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Internacional Preocupações russas devem ser levadas a sério, diz China aos EUA

Preocupações russas devem ser levadas a sério, diz China aos EUA

Tensão na fronteira da Ucrânia com a Rússia foi o ponto principal de uma conversa entre os chefes de diplomacia das duas potências

AFP
Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China, acena em entrevista coletiva em Tóquio

Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China, acena em entrevista coletiva em Tóquio

Issei Kato/Reuters - 24.11.2020

A China pediu nesta quinta-feira (27) ao governo dos Estados Unidos que as preocupações de segurança da Rússia a respeito da crise na Ucrânia sejam levadas a sério, durante uma ligação entre os chefes de diplomacia das duas potências.

Na conversa, o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, também exigiu do secretário de Estado Antony Blinken que Washington "pare de interferir" nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim e "pare de brincar com fogo" na questão de Taiwan.

A ligação, a poucos dias da cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno, abordou principalmente a crise na Ucrânia, onde a presença de dezenas de milhares de tropas russas na fronteira provocam temor de uma invasão.

O Kremlin nega ter intenções hostis e justifica a mobilização de seu exército pela preocupação com sua segurança ante a possível expansão da Otan para a antiga zona de influência de Moscou.

"As preocupações razoáveis de segurança da Rússia devem ser levadas a sério e resolvidas", declarou Wang Yi, de acordo com o comunicado divulgado pelo ministério chinês. "A segurança regional não pode ser garantida pelo fortalecimento ou, inclusive, a expansão dos blocos militares."

"Todas as partes deveriam abandonar completamente a mentalidade da Guerra Fria e formar um mecanismo de segurança europeu equilibrado, efetivo e sustentável por meio de negociações", insistiu o ministro.

Ao mesmo tempo, Blinken advertiu o colega chinês para "os riscos econômicos e de segurança global que representa uma agressão da Rússia contra a Ucrânia e concordou que a desescalada e a diplomacia são a maneira responsável de proceder", disse seu porta-voz, Ned Price.

O ministro chinês aproveitou a conversa para advertir o governo dos Estados Unidos contra sua postura a respeito dos Jogos Olímpicos de Pequim, que foi afetada pela rivalidade entre as duas potências e as acusações de violações dos direitos humanos na China.

Estados Unidos e outros países aliados anunciaram um boicote diplomático aos Jogos por essa questão, especialmente pela repressão à minoria muçulmana uigur na região de Xinjiang.

"A prioridade mais urgente agora é que os Estados Unidos parem de interferir nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim", disse Wang. O ministro também pediu que seu colega "pare de brincar com fogo" com Taiwan, uma fonte de grandes tensões entre as duas potências.

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