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Quatro pessoas são vítimas de estelionato amoroso por mês no DF

Entre janeiro de 2022 e abril deste ano foram 66 ocorrências, segundo a Polícia Civil; mulheres são as maiores vítimas

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

Homem e mulher de mão dadas
Homem e mulher de mão dadas Homem e mulher de mão dadas

Um relatório da Polícia Civil aponta que, a cada mês, pelo menos quatro pessoas são vítimas de estelionato amoroso no Distrito Federal. A média é resultado do total de 66 ocorrências registradas entre janeiro de 2022 e abril deste ano.

Os dados mostram ainda que Ceilândia, Taguatinga e Brasília são as regiões com mais casos.

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Mulheres entre 25 e 30 anos são as maiores vítimas desse tipo de crime no Distrito Federal. Segundo a polícia, no período de 16 meses os homens representaram 16% dos casos, com maior incidência entre 46 a 50 anos.

O estelionato sentimental ocorre quando uma pessoa tenta obter vantagem ilícita sobre uma relação afetiva, se aproveitando do relacionamento para conseguir bens. “O autor envolve a vítima de uma maneira que ela entenda que está em um relacionamento amoroso, e ela acaba concedendo uma vantagem financeira”, disse a delegada Ana Carolina Andrade.

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Segundo a advogada criminalista Giovanna Ghersel, as ações são tipificadas como crime a partir do momento em que a vítima é induzida ao erro para que entregue bens e/ou dinheiro. 

Na prática vemos isso em relações que o criminoso finge estar com necessidade financeira e pede para a vítima ajudá-lo%2C sempre com a promessa que esse dinheiro será devolvido

(Giovanna Ghersel, advogada criminalista)

O estelionato

Na maior parte dos estelionatos amorosos, o golpista se passa por uma pessoa fictícia, contou a delegada-chefe da Delegacia da Mulher, Ana Carolina Andrade. Nestes casos, o estelionatário procura se relacionar com uma pessoa através das redes sociais, sem que ocorra um encontro presencial.

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Em outras ocorrências, a delegada afirma que também existem casos onde a vítima convive com o criminoso. Ainda de acordo com a delegada, nesse contexto o golpista pode responder pela Lei Maria da Penha. 

Em agosto do ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que altera o Código Penal para criar o crime de estelionato sentimental, o texto continua em tramitação no Senado.

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Vítimas

Em março deste ano, um sargento do Corpo de Bombeiros passou a ser investigado por suspeita de aplicar golpes de estelionato amoroso em pelo menos três mulheres no Distrito Federal. Na época, uma das vítimas afirmou à polícia que o homem de 38 anos pedia transferências de dinheiro, jantares e viagens, com o pretexto de que pagaria depois.

Segundo os relatos, além do estelionato, elas sofreram violência psicológica e ameaças. Uma das mulheres chegou a afirmar que durante o período que se relacionou com o sargento, ele apresentava comportamentos abusivos e possessivos.

Ao R7, outra vítima disse que no início do relacionamento, o sargento não chegava a pedir dinheiro, mas se relacionava com diversas mulheres ao mesmo tempo. Após um período de separação, o homem começou a pedir que a vítima pagasse a fatura do cartão de crédito, além de dinheiro para a construção de uma casa.

Em um dos casos, o bombeiro chega a depreciar a vítima após não conseguir retirar na loja uma blusa que ele pediu para que ela pagasse. Em mensagens enviadas à mulher, o sargento manda ela buscar a roupa e afirma que a vítima “sempre faz algo errado”.

Para a psicóloga Marina Leite, quando a pessoa entra em um relacionamento, é comum que pense que terá confiança mútua. “O próprio envolver do golpista já pode ser convincente e seduzente a ponto de prender a vítima a ele mesmo. O golpista é tão envolvente que a vítima pode não notar os sinais que deveriam fazê-la se afastar”, explicou a psicóloga.

Justiça

No ano passado, a Justiça do Distrito Federal condenou um homem a indenizar em R$ 27 mil a ex-namorada por estelionato sentimental. Segundo o tribunal, o homem chegou a enganar a vítima com a proposta de um casamento em troca de presentes e empréstimos.

Na época, o juizado entendeu que o homem se valeu dos sentimentos da vítima, envolvendo ela com declarações, e da confiança amorosa típica de um casal, além de promessas. Entre as falsas promessas, a de um futuro casamento. Segundo a corte, o estelionatário induziu e manteve a vítima em erro, com o intuito de obter vantagens.

Em outro caso, um homem foi condenado a pagar mais de R$ 100 mil à ex-namorada por se aproveitar do relacionamento para conseguir vantagem financeira. O golpista chegou a fazer diversos pedidos de empréstimos financeiros, pedidos de créditos de celular e compras usando o cartão de crédito da vítima.

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