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E-mails mostram que diretores da Samarco sabiam de risco

Relatório da PF diz que não havia o controle do volume de rejeitos despejados na barragem

Minas Gerais|Do R7


Lama toma conta do distrito de Mariana
Lama toma conta do distrito de Mariana

A reportagem da Record teve acesso com exclusividade às informações do relatório de investigação da Polícia Federal sobre a tragédia que matou 19 pessoas nos distritos próximo a Mariana no rompimento de barragem ocorrido, em novembro de 2015. Segundo o documento, mensagens de e-mail recuperadas mostram que diretores da Samarco sabiam dos problemas na barragem de Fundão, que se rompeu causando o desastre. Nesta quinta-feira (9), oito pessoas foram indiciadas pelo crime. 

O relatório da PF afirma que, em uma das conversas, o diretor de Operações da Samarco, Kleber Terra, avisa ao diretor-presidente, Ricardo Vescovi, que havia uma trinca na barragem. Pela data, o problema era o mesmo apontado pela consultoria feita em setembro de 2015, dois meses antes do rompimento, que alertou sobre a necessidade de verificar o local. Em 2012, um documento mostra que Terra falou com o gerente-geral de projeto, Germano Lopes, sobre a possibilidade de rompimento da barragem. Eles discutem o que fazer com a população de Bento Rodrigues e chegam até a pensar em comprar as casas do distrito. No fim, decidem que é exagero de avaliação.

A polícia informa no relatório ainda que não havia o controle do volume de rejeitos despejados na barragem pela Vale. Técnicos que fizeram a declaração de estabilidade da estrutura não sabiam que a mineradora jogava resíduos em Fundão. A perícia constatou que os valores declarados pela Vale e pela Samarco eram bem menores do que a quantidade real de lama despejada na represa.

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O documento da PF diz ainda que uma falha geológica no local tornava o aumento da altura da barragem limitado de cinco a dez metros por ano. No entanto, de acordo com a investigação, a mineradora acrescentava entre 13 e 15 metros na estrutura, a cada 12 meses, contrariando a segurança. As obras teriam sido feitas sem nenhum projeto já que qualquer alteração teria que ser aprovada pelos órgãos competentes.

Dificuldades

Fiscais do Departamento Nacional de Produção Mineral tiveram dificuldades em acessar documentos das mineradoras. Engenheiros da Vale, conforme diz o relatório, se negaram a entregar o balanço de massa da usina, um relatório que comprovaria a quantidade de resíduo depositado na barragem. A PF afirma que funcionários da Samarco avaliavam quais laudos podiam ou não ir para as mãos dos peritos.

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