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Baratas conseguiriam sobreviver a uma guerra nuclear?

Elas são mais resistentes à radioatividade do que os humanos, mas muito provavelmente pereceriam em conflitos atômicos

MonitoR7|Filipe Siqueira, do R7

As chances de sobrevivência das baratas em meio a um conflito nuclear são baixas
As chances de sobrevivência das baratas em meio a um conflito nuclear são baixas As chances de sobrevivência das baratas em meio a um conflito nuclear são baixas

O risco de uma guerra nuclear é o maior em décadas, segundo afirmou um ministro da Rússia em comentário sobre as tensões na campanha militar do país na Ucrânia. Com o tema novamente em discussão, surge uma antiga polêmica: afinal, baratas podem sobreviver a uma guerra nuclear?

A melhor resposta é não, mas a questão é um pouco mais complexa, uma vez que um possível conflito atômico teria diversos desdobramentos.

Baratas são conhecidas justamente pela resistência e por se adaptarem facilmente à convivência com os humanos, que as odeiam há milênios. Elas são rápidas, reproduzem-se sem parar e até vivem sem cabeça por uma ou duas semanas. São capazes também de mudar a vida sexual para não se tornar vítimas de armadilhas de inseticidas.

Por motivos como esses, baratas começaram a ganhar a fama de que sobreviveriam a uma explosão nuclear e exposição posterior à radiação.

Segundo o livro The Cockroach Papers: A Compendium of History and Lore (1999), rumores do tipo provavelmente surgiram de relatos de que a população de insetos permaneceu praticamente intacta em Hiroshima e Nagasaki logo após os ataques atômicos, no fim da Segunda Guerra Mundial.

Em 2012, o programa Mythbusters testou a afirmação e expôs baratas a material radioativo. Embora os insetos da espécie tenham muito mais resistência que os humanos diante da radioatividade, todos eles morreram quando submetidos a níveis mais altos de eletromagnetismo.

Ainda que desmascarado, o mito permanece ligeiramente controverso. Mark Elgar, professor da Escola de Biociências da Universidade de Melbourne, afirmou meses depois que os testes deveriam tentar descobrir também se baratas podem se reproduzir sob intensa radiação — da perspectiva biológica da espécie, isso também significaria sobreviver.

Insetos mais resistentes

Isso não quer dizer que é completamente impossível que insetos sobrevivam caso a humanidade (ou parte dela) seja extinta por um conflito nuclear de larga escala.

De acordo com pesquisas feitas em 1957 pelo doutor J.M. Cork, baratas sobrevivem a cerca de 6.400 rads — unidade de medida que mostra a quantidade de radiação ionizante absorvida por tecidos. Para ter uma base de comparação, cerca de 400 a 1.000 rads matam um ser humano.

Mas outros insetos são MUITO mais resistentes do que ela. O mesmo estudo revelou que uma mosca-da-fruta só morreria com nada menos que 64.000 rads, o que é pouco diante dos 148.000 rads necessários para matar as vespas parasitas do gênero Habrobracon.

Em entrevista ao site Newsweek, em outubro de 2022, Corrie Moreau, professora de biossistemática na Universidade de Cornell, afirmou que, no local onde as bombas explodissem, "realmente nada sobreviveria".

Mas, nas proximidades e em locais periféricos, baratas e outros insetos teriam sim probabilidades de sobreviver — principalmente porque, por questões estratégicas, em uma eventual guerra a grande maioria das bombas atômicas explodiria em cidades e bases militares.

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Segundo o professor Elgar, insetos podem não resistir diretamente a níveis radioativos extremos, mas lidam melhor com as consequências deles. Formigas que se escondem em buracos profundos no solo podem ter chances maiores de sobrevivência, por exemplo.

Mesmo baratas, que vivem na superfície, se escondem em frestas, o que aumenta as chances de sobrevivência contra raios gama, os mais mortais.

Ecossistemas destruídos

Porém, com ecossistemas totalmente destruídos por um inverno nuclear, seria difícil apostar que insetos sobreviveriam sem plantas, organismos e outras fontes de alimentação.

"A realidade é que muito pouco, ou nada, sobreviverá a uma grande catástrofe nuclear; portanto, a longo prazo, não importa realmente se você é uma barata ou não", argumenta o professor Elgar, no site da Universidade de Melbourne.

Explosões nucleares ainda deixariam efeitos permanentes no DNA de todos os animais sobreviventes. Como a radiação não se dissipa, quanto mais alto na cadeia alimentar um animal está, mais radiação ele terá no corpo. Embora a biologia seja capaz de evoluir, é difícil saber quanto ela conseguiria driblar os efeitos destrutivos de níveis extremos de radioatividade.

"A magnitude dos efeitos de uma explosão nuclear é muito maior do que você pode ver em experimentos cuidadosamente controlados e condições de laboratório", finaliza o cientista.

LEIA ABAIXO: Estudo detecta híbridos radioativos de porcos e javalis em Fukushima

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