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Alvo de denúncias, Juscelino Filho terá de dar explicações ao Planalto e tem futuro incerto no governo

Ministro filiado ao União Brasil causou desconforto no governo após acusações de irregularidades em uso de aviões da FAB

Brasília|Do R7, em Brasília

Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, em reunião no MCom - 30/1/2023
Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, em reunião no MCom - 30/1/2023 Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, em reunião no MCom - 30/1/2023

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, vai precisar explicar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre viagens em aviões da FAB e recebimento de diárias no mesmo fim de semana em que participou de leilões de cavalos de raça. O petista chamou o ministro para uma conversa no Palácio do Planalto na próxima segunda-feira (6).

"Se ele não conseguir provar a inocência, ele não pode ficar no governo", afirmou o presidente em uma entrevista na última quinta-feira (2). A reunião deve ocorrer no fim da tarde da segunda, assim que Juscelino voltar a Brasília. Ele está na Espanha, onde participa de um congresso sobre telecomunicações.

A assessoria do ministro informou que não vai se pronunciar sobre a reunião com o presidente Lula. No entanto, rebateu as acusações de irregularidades. Em comunicado divulgado na quinta-feira (2), o ministério informa que Juscelino Filho devolveu as diárias e determinou "apuração imediata sobre os procedimentos administrativos que foram adotados relacionados às viagens".

"Cabe esclarecer que no referido final de semana subsequente ao cumprimento da agenda oficial, o ministro usufruiu, sim, do seu direito de praticar atividades de foro particular em São Paulo", alega a pasta. "É inaceitável aventar qualquer prática ilegal, tampouco imoral da autoridade pública ao desfrutar do seu período de folga para participar de qualquer compromisso", completou.

O desconforto do governo com o ministro não é recente. Juscelino foi o último ministro a ser escolhido e assumiu a pasta na Esplanada apadrinhado pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), na cota de ministérios exigidos pelo União em troca do apoio do partido no Congresso, já que o União Brasil tem 59 deputados na Câmara e 9 cadeiras no Senado. 

Inicialmente, Lula ofereceu dois ministérios à legenda, mas acabou cedendo e designando três pastas ao União. Além das Comunicações, o partido ficou com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (Waldez Góes) e com o Ministério do Turismo (Daniela Carneiro).

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Apesar da sinalização de apoio, o União tem dado trabalho ao governo Lula. O partido é resultado da fusão entre Democratas e PSL, legenda de direita à qual Bolsonaro foi filiado. 

Interlocutores do governo afirmam que as alianças com o União Brasil não foram bem costuradas, já que privilegiaram as indicações de Alcolumbre, ao invés de negociarem com o presidente do partido, o deputado federal Luciano Bivar.

Outras polêmicas

Juscelino Filho se envolveu em outros episódios controversos no início do governo. O primeiro foi a repercussão sobre a utilização de R$ 16 milhões do Orçamento Secreto em 2022. As RP9, como são chamadas as emendas de relator, foram criticadas pelo presidente Lula pela ausência de transparência e de regras claras para a distribuição dos recursos.

A maior parte desses recursos foi destinada a uma cidade no interior do Maranhão, onde a família de Juscelino fez carreira política.

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Em janeiro também repercutiu a notícia de que o ministro usou uma lista falsa de passageiros para prestar contas à Justiça Eleitoral. Ao todo, foram gastos R$ 358 mil do Fundo Eleitoral em sua campanha à Câmara dos Deputados.

Na época, a defesa do ministro negou as acusações. Ao R7, o ministro Juscelino Filho respondeu que "as contas referentes à campanha eleitoral de 2022 foram aprovadas, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão".

O ministro também foi denunciado à Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposto tráfico de influência que envolve uma empreiteira investigada por fraudes em licitações. A representação foi apresentada pelo deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS).

Segundo o parlamentar, o ministro teria atuado junto à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) para favorecer empreiteira ligada a políticos e apontada como integrante de um cartel com envolvimento em desvios de recursos.

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