Economia Campos Neto: 'Também estamos arrumando expectativa de PIB'

Campos Neto: 'Também estamos arrumando expectativa de PIB'

Executivo afirmou que BC segue atento à disseminação da inflação, mas classificou como 'extraordinária' a recuperação da economia

Campos Neto reafirmou que o Brasil vai sair da crise com pior nível de endividamento entre emergentes

Campos Neto reafirmou que o Brasil vai sair da crise com pior nível de endividamento entre emergentes

José Cruz/Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, indicou nesta segunda-feira (31) que a autarquia também pode rever suas previsões sobre o desempenho da economia neste ano - atualmente em 3,6% - na esteira de revisões para cima do mercado sobre o Produto Interno Bruto (PIB).

O presidente do BC observou que a melhora nas previsões de bancos para acima de 4% ocorre mesmo com o aumento do número de contaminações da covid-19 nos últimos dias, o que mostra maior adaptação da economia ao ambiente de pandemia.

"Na segunda onda no Brasil, apesar de mais severa, a economia já estava mais adaptada", disse o presidente do BC. "Alguns bancos já estão hoje aumentando previsões para acima de 4% ... Nós do BC também estamos arrumando a expectativa de 4%", acrescentou.

Segundo Campos Neto, a tendência é de uma recuperação da economia na forma gráfica de "V", ou seja, retomada rápida aos níveis de antes da pandemia, com suavização posterior .

De olho na inflação

O presidente do BC disse, ainda, que a autarquia segue atenta ao risco de disseminação da inflação, apesar das reiteradas manifestações da instituição de que o choque de preços é temporário. Ele classificou como "extraordinária" a recuperação da economia, considerou que o desempenho do primeiro semestre vem sendo mais forte do que o esperado .

"Estamos atentos ao processo de disseminação da inflação", disse o presidente do BC, observando que, mesmo com a escalada "impressionante" de commodities como o minério de ferro, junto com a elevação de preços de grãos e metais, as moedas de países emergentes exportadores desses produtos não se apreciaram, o que gerou inflação.

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Com o risco mantendo o câmbio depreciado, Campos Neto reafirmou que o Brasil vai sair da crise com pior nível de endividamento entre emergentes, numa situação de dívida descrita como "bastante frágil". Junto com a África do Sul, acrescentou, o Brasil mostra uma das curvas de juros que mais se inclinaram, o que indica preocupação dos investidores no longo prazo.

Ao traçar um panorama sobre a economia global, o presidente do BC comentou que a pandemia dá sinais de piora na Ásia, mas o crescimento segue forte nos Estados Unidos, embalado pelo pacote de estímulo fiscal e monetário.

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