Folha Vitória "Vi que ela ia passar por cima da gente", relatou motoboy ferido em acidente em Guarapari

"Vi que ela ia passar por cima da gente", relatou motoboy ferido em acidente em Guarapari

O motoboy contou que no dia da colisão estava trabalhando fazendo entrega de correspondências

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Foto: Leitor/Marcos Santos
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O motoboy que sobreviveu ao acidente após uma briga de trânsito em que uma motorista de carro arrastou ele e a companheira em uma moto no Centro de Guarapari contou que estava fazendo entregas de correspondência quando tudo aconteceu. 

O resultado do acidente foi a morte da mulher que estava na garupa da motocicleta e o condutor, Webster Luiz Matos com vários ferimentos. Ele conversou exclusivamente com a equipe da TV Vitória e contou sobre a recuperação.

"Tive fratura na costela, um trauma no peito e traumatismo craniano, mas foi leve não corro risco. Fiquei com medo. Hoje quando estou na rua e vejo um carro acelerado, vem um flash na cabeça e lembro do dia do acidente", contou ele. 

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O motoboy contou que no dia da colisão estava trabalhando fazendo entrega de correspondências. Era ele quem pilotava a moto em que a companheira, Franciani Bueque da Silva, de 32 anos, estava na garupa. 

A mulher com quem morava há mais de um ano, morreu no acidente. Segundo Webster, tudo começou depois de um desentendimento e uma fechada no trânsito. 

"Eu e ela (a companheira) estávamos na moto tranquilos. Tinha uma moça na nossa frente no carro. Fui ultrapassar, porque ela estava devagar. Fui cortar pela direita, e ela jogou o carro pra cima da gente e nos fechou. Eu achei que fosse algum conhecido, por isso, voltei para ver quem era, e vi que nunca tinha visto aquela moça. Eu acho que ela pensou que tínhamos voltado para brigar. Quando voltei, ela já começou a xingar, me mandou calar a boca e jogou o carro pra cima da gente de novo que foi aonde ela acelerou. Nessa hora, eu acertei o pé no retrovisor dela, mas sei que foi errado da minha parte fazer isso também", relatou ele. 

Depois da discussão, segundo Webster, ele tentou se livrar da mulher que começou a perseguir o casal, mas não teve êxito. Ela estava transtornada. 

"Vi que ela acelerou o carro e ia passar por cima da gente. E foi nessa hora que entrei na contramão, porque eu pensei que se eu entrasse, passariam outros carros e poderia inibir ela de vir atrás de nós. Quando fui para a contramão, não tinha nenhum carro. Foi a hora que ela veio acelerando e passou por cima da gente", contou. 

O motoboy ressaltou ainda que depois que ele e a companheira foram atingidos pela mulher, não lembra de mais nada, apenas do momento em que entrou na contramão. De acordo com ele, estava desesperado. 

A motorista identificada como Karen Keithy Morais Ferreira, de 36 anos, foi presa em flagrante e autuada por homicídio qualificado. A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) informou que Karen permanece no Centro Prisional Feminino de Cariacica.

O atropelamento aconteceu no fim de agosto. Na ocasião, a motorista do carro disse à polícia que estava possuída por ódio e que teria feito tudo de propósito. Para a família, nada justifica o crime. 

"Sei que problemas, todos nós temos. Nosso dia a dia, esses dois últimos anos que estamos vivendo muito difíceis, mas não existem motivos para ela ter feito o que fez", explicou Angelita Bueque, tia de Franciani, que morreu no acidente.

O advogado, Lucas Francisco Neto, que representa a família de Franciani e de Webster, afirmou que a motorista não demonstrou arrependimento no que fez. 

"Ela demonstrava um desprezo no jeito de falar para com as outras pessoas, um desvalor pela vida humana. Ela tratou a prisão em flagrante dela como algo menor, parecia que acreditava que estava na razão dela", explicou o advogado.

Familiares de Franciani chegaram a protestar pela morte da vítima nas ruas de Guarapari. A mãe de Webster também participou do manifesto enquanto o filho se recuperava no hospital. 

Os dois filhos de Franciani estão sob os cuidados de familiares. Já webster é obrigado a conviver com a ausência de quem ele tanto amava e sonhava construir uma vida.

A Polícia Civil informou que o inquérito policial deste caso foi finalizado no início deste mês e remetido à Justiça. A motorista foi autuada por homicídio qualificado. 

Segundo o Tribunal de Justiça do Espírito Santo, o caso tramita na 1ª Vara Criminal de Guarapari. A mulher vai responder por homicídio qualificado e tentativa de homicídio. 

*Com informações do repórter Douglas Camargo, da TV Vitória / Record TV.

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