Cidades Para pai de vítima, CPI da boate Kiss estava sendo camuflada por vereadores

Para pai de vítima, CPI da boate Kiss estava sendo camuflada por vereadores

Grupo ocupou a Câmara após a divulgação de uma gravação de conversa entre parlamentares

Para pai de vítima, CPI da boate Kiss estava sendo camuflada por vereadores

Pai de vítima do incêndio na boate Kiss diz que manifestantes só sairão do plenário quando as reivindicações forem atendidas

Pai de vítima do incêndio na boate Kiss diz que manifestantes só sairão do plenário quando as reivindicações forem atendidas

Divulgação/Câmara Municipal de Santa Maria

A gravação do áudio de uma reunião de dois vereadores integrantes da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da boate Kiss fez com que um grupo de mais de 150 pessoas permanecesse ocupando, desde a tarde de terça-feira (25), o plenário da Câmara Municipal de Santa Maria. A conversa indica que há orientações de que a apuração de responsabilidades no incêndio teria que “dar em nada”. Agora, os manifestantes pedem a renúncia dos vereadores envolvidos, a exoneração do procurador-jurídico da Câmara, Robson Zinn, e a saída do prefeito Cezar Schirmer (PMDB).

A conversa é entre os vereadores Maria de Lourdes Castro (PMDB) e Dr. Tavores (DEM), e foi gravada por um assessor dele, Amilcar Rocha.

Em boa parte da gravação eles demonstram receio com algumas atitudes da relatora da CPI, a vereadora Sandra Rebelato (PP). O assessor de Dr. Tavores fala sobre supostas orientações.

— Ela [Sandra] pediu que não poderia dar em nada [a CPI], porque chegaria não sei onde.

A vereadora Maria de Lourdes manifesta preocupação com as investigações chegarem ao nome do secretário municipal de Relações de Governo e Comunicação, Giovani Mânica.

— Vamos jogando, porque vai chegar no [Giovani] Mânica, e chegando no Mânica, vai chegar no prefeito [Cezar Schirmer].

Adherbal Alves Ferreira, presidente da Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia na Boate Kiss, ouviu o áudio e falou ao R7 sobre a articulação em torno da CPI. Ele citou o momento em que Maria de Lourdes fala que Sandra Rebelato “começou a fazer essas loucuras”.

— Ela [Maria de Lourdes] fala que [Sandra Rebelato] cometeu uma loucura e que não deveria ter deixado o nosso advogado entrar na CPI e também diz que se pegasse a pessoa dos sócios da boate [Elissandro Sphor e Mauro Hoffmann], chegaria no Mânica, e que chegaria no prefeito. [...] Ele [advogado] começaria a fazer perguntas que começariam a dar problemas para eles.

Ainda de acordo com Ferreira, o áudio deixa clara a tentativa de “camuflar” o trabalho da CPI.   

— Existe essa relação, que foi muito grave e, por isso, nós tomamos conta da Câmara dos Vereadores e agora queremos que essa CPI seja anulada. E também pedimos a exoneração do [procurador-jurídico da Câmara] Robson Zinn, que é o grande articulador deles, de todo o contexto.

Adherbal também critica a falta de posicionamento do prefeito Cezar Schirmer.

— Ele [prefeito] tem culpa no cartório, mas, como sempre, ele não se pronuncia nunca. Então, ele continua quieto. Agora mais ainda. 

A assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Santa Maria informou que, no fim da manhã, alguns vereadores se reuniram para avaliar a situação e tomar uma decisão sobre a ocupação do plenário. O prefeito Cezar Schirmer era aguardado para ser ouvido nesta quarta-feira (26) pela CPI, mas o interrogatório foi cancelado devido à ocupação do prédio. Adherbal garantiu que o grupo só deixará o plenário quando as reivindicações forem atendidas. ]

Prefeito se defende

Por meio de sua assessoria de imprensa, o prefeito Cezar Schirmer informou ao R7 que não tem relação com a ocupação do plenário.

— É um assunto da Câmara de Vereadores.

Sobre ele ter sido citado na gravação, Schirmer garante que não tem ligação com a CPI.

— São comentários internos a respeito da condução da CPI em que nada me envolvem. 

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Incêndio

O incêndio dentro da boate Kiss no centro de Santa Maria, cidade a 290 km da capital, Porto Alegre, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro. O número de mortos chegou a 242. 

O fogo começou porque, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, um dos integrantes acendeu um artefato pirotécnico — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se espalharam em poucos minutos.

A casa noturna estava cheia na hora que o fogo começou. Cerca de mil pessoas estariam no local. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Os donos não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da boate estava vencido desde agosto de 2012, afirmou o Corpo de Bombeiros.

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