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Após pedido de Pacheco, reforma tributária volta à pauta da CCJ

Presidente do Congresso tenta que proposta siga ao plenário da Casa, mas matéria ainda não tem consenso entre os senadores

Brasília|Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

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Senador Davi Alcolumbre (à esquerda) e presidente do Senado, Rodrigo Pacheco
Senador Davi Alcolumbre (à esquerda) e presidente do Senado, Rodrigo Pacheco

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça(CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautou para esta terça-feira (30) a discussão da reforma tributária, uma proposta de simplificação tributária. A matéria é discutida pelos parlamentares desde o ano passado, mas ainda tem grande resistência na comissão, o que impediu o andamento na Casa. O texto volta à discussão após pedido do presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para que a proposta siga para discussão em plenário. Nesta semana, o Senado vai estar em esforço concentrado, com análise de indicação de autoridades, e a expectativa é que o quórum alto seja suficiente para levar o assunto ao plenário.

A reportagem apurou, no entanto, que o projeto segue sem acordo na CCJ, e que a sessão desta terça deve ser marcada, mais uma vez, por intensas discussões. Para evitar novos adiamentos da votação da proposta na comissão, Pacheco tem se reunido com Alcolumbre e outros senadores para discutir a matéria. Foram ao menos dois encontros nos últimos dias. Um deles ocorreu na residência oficial do Senado em busca de consenso. 

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Nos bastidores, os titulares da comissão comentam que Pacheco tem sido pressionado para aprovar a matéria ainda neste ano. A medida é um dos desafios em ano de eleições majoritárias, já que o Congresso começa a ficar mais esvaziado após o recesso de julho, devido às campanhas eleitorais.

Líder do bloco do PSDB e Podemos, o senador Lasier Martins (Podemos-RS) afirma que a tendência de maior parte do Podemos é votar a favor da reforma, mas ele destaca que a matéria divide opiniões. Os senadores da sigla vão se reunir na manhã desta terça-feira (31), pouco antes do início da sessão da CCJ. "Vamos ter uma conversa para alinhar um posicionamento", explica.

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Também do Podemos, legenda que tem três titulares e três suplentes na comissão, o senador Oriovisto Guimarães (PR) é contra o projeto. "Não podemos dar o remédio errado. Já apresentamos outras sugestões, mas estão insistindo nessa coisa que não tem nem pé nem cabeça. Eu não vou apoiar nunca essa reforma."

A última vez que a matéria entrou na pauta da comissão foi no dia 6 de abril, justamente em uma semana de esforço concentrado, junto com o projeto de lei que flexibiliza as regras e o acesso a armas para colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs). A sessão foi cancelada por falta de quórum, apesar de os senadores estarem em peso no Senado. 

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Não tem consenso numa matéria dessas. É claro que não. Vai no voto. Entendeu%3F Tem hora que você tem que esgotar e fazer escolha. É voto. E o cara justifica por que vota contra. Pronto

(Relator da reforma tributária, senador Roberto Rocha, no dia 16 de março)

O esvaziamento na reunião foi uma manobra de obstrução de boa parte dos senadores para evitar a análise da reforma e do projeto dos CACs. A ocasião era uma aposta de Pacheco para conseguir levar a reforma ao plenário do Senado, mas a proposta não teve andamento na CCJ.

No último dia 12, após se reunir com os secretários estaduais da Fazenda, no gabinete da Presidência, Pacheco voltou a falar sobre a reforma, ressaltando que a proposta era uma das soluções dadas pelos secretários para o controle do preço dos combustíveis. O presidente do Congresso admitiu que uma reforma tributária em ano eleitoral não é simples, mas destacou que, quando foi aberto o ano legislativo, ele disse que haveria um esforço "para separar o ano eleitoral e os interesses eleitorais dos interesses da pauta política necessária para o país".

