Economia Número de famílias pobres com dívidas atrasadas alcança nova máxima histórica, de 34,1%

Número de famílias pobres com dívidas atrasadas alcança nova máxima histórica, de 34,1%

Em novembro, 21,6% dos brasileiros estavam com mais da metade da renda comprometida com o pagamento de dívidas 

Agência Estado
O número de famílias pobres endividadas aumentou 34,1% em novembro

O número de famílias pobres endividadas aumentou 34,1% em novembro

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O número de famílias pobres com dívidas atrasadas chegou a 34,1% em novembro, alcançando nova máxima histórica. Isso é o que revelam os dados da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada nesta terça-feira (6) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

No mesmo período, houve um recuo de 0,3 p.p. (ponto porcentual) na proporção de endividados no país, na comparação com outubro, o que levou o índice de famílias brasileiras endividadas para 78,9%. A melhora se deve ao aumento da renda disponível nos últimos meses, resultado da evolução do mercado de trabalho, das políticas de transferência de renda e da queda da inflação.

Em relação a novembro de 2021, o porcentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, e prestação de carro e de casa) avançou 3,3 pontos.

Isso indica que 30,3% das famílias brasileiras têm alguma dívida em atraso, em um contexto de elevado nível de comprometimento da renda. Em um ano, o indicador avançou 4,2 p.p., especialmente entre os mais pobres. O número de famílias que informam que não terão condições de pagar suas dívidas subiu 0,3 p.p., para 10,9%. Em novembro do ano passado, o índice era de 10,1%.

Dos consumidores com até dez salários de renda mensal, 34,1% atrasaram dívidas, a maior proporção da série histórica, iniciada em 2010. Os orçamentos das famílias de menor renda continuam apertados, pois os juros altos aumentam as despesas com dívidas.

Na comparação com o ano passado, a piora no nível de endividamento foi mais expressiva entre as mulheres (3,3 p.p.) do que entre os homens (1,9 p.p.). O público feminino é atualmente o mais endividado, com 80,7% delas possuindo algum tipo de dívida em novembro. No recorte da faixa etária, a percepção de superendividamento também se acirrou mais entre os consumidores com mais de 35 anos (3,2 p.p.). Os indivíduos que não conseguiram terminar o ensino médio também formam o grupo em que o nível de endividamento mais cresceu em um ano (3,9 p.p.).

Com isso, cresceu em novembro o volume de consumidores que disseram não terem pago dívidas já atrasadas de meses anteriores: 10,9% do total de famílias. Entre as com menores rendimentos, o indicador manteve trajetória de alta, atingindo 13,4%, pouco abaixo da máxima histórica de 13,9%, observada em agosto de 2020.

Mesmo os consumidores buscando a renegociação, o volume dos que reportaram atrasos na quitação de dívidas atrasadas por mais de 90 dias piorou em novembro. Do total de famílias inadimplentes, 42,5% estão com atrasos acima de 90 dias, 0,6 p.p. em relação a outubro e 1,0 p.p. comparativamente a novembro de 2021.

Renda comprometida e cautela

Além disso, tem chamado a atenção o volume de consumidores com mais da metade da renda comprometida com o pagamento de dívidas. Em novembro, 21,6% do total de endividados estava nessa situação, crescimento anual de 0,8 p.p.

Em média, o brasileiro precisou gastar 30,4% de toda a sua renda só para pagar dívidas em novembro, isso sem contar as contas de consumo (água, energia, telefone, gás etc).

Apesar dos fatores benignos relativos à disponibilidade de renda, a combinação de endividamento e juros altos está deixando os consumidores mais cautelosos. Diante do crédito mais caro, a proporção de famílias que se consideram "muito endividadas" chegou a 17,5%, alta de 0,2 p.p. ante outubro, e de 2,7 p.p. em relação a novembro de 2021.

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