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Violência contra PcDs: com 7,6 mil casos, mulheres sofrem mais vezes

Segundo Atlas, em 2019, casos mais frequentes no país foram de violência doméstica e ocorreram na faixa entre dez e 19 anos

Cidades|Guilherme Padin, do R7

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Dados correspondem ao ano de 2019
Dados correspondem ao ano de 2019

O Brasil registrou 7.613 notificações de violência contra pessoas com deficiência (PcDs) em 2019, segundo dados do Atlas da Violência, publicado nesta terça-feira (31) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com o estudo, os casos mais frequentes ocorrem com mulheres e na faixa etária de dez a 19 anos. Em seguida, crianças de até nove anos e idosas e idosos também aparecem entre públicos mais atingidos.

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As taxas mais elevadas foram identificadas entre pessoas com deficiência intelectual, com uma proporção de 36,2 casos para cada 100 mil, principalmente do gênero feminino.

Segundo os pesquisadores responsáveis pelo Atlas, a sobretaxa possui uma relação direta com a violência sexual. A taxa de violência contra as mulheres, inclusive, é mais de duas vezes superior à praticada contra homens, com exceção a pessoas com deficiência visual, com superioridade abaixo de 25%.

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Coordenador do estudo e pesquisador do Ipea, Helder Ferreira pontua que os números não informam as causas, mas podem apontar para hipóteses. Uma delas, no caso de abusos sexuais entre mulheres com deficiência intelectual, é a maior condição de vulnerabilidade, que pode atrapalhar eventuais denúncias.

“A pessoa com deficiência intelectual pode ter uma vulnerabilidade maior à violência [na comparação com pessoas com deficiências físicas, visuais ou auditivas, também presentes na pesquisa]. E no caso das mulheres, há uma vulnerabilidade em relação à violência sexual”, afirma.

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Do total de mais de 7,6 mil notificações, 58,4% foram de violência doméstica. Destas, inclusive, 61% ocorreram com mulheres, aponta o Atlas.

O coordenador destaca, neste caso, que nem todas as notificações são relativas a violências físicas. “Também entra a questão da negligência, falta de condições ou conhecimento para atender às necessidades da pessoa. Isso chama a atenção da necessidade de políticas de Estado de cuidar e prevenir esses casos, e contribuir com as famílias para prestar a melhor assistência às pessoas com deficiência”, considera.

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As notificações de violência comunitária, quando o caso ocorre fora do ambiente familiar, são mais comuns entre homens – 26% a mais que entre as mulheres.

Neste caso, considera Ferreira, o dado também indica uma representação dos dados de violência de modo geral. “Os homens já são as principais vítimas de violência comunitária ou institucional, como com a violência policial, e raramente são vítimas de violência doméstica. E isso se repete no caso das PcDs”, avalia.

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Helder Ferreira relembra, ainda, que há uma provável subnotificação dos dados. As estatísticas são colhidas a partir do Sinam (Sistema Nacional de Atendimento Médico), que, apesar de abrangente, não está em todos os municípios. Além disso, a própria característica das notificações pode atrapalhar.

“Se a pessoa sofre violência e não procura um posto de saúde, ou se comparece ao posto e não faz a indicação ou o profissional não interpreta como violência, então sabemos que há uma subnotificação”, afirma o pesquisador. Desta maneira, o contexto exige atenção de familiares para casos de violência doméstica.

“A violência doméstica, um dos principais casos de violência às PcDs, quem pode noticiar é alguém da família que está convivendo mais perto. Se a pessoa mais responsável for suspeita, a denúncia pode ser mais difícil”, conclui.

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