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"Dentro dessa pauta política necessária para o país está a reforma tributária. Acredito que possa ser aprovada. O conceito, os parâmetros, os preceitos dessa PEC 110, depois de muito debate ao longo de anos, são parâmetros adequados e eu considero que o Senado tem que cumprir essa missão", disse, frisando que o assunto seria pautado "nas próximas semanas" na CCJ. De lá para cá, ele manteve o diálogo constante com Alcolumbre.

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O principal ponto da reforma é a junção de tributos, com o estabelecimento do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) dual com sistema eletrônico de cobrança, para trazer uma "unificação da base tributária do consumo". O IVA é dual porque cria um tributo federal, chamado de CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que envolve PIS, Cofins e IPI; e outro IVA para estados e municípios, intitulado IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que envolve a unificação do ICMS e do ISS. Como impacta a tributação em diversos serviços, desagrada a diferentes segmentos.

O último relatório foi apresentado por Roberto Rocha (PTB-MA) no dia 16 de março, após um pedido de vista coletivo, acolhendo emendas de alguns senadores. O parlamentar não vai apresentar novo relatório, para evitar um novo pedido de vista, mas já avisou que fará ajustes no texto. 

Imbróglio na CCJ

A proposta chegou à comissão em outubro, mas é alvo de resistência por parte de municípios e de alguns setores. No fim do ano, na sessão do dia 8 de dezembro, houve intensa discussão quando o relator Roberto Rocha tentou fazer a leitura do relatório. "Custo a acreditar qual a razão para negar a leitura de um relatório feito há três anos", afirmou na época. Alcolumbre manteve para este ano a análise e a leitura.

A última vez que o assunto foi debatido na comissão foi no dia 16 de março, quando Rocha apresentou o novo parecer com acolhimento de emendas. A matéria ainda é alvo de resistência. De maneira geral, os senadores afirmaram que o texto poderia gerar insegurança e redução de investimento.

No MDB, por exemplo, a senadora Simone Tebet (MS), que falou pela liderança da bancada no dia 16, cobrou reajustes para votar o projeto. O senador Fernando Bezerra (MDB-PE) afirmou que o texto vai gerar insegurança jurídica e desinvestimento, sendo necessário aprofundar a discussão. Bezerra, ex-líder do governo no Senado, disse que o relatório afeta o setor dos serviços de forma sensível e não acolhe as demandas dos serviços de maneira adequada.

Senadores que defendem cooperativas questionam o projeto e dizem que o texto pode ser prejudicial aos grupos. Além disso, diversos parlamentares afirmam que o projeto é complexo e que não deve ser votado no fim do mandato presidencial. A questão foi rebatida por Rocha na sessão do dia 16, dizendo que o argumento "é falta de informação ou má-fé."

Após o fim da sessão daquele dia, Rocha conversou com a imprensa e disse que não faria mais alteração no relatório. Na ocasião, questionado pelo R7, o senador admitiu que a matéria não teria consenso. "Não tem consenso numa matéria dessas. É claro que não. Vai no voto. Entendeu? Tem hora que você tem que esgotar e fazer escolha. É voto. E o cara justifica por que vota contra. Pronto", disse.

Prefeitos

Diante da possibilidade de o assunto ser votado na CCJ nesta terça-feira (31), a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), a Associação Brasileira das Secretarias de Finanças das Capitais (Abrasf) e o Fórum Nacional de Secretários Municipais de Fazenda e Finanças emitiram uma nota conjunta sobre a reforma.

"A proposta torna a tributação mais complexa, por colocar todas as empresas prestadoras de serviço no modelo do ICMS, evidentemente mais complicado e com custos mais altos de apuração. Estudos técnicos apontam que o IVA retira dos municípios cerca de R$ 354 bilhões em 15 anos. Ou seja, cerca de R$ 23,6 bilhões por ano, o que equivale a mais do que o total investido, por ano, pelo conjunto dos municípios em assistência social."

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