Internacional ONU aponta que proteção de áreas naturais avançou nos últimos anos

ONU aponta que proteção de áreas naturais avançou nos últimos anos

Comunidade internacional atingiu metas definidas em 2020 mas ainda é preciso dar mais atenção às populações locais

AFP
Metas definidas em 2020 foram atingidas pela comunidade internacional

Metas definidas em 2020 foram atingidas pela comunidade internacional

CARLOS FABAL / AFP

A comunidade internacional praticamente atingiu as metas definidas em 2020 de aumentar as áreas naturais protegidas no mundo, mas é preciso melhorar sua gestão e levar em conta as populações locais, alertou a ONU nesta quarta-feira (19).

Em 2010, a comunidade internacional adotou 20 metas para 2020 para deter o declínio dramático da biodiversidade, os chamados AICHIs.

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) divulgado nesta quarta-feira examinou as metas relacionadas à proteção de áreas naturais.

“Hoje, 22,5 milhões de km² de áreas terrestres e de águas interiores (16,64% do total mundial) e 28,1 milhões de km² de áreas marinhas e costeiras (7,74%) estão em áreas protegidas documentadas, um aumento de mais de 21 milhões de km² desde 2010", de acordo com um comunicado.

A comunidade internacional estabeleceu metas para atingir 17% das áreas terrestres e 10% das áreas marinhas. O primeiro foi plenamente alcançado, se consideradas as últimas unidades de conservação não incluídas no relatório.

A qualidade da proteção

Cerca de 42% das unidades de conservação foram criadas na última década, segundo Trevor Sandwith, diretor do programa de áreas protegidas da IUCN, que relata um “grande esforço por parte dos países”.

O PNUMA e a IUCN saudaram esses avanços, mas enfatizaram que é necessário "melhorar a qualidade das áreas existentes e futuras".

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No entanto, atualmente não há padrões globais para medir esse fator, segundo Sandwith. De acordo com algumas avaliações, "metade faz as coisas bem e a outra metade, em absoluto".

A IUCN desenvolveu uma lista de fatores para definir o bom funcionamento dessas zonas, como tamanho suficiente, regulamentação eficaz, finanças e conhecimentos necessários.

Por outro lado, o relatório destaca que cerca de um terço das áreas essenciais para a biodiversidade permanecem desprotegidas.

Além disso, "as áreas protegidas devem estar melhor conectadas entre si para permitir que as espécies se movam e os processos ecológicos funcionem". Mas atualmente “apenas 8% das terras são protegidas e conectadas ao mesmo tempo”.

A publicação do relatório ocorre menos de seis meses antes da planejada COP15 sobre biodiversidade na China, que estabelecerá um novo quadro de ação até 2030.

Nesse encontro, a Coalizão de Alta Ambição pela Natureza e Pessoas (HAC), inicialmente promovida pela Costa Rica e pela França, defenderá que pelo menos 30% das áreas naturais terrestres e marinhas sejam protegidas.

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Essa proteção também requer maior participação dos povos indígenas, segundo a IUCN e o PNUMA. De fato. Esses grupos temem que a criação de áreas protegidas seja um pretexto para expulsá-los de suas terras, como já aconteceu em muitos países.

Proteger a natureza não significa acabar com as atividades humanas, segundo Sandwith, mas sim promover práticas sustentáveis, da agricultura e pesca ao turismo, acrescenta.

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