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Internacional

22/5/2013 às 00h30

Consumidor quer saber de onde vêm as roupas que veste

Desastre em Bangladesh, que matou mais de mil pessoas, estimulou mudanças no comportamento do consumidor e dos vendedores de roupas

Um grupo de grandes lojas, incluindo algumas que têm histórico controverso de manufatura no exterior, como Nike e Wal-Mart, afirma estar desenvolvendo um índice que inclui medidas trabalhistas, sociais e ambientais Michal Czerwonka/The New York Times

A revolução que tomou conta do setor alimentício se expandiu para o comércio: a origem importa, e muito.

Agora que o café de comércio justo e as frutas orgânicas viraram padrão nas prateleiras, os consumidores preocupados com as condições de trabalho, os temas ambientais e a terceirização passaram a exigir que suas camisetas sigam o mesmo padrão ‒ e o que originou essa mudança foi o desabamento do prédio de uma confecção em Bangladesh onde morreram mais de mil pessoas.

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Algumas lojas estão fazendo o que já foi considerado impensável: fornecer informações sobre como e onde seus produtos são feitos.

A boutique on-line Everlane recentemente acrescentou ao seu site a descrição de onde seus produtos são feitos.

A Nordstrom diz que planeja acrescentar informações sobre suas roupas, feitas em condições dignas de trabalho.

A loja virtual revela o número de trabalhadores envolvidos na produção de cada item e o custo de cada componente, enquanto a confecção pretende anunciar as origens de seus robes quando a Bed Bath & Beyond começar a vendê-los, ainda este mês.

E um grupo de grandes lojas, incluindo algumas que têm histórico controverso de manufatura no exterior, como Nike e Wal-Mart, afirma estar desenvolvendo um índice que inclui medidas trabalhistas, sociais e ambientais.

Novas pesquisas indicam um consumidor cada vez mais interessado em saber como e onde os bens são produzidos. Um estudo feito em 2012 por professores do MIT e de Harvard mostraram que alguns deles, mesmo os que estavam atrás de preços mais baixos, embora não se mostrassem dispostos a pagar mais, acabaram fazendo isso só porque as roupas traziam um selo que garantia uma prática trabalhista justa.

"É cada vez maior a demanda por produtos feitos em condições dignas", diz Ian Robinson, professor e pesquisador da Universidade de Michigan que se dedica a temas trabalhistas. Os consumidores "não recebem as informações de que precisam e estão incomodados com isso".

O desabamento da confecção em Bangladesh no fim de abril acrescentou mais urgência ao movimento, o que se confirma pelo volume de perguntas e questionamentos de clientes preocupados que chegam às lojas.

"Todo mundo compra e se veste todos os dias, mas ninguém nem imagina de onde as roupas vêm", afirma Michael Preysman, CEO e fundador da Everlane. "Aos poucos, o público está começando a se conscientizar de que deve buscar as origens desses produtos."

As grandes lojas há muito se recusam a divulgar o processo inteiro, alegando que a terceirização é complexa demais – um suéter feito na Itália pode ter linha, lã e tintura de outros países, por exemplo. Além disso, a proteção do ambiente de trabalho é cara e roupas baratas, não importa onde ou como são feitas, vendem de qualquer maneira, como H&M, Zara e Joe Fresh mostram com sua rápida expansão.

Os defensores da correção trabalhista observam que o apetite do consumidor por mais informações pode começar a incomodar as lojas que são menos transparentes. Nas últimas semanas, vários políticos ‒ incluindo a chanceler alemã Angela Merkel ‒ e grupos ativistas aproveitaram a tragédia para pedir a adoção de padrões e certificações de comércio justo. Em resposta direta ao desastre de Bangladesh, a Everlane acrescentou ao seu site informações sobre as fábricas onde suas roupas são feitas. "Esse ateliê fica a dez minutos de nosso escritório de Los Angeles", informa a descrição de uma das camisetas. "O Sr. Kim, o dono, está no setor de confecções da cidade há mais de trinta anos".

A Everlane disse que, em breve, passará a discriminar os custos de toda a produção, além de fotos das confecções e informações sobre o processo.

Preysman diz que a Everlane há tempos vem recebendo perguntas "sobre as fontes de matéria-prima de seus produtos e as condições de trabalho de seus fornecedores". É uma ciência inexata, diz ele, mas acrescenta que procura fábricas que tenham certificações de organizações estrangeiras independentes e coloca seus executivos em contatos com os donos para ver se são pessoas "decentes".

A Nordstrom disse que passou a fornecer informações sobre suas fábricas por causa dos telefonemas dos clientes ‒ e segundo sua porta-voz, Tara Darrow, quer ir mais além. Se seu site especifica quais produtos são ecologicamente corretos, por que não fazer o mesmo em relação aos trabalhadores? "Ouvir a opinião dos clientes e saber que eles se importam, sem dúvida, nos estimula a trabalhar mais e melhor", conclui ela.

Vários grupos estão trabalhando para definir novos padrões trabalhistas para o setor de confecções.

A Coalizão de Roupas Sustentáveis, que inclui nomes como Nike, Wal-Mart, Gap, J.C. Penney e Target, vem testando um índice chamado Higg, lançado no ano passado com objetivos ambientais, mas a nova versão, que deve sair até o fim do ano, deve incluir medidas sociais e trabalhistas.

O grupo foi formado em 2011 para criar um padrão único de sustentabilidade e práticas trabalhistas e não para "criar remendos" ‒ um verdadeiro desafio, já que algumas das empresas que apoiavam o tal índice tiveram muitos problemas: o Wal-Mart contratou mão-de-obra que trabalhava na fábrica Tazreen, destruída num incêndio em Bangladesh que matou 112 pessoas em novembro; a Gap, Target e Penney produziram peças em outras confecção, também em Bangladesh, onde um incêndio matou trinta trabalhadores em 2010 e a Nike, que chegou a ser boicotada por causa das péssimas condições de trabalho em que suas roupas e acessórios eram produzidos, foi uma das primeiras a ser pressionada para liberar informações sobre as fábricas com que trabalhava.

Por enquanto, o índice é apenas para o uso interno das companhias, mas Jason Kibbey, diretor da coalizão, disse que o objetivo era informar os consumidores também, através de um selo, da Internet ou de um aplicativo. Já ativistas como Scott Nova, diretor do Worker Rights Consortium, acham que a autorregulação seria ineficiente.

Consumidores como Lauri Langton, de Seattle, pretendem questionar as lojas ainda mais. "Eu quero poder saber de cara onde o produto foi feito, assim não vou sair de mãos abanando e comprar o que quero, sabendo que foi produzido em condições dignas de trabalho. Esse poder inegável é meu e vou exercê-lo."

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