tragédia brumadinho

Minas Gerais Deputados acusam funcionários da Vale de blindar empresa em CPI

Deputados acusam funcionários da Vale de blindar empresa em CPI

Dois executivos da Vale foram ouvidos, mas depoimentos foram considerados evasivos pelos parlamentares que compõem o colegiado

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7

Parentes de vítimas fizeram protesto em sessão na Assembleia

Parentes de vítimas fizeram protesto em sessão na Assembleia

Divulgação/ALMG/Guilherme Bergamini

Deputados estaduais que compõem a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de Brumadinho, destinada a investigar as causas do rompimento da barragem que deixou cerca de 300 vítimas em janeiro deste ano, acreditam que funcionários da Vale estão sendo orientados a blindar a empresa. 

Nesta quinta-feira (23), mais dois executivos foram ouvidos pela comissão: o gerente-executivo de Planejamento e Programação do Corredor Sudeste, Joaquim Pedro de Toledo e o gerente-executivo de Geotecnia Corporativa, Alexandre de Paula Campanha. Ambos foram presos por duas vezes após o rompimento da barragem, mas receberam autorização do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para responder o processo em liberdade. 

Segundo os deputados, os dois executivos mantiveram a linha de depoimento de seus antecessores, negando que tivessem conhecimento de dados e informações que pudessem ter evitado o rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. 

Joaquim de Toledo confirmou que foi o autor de um email em que dizia que “a (barragem) B1 é mais tenebrosa do que se imagina”. No entanto, negou que isso significasse conhecimento sobre os riscos de rompimento. Segundo ele, o e-mail foi escrito depois de ser informado sobre a existência de um bloco mineral na barragem, mas depois foi esclarecido que tal bloco estava a jusante, e não na estrutura, fato que o teria tranquilizado.

Alexandre Campanha foi taxativo em dizer que a responsabalidade pelo monitoramento e controle das barragens era da gerência de Geotecnia Operacional, cujos funcionários já foram ouvidos pela CPI, quando também isentaram de responsabilidade, a equipe responsável pelo setor.

Eles também disseram que setores diferentes dos seus eram responsáveis por atestar a segurança da barragem, repetindo estratégia evidenciada pelos deputados anteriormente, por meio da qual cada gerência jogaria para outra a culpa, não permitindo que níveis hierárquicos superiores, como diretores da mineradora, sejam implicados.

Críticas

Para o relator da CPI, deputado André Quintão (PT), pelos depoimentos prestados na comissão, é como se o rompimento da barragem não tivesse acontecido. 

- Parece que estamos realizando CPI para apurar fato que não aconteceu. As inconsistências dos piezômetros foram problemas nos aparelhos, o radar era equipamento complementar e sem relevância, o 15º dreno apresentou problemas, mas não era relevante. Bom, mas, apesar de tudo isso, a barragem matou quase 300 pessoas.

Para Sargento Rodrigues, a Vale fez "vistas grossas" a sinais de deterioração da barragem, que vinham se manifestando desde março de 2017. 

A reportagem entrou em contato com a Vale, e aguarda posicionamento da empresa sobre as críticas. 

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