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Equador elege presidente em clima de medo após assassinato

Morte de Fernando Villavicencio deixou uma interrogação sobre o resultado do pleito, e tudo indica que haverá segundo turno

Internacional|Do R7

Um homem vota em uma seção eleitoral na capital Quito durante as eleições presidenciais no Equador
Um homem vota em uma seção eleitoral na capital Quito durante as eleições presidenciais no Equador Um homem vota em uma seção eleitoral na capital Quito durante as eleições presidenciais no Equador

Os equatorianos começaram a votar neste domingo (20) para eleger um novo presidente sob a sombra do assassinato a tiros de um candidato presidencial e do estado de emergência para mitigar a violência do narcotráfico.

O assassinato do candidato Fernando Villavicencio, em 9 de agosto, embaralhou as cartas do mapa eleitoral e deixou uma interrogação sobre o resultado das eleições. Tudo indica que nenhum candidato terá margem suficiente para evitar um segundo turno, em de 15 de outubro.

Numa manhã chuvosa em Quito e sob vigilância da força pública, teve início a votação que terminará por volta das 17h (horário local; 19 em Brasília) para eleger presidente e vice-presidente, bem como os 137 congressistas que completarão o atual mandato de quatro anos previsto até maio de 2025.

O outrora pacífico país sul-americano tornou-se nos últimos anos um centro de operações para cartéis de drogas estrangeiros e locais que impõem um regime de terror com assassinatos, sequestros e extorsões.

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Soma-se à violência uma crise institucional que mantém o país sem Congresso há três meses, quando o impopular presidente Guillermo Lasso (à direita) decidiu dissolvê-lo e convocar eleições antecipadas para evitar o impeachment em um julgamento político por corrupção.

"Os equatorianos vão votar com três sentimentos: medo da insegurança (...), pessimismo em relação à situação econômica e desconfiança da classe política", disse à AFP Santiago Cahuasquí, cientista político da Universidade do Equador, SEK Internacional.

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Cerca de 13,4 dos 18,3 milhões de equatorianos devem exercer o voto obrigatório.

"Há muito controle policial (...) infelizmente este governo não teve inteligência para lidar com a morte, o crime (...) é preciso mão forte", disse à AFP Luis Laguas, 54, enquanto esperava na fila para voto no norte da capital.

Os candidatos presidenciais

O rosto do falecido Villavicencio, ex-jornalista centrista que ocupava o segundo lugar nas pesquisas antes de ser assassinado, aparece nas cédulas junto com outros sete candidatos, pois já estavam impressas quando ele foi baleado por um pistoleiro colombiano.

Ele é substituído na candidatura pelo jornalista Christian Zurita, seu melhor amigo que também foi ameaçado e parceiro em investigações que expuseram grandes escândalos de corrupção. Uma delas levou à condenação do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017) a oito anos de prisão.

“O alívio é uma necessidade ética (...) significa (dizer) olha, vou fazer o possível para honrar a tua palavra, a tua consciência, o teu pensamento, a tua ética, a tua estatura moral”, disse Zurita, 53, em uma entrevista recente à AFP.

Nas antípodas, a presidência é disputada por Luisa González, 45, golfinho de Correa e única candidata do sexo feminino. Embora o Equador esteja proibido de publicar pesquisas, González é o favorito.

O assassinato "exacerbou o sentimento anticorreista" representado pelo candidato falecido, assinala Cahuasquí.

Antes do assassinato, uma pesquisa mostrava Villavicencio atrás de González e depois do ex-atirador e ex-pára-quedista Jan Topic (à direita), do líder indígena Yaku Pérez (à esquerda) e do ex-vice-presidente Otto Sonnenholzner (à direita).

Após o assassinato de Villavicencio, uma nova pesquisa mostrou González ainda na frente e Topic em segundo lugar.

Luto e estado de emergência

O Equador fechou uma curta campanha marcada pela violência política em que também foram assassinados um prefeito, um candidato a deputado e um líder do correísmo local.

Em meio à violência das drogas, surgiu a figura de Topic, 40 anos, apoiada por um setor que clama por mão-de-obra contra as quadrilhas criminosas.

Apelidado de "Bukele equatoriano", esse ex-membro da Legião Estrangeira francesa planeja abrir mais prisões no estilo do presidente salvadorenho.

Atingido pela pobreza (27%) em uma economia dolarizada, com um quarto da população trabalhando informalmente ou desempregada, o Equador viverá raras eleições devido ao estado de emergência com ampla mobilização da força pública que requisitou pessoas na entrada do assembleias de voto.

Gangues ligadas a cartéis mexicanos e colombianos se enfrentam por causa do narcotráfico e usam presídios como centro de operações, onde ocorreram massacres sangrentos. Desde 2021, mais de 430 presos morreram nesses acidentes.

Nas ruas, a violência deixa o recorde de 26 homicídios por 100 mil habitantes em 2022, quase o dobro do ano anterior.

A cientista política Arianna Tanca aponta a divergência entre "aqueles que querem um presidente com mão forte para combater o crime e outros que preferem um presidente que fortaleça o estado de bem-estar para prevenir o crime".

Os equatorianos também votarão em um referendo histórico para conter a exploração de petróleo em uma parte do parque nacional Yasuní Amazonas, enquanto o mundo busca reduzir os combustíveis fósseis e mitigar o aquecimento global.

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