém", acrescenta.

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Leonardo Sant'Anna destacou também a necessidade de um gerente de crise. "Uma pessoa com experiência de campo, para administrar as diversas forças de segurança utilizadas nesse processo. Sem isso, não é possível fazer muita coisa", diz.

"É chato dizer isso, mas existem algumas instituições que desejam protagonismo, desejam ser as donas da operação. Não é hora para isso. Então, as vaidades, os egos, precisam ser muito bem controlados por alguém que consiga conduzir uma operação dessa magnitude", afirma.

Veja a seguir a cronologia das buscas pelos fugitivos de Mossoró

• 16/2

Moradores disseram ter visto a dupla em diversas ocasiões. Dois dias após a fuga, Deibson e Rogerio teriam feito uma família refém, na zona rural de Mossoró. Neste dia, a polícia também encontrou pegadas, calçados, roupas, lençóis e uma corda, além de uma camiseta do uniforme da penitenciária, em uma área de mata.

• 22/2

Três pessoas foram presas em flagrante por supostamente terem facilitado a fuga dos detentos.

•23/2 

O primeiro grupo da Força Nacional, em missão pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, iniciou suas operações em Mossoró (RN). Os agentes vêm colaborando com a Polícia Federal em bloqueios de rodovias para auxiliar na busca e captura de dois fugitivos do presídio federal na região.

• 26/2

Um homem identificado como Ronaildo da Silva Fernandes foi preso por suspeita de ajudar os fugitivos. Ele é dono de um sítio em Baraúna, município na zona rural do RN que fica na divisa com o Ceará, e teria recebido R$ 5 mil para abrigar Deibson e Rogerio por oito dias.

• 27/2

Os fugitivos foram vistos em um vilarejo no Rio Grande do Norte. Segundo informações obtidas pela RECORD, os moradores do local reconheceram Deibson e Rogerio, que voltaram para a mata antes da chegada da polícia.

• 1º/3

Durante a madrugada, a Polícia Federal acionou helicópteros, drones, equipamentos que captam calor humano e cachorros farejadores, que sentiram o cheiro dos fugitivos e percorreram 600 metros, mas sem êxito. Àquele momento, as autoridades acreditavam que os foragidos estavam perdidos e sem ajuda, já que os rastros indicavam que estavam voltando para o estado, em vez de tentar fugir.

• 3/3

Forças de segurança cercaram uma fazenda em Baraúna, após moradores da região relatarem ter visto os foragidos durante a madrugada. Os dois teriam invadido uma propriedade rural e agredido um agricultor. De acordo com policiais que participam das buscas, os detentos roubaram outros moradores.

• 20/3

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, prorrogou a atuação da Força Nacional em Mossoró (RN) por 10 dias. A portaria com a medida foi publicada no Diário Oficial da União.

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