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Após dez anos, PM acusado de matar jovem no Rio é condenado por homicídio culposo

Júri desclassificou a denúncia que apontava crime doloso (com intenção de matar); decisão revoltou a família de Johnatha Oliveira

Rio de Janeiro|Do R7, com Record Rio

Julgamento do Policial Militar terminou nesta quarta-feira (6)
Julgamento do Policial Militar terminou nesta quarta-feira (6) Julgamento do Policial Militar terminou nesta quarta-feira (6) (Felipe Cavalcanti/ TJRJ/ 07.03.2024)

A Justiça do Rio de Janeiro condenou por homicídio doloso, quando não há intenção de matar, o PM Alessandro Marcelino de Souza, acusado de assassinar um jovem em Manguinhos, na zona norte, em 2014. A pena será decidida pelo Tribunal Militar.

Johnatha de Oliveira Lima morreu aos 19 anos, após ser atingido por um tiro nas costas. A acusação pedia que o agente fosse condenado por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. A decisão revoltou os familiares do jovem.

À época, a corporação afirmou que o Johnatha teria feito disparos contra a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da comunidade. A família nega.

Ao todo, nove testemunhas foram ouvidas: cinco de acusação e outras quatro de defesa. Os PMs que faziam parte da guarnição testemunharam a favor do cabo.

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Contradições

Em depoimento, a sargento Larissa Elaine da Rocha, responsável pela equipe, disse que viu Johnatha usar uma pistola para atirar contra os policiais. Segundo o MP, na audiência Larissa negou ter visto o jovem armado.

Já o réu, durante o interrogatório, afirmou ter usado uma pistola para atirar sete vezes contra três homens que encurralaram a guarnição, mas não teria visto se alguém foi atingido. À época, na delegacia, ele negou ter efetuado disparos.

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Questionado pelo Ministério Público, o PM afirmou que estava sem defesa e teria respondido somente o que foi questionado. “Perguntaram apenas se havia atirado de fuzil e eu disse que não”, justificou.

No julgamento, o cabo também disse que não havia populares no local e que atirou contra uma pessoa que estava atrás de um poste.

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Novamente, a promotoria apontou uma possível contradição, já que ele teria dito, na delegacia, que cerca de 70 pessoas estariam hostilizando a equipe.

“Não me lembro de ter dito isso. A multidão apareceu depois e atacou a base da UPP”, corrigiu.

Mãe do jovem, Ana Paula Oliveira fez uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do Rio, na última terça-feira (5)
Mãe do jovem, Ana Paula Oliveira fez uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do Rio, na última terça-feira (5) Mãe do jovem, Ana Paula Oliveira fez uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do Rio, na última terça-feira (5) (Tomaz Silva/ Agência Brasil)

Família nega versão

De acordo com informações da RECORD, os familiares afirmaram que a vítima havia saído de casa para levar uma sobremesa até a residência da avó.

Na volta, teria se deparado com uma confusão entre moradores e policiais.

PM diz que cabo foi afastado das ruas e responde por procedimento na Corregedoria

Um ano antes da morte da vítima, o PM chegou a ser preso por um triplo homicídio, em Queimados, na Baixada Fluminense, mas foi solto e voltou a trabalhar nas ruas.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que Alessandro foi submetido a um procedimento apuratório instaurado pela Corregedoria, que vai avaliar se ele permanecerá na corporação. O cabo está afastado de funções externas.

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