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MG: Vale quer comprar condomínio próximo de barragens em risco

Estudo contratado pela empresa comprovou que atividades da mina Capão Xavier causaram danos na área imobiliária 

Minas Gerais|Ana Gomes, Do R7, e Andréa Silva, Da Record TV Minas

Condomínio fica às margens da BR-040
Condomínio fica às margens da BR-040 Condomínio fica às margens da BR-040

A Vale, proprietária de duas barragens em risco em Nova Lima, tenta comprar um condomínio inteiro de luxo próximo das estruturas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Um estudo comprovou a interferência na área com as atividades de mineração nas intermediações. 

Segundo um ex-morador do local que negociou com a empresa e não quis se identificar, 12 proprietários não fecharam negócio e impediram a transação da área inteira, estimada em R$ 100 milhões. Por meio de nota, a mineradora confirmou que apresentou uma proposta aos condôminos, em 2020, que incluía a compra dos imóveis e indenização às famílias, mas não confirmou a conclusão da compra.

Localizado às margens da BR-040, o Jardim Monte Verde fica próximo das minas Mar Azul, onde estão as barragens B3 e B4, e Capitão do Mato, onde ficam o dique B e a Peneirinha. Ambas precisarão passar por intervenções após o governo de Minas notificar que elas apresentaram ocorrências durante o período chuvoso que devem ser tratadas para evitar prejuízos ao funcionamento. Segundo a pesquisa contratada pela Vale, a “geologia do terreno é mais suscetível a deformações do solo” com a mineração nas proximidades.

Considerado de luxo, o condomínio é composto de 51 lotes, com média de 2.000 m² cada um. De acordo com uma imobiliária que já fez negociações no local, a área tem portaria 24h, salão de festas, quadras, piscina e salão de jogos. Atualmente, imagens mostram que o local está abandonado.

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Indignação de atingidos

Famílias foram retiradas de suas casas
Famílias foram retiradas de suas casas Famílias foram retiradas de suas casas

A notícia da compra do condomínio provocou indignação em outros afastados pela companhia que lutam há anos por indenização. Entre os prejudicados, estão moradores do distrito São Sebastião das Águas Claras, conhecido como Macacos, que tiveram que deixar suas casas por causa do risco do rompimento da mina Mar Azul.

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Em 16 de fevereiro de 2019, várias famílias saíram de suas moradias às pressas após um aviso sonoro indicar a possibilidade de vazamento. O empresário Leonardo Avelar é um dos atingidos. Ele está há três anos morando em um quarto de hotel pago pela Vale, em Belo Horizonte, com a mulher e os filhos, entre eles um bebê de 5 meses.

“Não está fácil. A Vale nem nos procura. A gente não sabe nem quem paga o hotel. Agora, ficamos sabendo da compra do condomínio ao lado do nosso. É uma revolta”, relata.

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A casa de Avelar está abandonada e teve os móveis levados após a evacuação do local. Além dos prejuízos materiais, a família carrega os danos psicológicos.

“Eu não queria sair de lá porque achava que era brincadeira. Minha esposa criou pânico de Macacos. Não quer voltar lá nunca mais”, afirma.

Quanto ao processo de indenizações, a Vale afirma que está “comprometida a indenizar todos os impactados e que os processos de acordo extrajudiciais seguem avançando”. Ainda foi informado pela empresa que todas as famílias realocadas da Zona de Autossalvamento (ZAS) da barragem B3/B4 estão em moradias escolhidas por elas próprias ou hotéis da região. Desde então, as despesas fixas das famílias, como aluguel, IPTU, água e luz), cesta básica e gás são arcadas pela mineradora.

“A todas as pessoas indenizadas, a empresa disponibiliza o Programa de Assistência Integral ao Atingido, que oferece apoio psicossocial, educação financeira, orientações para a compra de imóveis e para a retomada produtiva. Isso permite que as famílias possam planejar o futuro diante das novas condições econômicas e socioambientais", disse a Vale em nota.

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