Internacional Médico perde licença por mentir sobre diagnóstico de câncer em crianças para extorquir famílias

Médico perde licença por mentir sobre diagnóstico de câncer em crianças para extorquir famílias

Profissional afastou pais do tratamento gratuito no Reino Unido e fez com que pagassem por exames em sua empresa privada

  • Internacional | Maria Cunha*, do R7

A audiência começou no Medical Practitioners Tribunal Service em Manchester em 2019

A audiência começou no Medical Practitioners Tribunal Service em Manchester em 2019

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O médico Mina Chowdhury, que fez diversos diagnósticos falsos de câncer em crianças há cinco anos, perdeu o registro profissional na última semana no Reino Unido. O objetivo do profissional era assustar os pais dos pacientes para que pagassem por exames em sua empresa de saúde privada.

Em 2017, ele deixou três famílias aterrorizadas pelo bem-estar de seus filhos, alegando que eles poderiam ter doenças graves, incluindo câncer, problemas no coração e no sistema imunológico.

Um tribunal médico ouviu que o consultor pediátrico afastou os pais do tratamento gratuito do NHS (Serviço Nacional de Saúde) e se recusou a deixar os médicos da família saberem qual tratamento seria feito.

O júri do MPTS (Medical Practitioners Tribunal Service) o proibiu de praticar a medicina depois de descobrir que seu comportamento foi "motivado financeiramente".

Ele também deu às famílias uma “sensação injustificada de preocupação sem justificativa clínica” que o júri descobriu ao criticar sua “desonestidade persistente”.

Entenda o caso

O crime ocorreu quando Chowdhury trabalhava para o NHS Forth Valley, que presta serviços na área de Falkirk e Stirling, na Escócia, embora as famílias afetadas tenham feito consultas com o médico enquanto ele trabalhava em um consultório particular.

Uma das famílias chegou a ser informada que a criança tinha câncer na perna e que encaminhá-los de volta ao NHS "seria confuso".

Outra família foi avisada que altos níveis de células B no corpo de seu filho poderiam ser devido a câncer no sangue ou linfoma. O médico indicou um lugar em Londres que oferecia tratamento para a doença, sem qualquer tipo de justificativa clínica, e afirmou falsamente que nenhum lugar da Escócia faria um ecocardiograma, exame considerado simples de ser encontrado e agendado.

O tribunal ouviu que ele também sugeriu um tratamento privado que era "desproporcionalmente caro", sem oferecer um encaminhamento para o NHS.

Outros pais foram surpreendidos com a notícia de que seus filhos deveriam fazer vários exames de sangue, com custo de 3.245 libras (cerca de R$ 20,9 mil), e que eles deveriam viajar para Londres para uma ressonância magnética.

Chowdhury ainda se recusou a escrever uma carta para confirmar seus cuidados e tratamentos para esses pacientes aos seus médicos.

Uma das crianças examinadas tinha apenas 2 anos e meio e o médico indicou a possibilidade de câncer no sangue, o que deixou a mãe em choque. Os exames de sangue da criança voltaram sem alterações, mas ela disse que o falso diagnóstico de Chowdhury a afetou por meses.

William Ginbey, que prestou depoimento, disse que o câncer de sangue é “extraordinariamente improvável” em crianças.

O presidente do MPTS, James Newton-Price, afirmou que "tendo feito descobertas de que o dr. Chowdhury havia feito diagnósticos de câncer sem investigação ou justificativa suficiente e que ele havia recomendado testes e investigações privadas desnecessárias que foram motivadas financeiramente, seguiu-se inevitavelmente que as ações do dr. Chowdhury eram desonestas para os padrões das pessoas comuns".

"O tribunal considerou que a motivação financeira e a desonestidade do dr. Chowdhury, conforme descrito acima, equivaliam a má conduta no exercício de sua prática profissional."

Ele recebeu uma suspensão provisória de nove meses em setembro do ano passado, com o júri se reunindo novamente na sexta-feira, 15 de julho, para determinar sua sanção final. O júri tomou a decisão de apagar seu nome do registro, o que significa que ele não pode mais praticar medicina.

Em sua decisão, o júri disse: "O tribunal determinou que este é um caso em que houve desonestidade persistente em várias áreas que o dr. Chowdhury não reconheceu totalmente nem admitiu totalmente".

Chowdhury tem 28 dias para recorrer da decisão.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Pablo Marques

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