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Sobrevivente brasileira relembra massacre de Parkland 1 ano depois

Kemily Duchini estava no 2º andar da escola Marjory Stoneman Douglas quando Nikolas Cruz abriu fogo no local e matou 17 pessoas

Internacional|Carolina Vilela, do R7*

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Alunos deixam a escola Marjory Stoneman Douglas após o tiroteio
Alunos deixam a escola Marjory Stoneman Douglas após o tiroteio

O 14 de fevereiro de 2018 começou no colégio Marjory Stoneman Douglas, em Parkland (Flórida), como qualquer outro Valentine's Day em uma escola dos EUA: jovens carregando chocolates e ursos de pelúcia para entregar aos namorados ou namoradas. É assim que a brasileira Kemily dos Santos Duchini, 17, lembra daquela manhã. Uma recordação leve interrompida, como naquele dia, por uma tragédia: o massacre a tiros de 17 pessoas, cometido pelo ex-aluno Nikolas Cruz.

“Era um Valentine's Day normal, mas olhando para trás, tinha algo estranho no ar”, conta ela, um ano depois de testemunhar o terceiro maior tiroteio escolar já registrado nos EUA, cuja consequências reverberam tanto na vida de Kemily, como na cena política norte-americana.

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A estudante brasileira lembra que faltava meia hora para a aula acabar quando escutou os primeiros disparos e depois o alarme de incêndio.

“Quando escutamos os tiros, um olhou para a cara do outro, ninguém falou nada. Todos nos levantamos e fomos para o canto da parede rente à porta. Nós somos treinados para a fazer isso porque, caso o atirador fosse até a porta, não conseguiria ver que tinha gente na sala”

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Os barulhos dos tiros foram ficando mais altos, à medida que Nikolas subia as escadas para o segundo andar, onde Kemily estava. "Ele atirou na sala em frente à minha, mas ela estava vazia."

Questão de minutos

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No dia seguinte à tragédia, Kemily e sua mãe, Fabiana, concederam uma longa entrevista em vídeo ao R7 sobre o massacre. Um ano depois, as duas narram os fatos como se o tempo não tivesse passado.

Mas só agora, a jovem consegue perceber que demorou a entender que sua vida e a de todos ali estava em perigo. Kemily só se deu conta do que estava acontecendo quando os amigos mandaram fotos da transmissão na televisão para ela.

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“Eu não quis falar para ninguém porque tinha muita gente chorando. Eu não queria que eles fizessem mais barulho e colocassem as nossas vidas em risco.”

Ela conta que foi a primeira da sala a perceber o que estava acontecendo, porque a professora havia pedido para que eles não mexessem no celular para não fazer barulho.

Ao todo, a ação do atirador de Parkland durou 6 minutos, que foram remontados pelas autoridades da Flórida apenas em dezembro. As investigações apontam diversos erros de procedimentos, que custaram vidas.

Kamily conta que a professora havia comentado que naquela semana tinha ocorrido uma reunião na escola sobre como melhorar a segurança do local e que queriam fazer uma simulação de um tiroteio com a polícia da cidade para ensinar aos alunos e aos professores o que fazer nessas situações.

'Isso não sai da minha cabeça'

Fabiana dos Santos Duchini, 42, empresária e mãe de Kemily, só soube do que estava acontecendo quando a filha mandou uma mensagem para ela.

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Ela conta que quando recebeu a mensagem da filha, pediu para que a menina se escondesse e continuasse falando com ela, mas Kemily só retornou o contato uma hora depois. “Fiquei em pânico, desesperada”

“Graças a Deus nada aconteceu com ela, mas fico muito triste pelas outras mães, as outras famílias. Isso não sai da minha cabeça”, afirmou Fabiana.

Kemily terminou o ano na mesma escola, mas desde o começo deste ano a menina está estudando em casa. “Aqui nós temos essa opção, então por segurança optei por isso”, afirmou Fabiana.

Debate sobre a posse de armas nos EUA

Após o massacre de Parkland, o debate sobre o controle de armas nos EUA voltou à tona. Os alunos da Marjory Stoneman Douglas protagonizaram uma marcha em Washington contra a posse de armas no dia 24 de março, que ficou conhecida como March For Our Lives — a Marcha pelas Nossas Vidas.

Alguns dos sobreviventes de Parkland tomaram a frente do movimento, como Emma Gonzalez, Cameron Kansky e David Hogg, e chegaram a confrontar o presidente norte-americano, Donald Trump sobre a questão.

Mas enquanto a comunidade da Marjory Stoneman Douglas é reconhecida como um bastião pelo controle da venda e posse de armas nos EUA, Kemily e Fabiana caminham na direção contrária.

Mesmo tendo presenciado o massacre, Kemily não é contra as pessoas terem armas. “Na minha opinião, as pessoas têm o direito de ter, só precisa ter um controle maior sobre quem está comprando”, afirmou.

Fabiana compartilha da mesma opinião que a filha e continua a favor da posse de armas. “Eu continuo apoiando.”

Nicolas Cruz, autor dos tiros que deixaram 17 pessoas mortas está esperando o julgamento, mas já foi formalmente acusado pelos assassinatos.

Até o momento, nenhuma grande mudança foi feita sobre a legislação de armas no país.

Relembre as vítimas do massacre na escola de Parkland, na Flórida:

*Estagiária do R7 sob supervisão de Cristina Charão

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