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Idosa que morreu afogada em carro após enchente tinha ido comprar remédio para sobrinha PCD 

Segundo a Polícia Militar, a mulher se afogou e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Ela chegou a ser resgatada, mas não resistiu

São Paulo|Letícia Assis, da Agência Record

Naide Capelano tinha 88 anos
Naide Capelano tinha 88 anos Naide Capelano tinha 88 anos

A idosa, identificada como Naide Pereira Capelano, de 88 anos, que morreu no fim da tarde de quarta-feira (8) em seu carro durante a enchente que atingiu Moema, na zona sul de São Paulo, havia saído de casa para buscar remédio para a sobrinha, que é PCD (Pessoa com Deficiência Física).

Segundo informações de uma amiga da vítima, essa sobrinha de Naide morava com ela. Durante o trajeto, a vítima foi surpreendida pelo alto volume de água, na região da rua Gaivota, e não conseguiu sair do veículo.

A Polícia Militar afirmou que a mulher teria se afogado e sofrido uma parada cardiorrespiratória. Ela chegou a receber os primeiros-socorros do Corpo de Bombeiros, porém não resistiu ao trauma.

Vítima bateu no vidro para pedir ajuda

Uma moradora de um prédio próximo revelou que havia outros motoristas dentro de veículos na mesma rua, entre eles uma BMW blindada, mas os condutores conseguiram abandonar os automóveis e fugiram.

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Naide, que estava dentro de um Peugeot 206 preto, chegou a bater no vidro para pedir ajuda, mas não foi ouvida por pessoas próximas.

De acordo com o repórter Eder Fritsch, que esteve no local, moradores e comerciantes da região afirmaram que a água chegou a atingir cerca de 2 metros de altura.

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Adriana, síndica de um prédio em frente ao local onde a idosa morreu, disse que estava em seu primeiro dia de trabalho à frente do residencial quando teve o carro, um Hyundai HB20 prata, arrastado pelas chuvas.

Alagamentos constantes

Moradores do bairro afirmam que, em poucos meses, essa é a quarta vez que a rua fica alagada devido às fortes chuvas que atingem a região.

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Um restaurante, localizado na mesma via, teve um prejuízo financeiro após ter diversos móveis como cadeiras, sofás e brinquedos arrastados pela enxurrada.

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Duas viaturas do Corpo de Bombeiros e viaturas da 2ª Companhia do 12° Batalhão da Polícia Militar prestaram apoio.

O caso foi apresentado no 27° Distrito Policial do Campo Belo, que se limitou a confirmar o registro da ocorrência devido à troca de plantão.

A reportagem solicitou um posicionamento para a prefeitura de São Paulo sobre as destruições causadas pelas chuvas, que explicou que o "bairro de Moema se encontra com alta incidência de nascentes e córregos, a maioria canalizada. Com isso, a região está em uma área baixa em comparação com seus arredores".

"SIURB trabalha na elaboração da licitação para as obras do Reservatório do Córrego Paraguai-Éguas. Ele será construído na Praça Juca Mulato. O edital será lançado em breve", afirmou. — Veja a nota da prefeitura na íntegra.

"A Subprefeitura Vila Mariana esclarece que o bairro de Moema se encontra em uma área de várzea, ou seja, uma zona com alta incidência de nascentes e córregos, a maioria canalizada. Somado a isso, a região está em uma área baixa em comparação com seus arredores.

Justamente por isso, a SIURB trabalha na elaboração da licitação para as obras do Reservatório do Córrego Paraguai-Éguas. Ele será construído na Praça Juca Mulato. O edital será lançado em breve. Além de estudar a implantação de um novo reservatório para contenção das águas do Córrego Uberabinha. A previsão é que, até o final de março, estejam definidos o local de construção bem como o orçamento, o que possibilitará o desenvolvimento do projeto.

O Córrego Uberabinha está canalizado há pelo menos 50 anos, mas a Siurb, em parceria com a Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH) da USP, publicou o Caderno de Drenagem referente a esse córrego. É um estudo que mostra a atual situação da bacia hidrográfica e quais as ações podem ser tomadas pelo poder público para mitigar os pontos críticos.

Quando acontecem eventos com chuvas fortes como de ontem (08/03), atingindo 67,2 mm na região de Moema, a água escorre de outros locais para o bairro e encontra as águas endêmicas da região, o que sobrecarrega o sistema de águas pluviais e, em consequência, provoca alagamentos. Isso é ainda mais evidente ao observar que o fenômeno acontece e se dispersa rapidamente.

Serviços de limpeza

Há um cronograma de limpeza manual de bueiros em locais sensíveis a alagamentos, que recebem o serviço no mínimo uma vez por semana, além da limpeza imediata após alagamentos, a fim de remover detritos arrastados pelas águas. Isso compreende a Av. Ibijaú, Rua Gaivota e seus arredores.

De 01 de fevereiro até 07 de março as Avenidas Ibirapuera e Ibijaú, Rua Gaivota e Praça Mário Pontes Alves tiveram seus bueiros limpos 239 vezes. Em fevereiro na Av. Ibijaú foram 15 bueiros no dia 01, 12 no dia 08, 29 no dia 15 e 6 no dia 22. Na Av. Gaivota no mesmo mês foram 16 bueiros no dia 01, 12 no dia 08, 6 no dia 15 e 26 no dia 22. Em março, o serviço foi realizado no dia primeiro, totalizando 15 bueiros na Ibijaú e 26 na Gaivota. A região também sofreu intervenções pontuais, fora do cronograma, a qual somaram 3 limpezas na Ibijaú e 5 na Gaivota.

A limpeza mecanizada com hidrojato realizou seus serviços nos endereços citados no dia 06 de janeiro de 2023. Na Av. Ibijaú foram vistoriados e desobstruídos bueiros na altura dos números 45, 83, 188, 269 e 405. Na Av. Gaivota os números foram 879, 886, 897, 916, 917, 960, 979 e 988.

A manutenção e zeladoria permanentes na região também garantem o escoamento rápido das águas da chuva. As equipes da Subprefeitura Vila Mariana retornaram na manhã desta quinta-feira (9) aos locais atingidos para dar prosseguimento aos serviços de limpeza e zeladoria. A administração regional informa que as vias estão desobstruídas e livres para circulação."

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