Exército autoriza que policiais comprem arma restrita

A permissão, segundo o exército, aconteceu por solicitação das categorias

Aval foi concedido pelo comando do Exército
Aval foi concedido pelo comando do Exército Divulgação/Taurus

O Exército autorizou policiais militares e civis a comprarem pistolas 9 mm, arma até então de uso restrito das Forças Armadas. O aval foi concedido pelo comando da instituição por meio de uma portaria do dia 8 de agosto de 2017.

A permissão, segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, aconteceu por solicitação das categorias.

A aquisição de armas de calibre restrito por policiais já era autorizada pela Portaria nº 1042 de 10 de dezembro de 2012, sendo que a Portaria nº 967 incluiu mais um calibre restrito: o 9 mm.

A Portaria nº 967 autoriza a aquisição de armas de fogo, de uso restrito, na indústria nacional, para uso particular. A portaria permite a compra do armamento, não cabendo ao Exército Brasileiro a concessão de autorização para o porte do mesmo, mas sim às Polícias Militares.

O Exército afirma que o calibre 9 mm tem potência inferior aos que eram autorizados pela Portaria nº 1042. Além disso, diversos órgãos policiais têm, em sua dotação institucional, o novo calibre autorizado.

Bruno Langeani, coordenador do Instituto Sou da Paz questiona a autorização do Exército. 

— O argumento de que a arma 9 mm vai ajudar o policial em sua segurança é bastante falacioso. Nós acabamos de soltar uma pesquisa sobre vitimização de policiais aqui em São Paulo e a maior parte dos policiais que morrem na folga estão armados. Não é trocando o calibre da arma que os policiais terão mais segurança.

A pesquisa do Instituto Sou da Paz, publicada em junho deste ano, analisou 68 homicídios de policiais e apontou que 69% (47) dos agentes assassinados por disparos de arma de fogo no Estado de São Paulo estavam armados no momento de sua morte.

Em entrevista ao R7, o ex-secretário Nacional de Segurança Pública, coronel José Vicente da Silva afirmou que essa é mais uma opção para os policiais adquirirem armas e que esse é um armamento mais moderno para que os agentes possam se defender.

— Pois, mesmo de folga, o policial é alvo de bandido. Aqui, como não há uma punição especial [para quem mata policiais], eles têm que se defender. O único problema é que o Estado deveria dar a arma para esse policial.