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Atingidos pela barragem da Samarco fecham estrada em Mariana

Eles pedem agilidade na reconstrução das comunidades destruídas e mais transparência no processo

Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7


Ato aconteceu durante a manhã desta quinta-feira (5)
Ato aconteceu durante a manhã desta quinta-feira (5)

Desabrigados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, a 116 quilômetros de BH, fecharam a MG-129, na manhã desta quinta-feira (5), em protesto contra a demora no reassentamento dos atingidos. Um acordo firmado entre a Samarco e o Governo previa o início das obras de construção da nova comunidade de Bento Rodrigues para o início deste ano, mas até o momento as máquinas não estão funcionando. A maior tragédia ambiental do país deixou 19 mortos e 362 famílias sem casa desde novembro de 2015.

A estrada foi interditada próximo ao trevo do terreno de Lavoura, a 8 quilômetros do centro de Mariana, onde o distrito será reconstruído. O trânsito já foi liberado. Segundo a organização, o protesto foi pacífico. Os manifestantes pedem mais transparência e diálogo com a Samarco, suas controladoras Vale e BHP Billinton e com a Fundação Renova, entidade criada para gerir as obras de reparação.

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Em carta entregue à Fundação, eles lamentam:“O processo de reassentamento, nosso principal desejo, está atrasado e não temos informações concretas dos processos, a Renova sempre se exime da culpa transferindo responsabilidades para terceiros, já aprovamos dois projetos e não houve andamento. Essa indefinição e demora está ceifando cada gota de esperança que temos de retomar nossos modos de vida".

No documento, eles solicitam, ainda, que as empresas se manifestem em rede nacional assumindo a responsabilidade pelo sofrimento dos moradores durante esses dois anos após a tragédia e que façam campanhas contra a “hostilização” que sofrem na região.

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Veja as reivindicações do grupo:

1. Informações precisas e transparentes do processo de reassentamento, cada etapa concluída e quais devem acontecer para iniciar as obras, mesmo sabendo que depende de terceiros, queremos uma estimativa de prazos;

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2. Uma reunião com o presidente da renova dentro de 15 (quinze) dias, a partir dessa data, com local e horário definido pelos atingidos. entendemos que para acabar com a burocracia e conter essa enrolação temos que discutir o formato que temos hoje, onde os acordos têm uma escala, queremos otimizar essa escala e dialogar para firmar acordos com funcionários que possam decidir. Muitas das discussões se arrastam por falta de autonomia dos que estão em diálogo com os atingidos;

3. Uma reunião com o Ministério Público Estadual de Minas Gerais, na pessoa do Procurador-Geral de Justiça dentro de 15(quinze) dias, a partir dessa data, com local e horário definidos pelos atingidos. Queremos discutir o formato das negociações com as empresas. entendemos que o modelo atual é desfavorável para os atingidos, onde o ambiente é hostil e inibidor. defendemos que os acordos sejam firmados entre atingidos e empresas num local que propicie o diálogo aberto e que os atingidos sejam ouvidos e tenham suas sugestões consideradas, com mediação do Ministério Público local (dr. Guilherme de Sá Meneghin) e posteriormente homologados pelo judiciário;

4. Uma reunião com o prefeito de mariana, dentro de 15(quinze) dias a partir dessa data, com local e horário definido pelos atingidos. queremos explicações da omissão e complacência do poder público com toda essa situação, o poder público não pode renunciar seu povo, não somos alienígenas, somos filhos dessa cidade, mas estamos condenados a nossa própria sorte;

5. Exigimos que as empresas divulguem em rede nacional uma nota assumindo que são culpadas pelo mal causado aos atingidos durante esses quase dois anos e meio, reconhecendo as obrigações de suas ações e não melhorias para o meio ambiente e na vida das pessoas, além de realizar campanhas contra hostilização que sofremos diariamente;

O outro lado

Procurada pelo R7, a Fundação Renova reconheceu a legitimidade da manifestação e reafirmou o diálogo com a comunidade. A equipe informou que desde dezembro de 2017 faz reuniões para “traçar as diretrizes do reassentamento com os atingidos, sendo que a maior parte delas já está homologada em juízo”. Apesar disso, eles afirmam que o cronograma inicial para as obras está sendo alterado.

Sobre a reconstrução de Bento Rodrigues, a fundação destacou que a comunidade já escolheu o terreno e aprovou o projeto urbanístico em fevereiro deste ano. “Com a aprovação do projeto urbanístico, a Fundação Renova deu andamento aos projetos de engenharia e estudos ambientais para protocolar os pedidos de licenças ambiental e urbanística”, detalha a nota.

A comunidade de Paracatu de Baixo escolheu a área conhecida como Lucila para o reassentamento. Segundo a Renova, estudos solicitados pelos órgãos ambientais estão sendo realizados e a discussão do plano urbanístico começa nesta semana.

A localidade onde será reconstruída a parte destruída do distrito de Gesteira ainda não foi definida. O rompimento atingiu a parte baixa da comunidade. No local, havia uma igreja, uma escola e algumas casas. A Fundação Renova informou que a escola foi construída, em janeiro de 2017, na parte alta do distrito.

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