Internacional Nigerianos que fogem da violência na África do Sul deixam o país

Nigerianos que fogem da violência na África do Sul deixam o país

Primeiro voo programado para repatriar 640 nigerianos que são ameaçados pela onda xenofóbica que deixou 10 mortos em setembro decolou hoje

Violência xenofóbica deixou 10 mortos na África do Sul

Violência xenofóbica deixou 10 mortos na África do Sul

Temilade Adelaja/ Reuters - 3.9.2019

O primeiro dos voos programados para repatriar os 640 nigerianos residentes na África do Sul que pediram para deixar o país querendo fugir dos ataques xenofóbicos ocorridos nos últimos dias, decolou nesta quarta-feira (11) de Johanesburgo com destino a Lagos, na Nigéria.

Este primeiro avião, que deixou o Aeroporto Internacional Oliver Tambo com várias horas de atraso devido a problemas com a documentação de alguns dos passageiros, decolou com 317 pessoas, confirmou o ministro das Relações Exteriores nigeriano, Geoffrey Onyeama, em sua conta do Twitter.

As operações de repatriamento continuarão nos próximos dias, até a saída dos 640 imigrantes nigerianos que tenham informado ao consulado de seu país suas intenções de deixar a África do Sul.

Os voos são gratuitos graças a uma iniciativa da empresa privada nigeriana Air Peace, que disponibilizou seus aviões após os episódios de violência.

Onda xenofóbica

A comunidade nigeriana - que é frequentemente associada ao crime na África do Sul - foi precisamente uma das mais afetadas pelos saques e distúrbios xenofóbicos que tiveram início no último dia 1º nas zonas de Johanesburgo e em seu cinturão metropolitano.

Consequentemente, o governo liderado pelo presidente nigeriano Muhammadu Buhari, foi um dos mais críticos aos incidentes, embora a África do Sul também tenha sido o foco de repreensões de muitos outros países africanos, como o Zimbábue, Moçambique e Zâmbia.

O presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, anunciou ontem o estabelecimento de um posto de recepção próximo à fronteira com a África do Sul "para a repatriação voluntária e imediata dos cidadãos diretamente afetados pela onda de violência".

Enquanto isso, nos arredores de Joanesburgo, foram estabelecidos centros que hospedam centenas de pessoas de diferentes nacionalidades - como abrigo temporário para moçambicanos e outro para zimbabuanos à espera de possíveis operações de repatriação - que tiveram que abandonar suas casas pela violência.

No total, 12 mortes foram confirmadas desde o início dos distúrbios, quando lojas de estrangeiros, assim como também de sul-africanos, foram atacadas em diferentes áreas de Johanesburgo.

Entre os mortos, dez são sul-africanos e dois estrangeiros, segundo confirmou ontem a ministra da Defesa do país, Nosiviwe Mapisa-Nqakula.