Brasília Depois de não responder a convite para depor sobre espionagem ilegal, Ramagem será intimado

Depois de não responder a convite para depor sobre espionagem ilegal, Ramagem será intimado

Ex-diretor-geral da Abin é investigado por suposto esquema que mirava adversários do ex-presidente Jair Bolsonaro

  • Brasília | Natália Martins, da RECORD

Ramagem será intimado a depor na Polícia Federal

Ramagem será intimado a depor na Polícia Federal

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados — 7.7.2021

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e principal alvo da Operação Última Milha, que investiga um suposto esquema de espionagem ilegal que usava a estrutura da instituição, deve ser intimado a depor na Polícia Federal. A informação foi repassada à RECORD por fontes da corporação.

Ramagem foi "convidado" a depor no dia da operação que teve ele como alvo, mas não compareceu para depor. Quando for intimado — ainda sem data prevista — ele terá 3 dias para prestar depoimento. 

De acordo com pessoas ouvidas na cooperação, a ideia é deixar para intimar os suspeitos quando o inquérito já estiver mais adiantado e existirem mais indícios e provas colhidas.

A operação


Na última quinta-feira (25), Ramagem foi alvo de buscas e apreensões em endereços ligados a ele na Operação Última Milha. Na ocasião, os agentes estiveram, por exemplo, no gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados e no aparamento funcional, ambos em Brasília.

A suspeita é de uso irregular de um sistema da Abin para monitorar autoridades brasileiras, jornalistas e advogados, esquema que começou a ser investigado em 2023. De acordo com a apuração, o programa First Mile permitia o monitoramento de milhares de pessoas — e teriam sido feitos 60 mil acessos a ele em dois anos e meio.

Segundo a PF, para acionar o sistema de geolocalização e ter acesso às informações das pessoas, bastava digitar o número do celular. A aplicação também criava históricos de deslocamento e alertas em tempo real da movimentação dos aparelhos cadastrados.

Entre os monitorados ilegalmente, estariam os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Morais, além de Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados.

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