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Vizinha denuncia que havia outras crianças em sítio onde vivia menino de 4 anos morto por maus-tratos 

Segundo cacica, crianças estavam sempre sujas, pareciam fracas e desnutridas e eram vistas carregando lenhas pesadas pela mata

Minas Gerais|Shirley Barroso, da Record TV Minas

Polícia Militar fez buscas em sítio de Terezinha, mas não encontrou ninguém
Polícia Militar fez buscas em sítio de Terezinha, mas não encontrou ninguém Polícia Militar fez buscas em sítio de Terezinha, mas não encontrou ninguém

A chefe de uma aldeia indígena localizada próximo ao terreno da Terezinha Pereira dos Santos, de 53 anos, em São Joaquim de Bicas, na Grande BH, afirma que havia outras crianças no local que eram forçadas a trabalharem. 

Angorro é cacica da tribo Katurãma, a aldeia dela fica próxima ao terreno apontado como pertencente à Terezinha. A indígena conta que conheçou a mulher e que diversas crianças eram levadas para a mata da reserva por Terezinha e outros adultos. Segundo ela, os menores carregavam lenha, estavam sujos e pareciam fracos e desnutridos. A chefe da tribo se diz preocupada com essas outras crianças que sumiram da região.

“Eram crianças que estavam magras, não falavam com a gente, não brincavam. Elas estavam sempre com roupa de frio, mesmo nos dias quentes", contou a cacica. 

A passagem de Terezinha pela aldeia foi proibida desde o dia em que a líder indígena constatou que as crianças eram maltratadas. "A gente tem um regimento interno na nossa comunidade, onde não aceitamos violência de gênero e nem maus tratos contra criança. Um dia, vimos as crianças saindo da mata carregando lenhas pesadas. Eu fui chamar atenção, porque não dava para deixas as crianças carregarem a lenha daquele jeito, aí ela (Terezinha) achou ruim com a gente. E aí proibimos a entrada das crianças, mas mesmo assim eles não respeitaram. Eles vinham de madrugada com as crianças", relatou Agorro. 

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A cacica também reconheceu, em uma foto que a Record TV Minas teve acesso, Terezinha Pereira dos Santos. A mulher é apontada como suspeita de envolvimento no caso das crianças encontradas abandonadas e desnutridas em um apartamento. 

Natural de Jequitinhonha, a 690 km de BH, Terezinha é quem teria deixado dois meninos, um de 6 e outro de 9 anos, trancados por dias, sem comida, em um apartamento no bairro Lagoinha, região Noroeste de Belo Horizonte. As crianças foram resgatadas pela PM, no último dia 21 de fevereiro, e levadas para o Hospital Odilon Berhens onde continuam internadas.

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Os meninos são filhos de Kátia Cristina Alves Robes, que está presa sob a acusação de maus tratos contra o filho de 4 anos, Emanuel Alves Robes, que morreu ao dar entrada na UPA de São Joaquim de Bicas em fevereiro. Kátia e os filhos viviam em uma casa, no bairro Imperador, que segundo os vizinhos, pertence a Terezinha.

Ao ver a foto de Emanoel na TV, filho de Kátia que morreu com sinais de maus tratos, Angorro reconheceu o menino como sendo uma das crianças que buscava lenha na mata com Terezinha. A cacica ficou tocada com a possibilidade do garoto ser enterrado como indigente e foi ela quem providenciou o sepultamento do menino.

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"Era o mínimo que a gente poderia fazer depois de tudo que essa criança passou", desabafou a indígena. 

Entenda o caso

De dentro da prisão, Kátia escreveu uma carta contando que, há cerca de 2 anos, veio para BH tentar uma nova vida. Ela estava grávida, com os 4 filhos e o companheiro Wellington Camelo Gomes. Ao desembarcar na rodoviária de Belo Horizonte, o casal teria sido abordado por Terezinha que ofereceu abrigo e casa para a família. Após o nascimento da caçula, Kátia alega que não viu mais o companheiro. Ela conta que ficava trancada em casa enquanto os filhos eram obrigados a trabalhar para Terezinha.

Na última quinta-feira (02), após denúncia de que outras famílias estariam sendo mantidas como reféns no terreno de Terezinha, a Polícia Militar vasculhou o local. Em um dos barracões, foi encontrada uma folha de caderno com orientações sobre os horários em que a TV poderia ser ligada; pela manhã, após o chá e a tarde depois do lanche. 

A anotação dizia ainda que não era permitido que as crianças assistissem desenho a noite. Em outro cômodo, havia um armário com escritos na porta, um cronograma de horários sobre os afazeres das crianças. Ninguém foi encontrado no local. 

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